Mais um dia de mau tempo. Hoje o mar está revolto, espumado, não passam lanchas. Os voos já foram todos cancelados. Quando vejo o mar assim, recordo-me sempre de uma viagem de barco Terceira/Horta, em que pudemos sentir claramente a mão de Deus a proteger-nos.Eu estava grávida de sete meses. Tínhamos ido com um grupo de irmãos da igreja à assembleia da ABA, na Praia da Vitória. Assim que o barco partiu, começaram logo a distribuir-nos saquinhos para o enjôo. Poucos segundos depois, o barco levantou literalmente vôo e bateu de chapa no mar, com uma força brutal. Senti um medo terrível… Lembro-me de ter abraçado a barriga e, bem devagar, deitar-me de lado, sobre os bancos, ao comprido. Fechei os olhos e pedi a Deus que me desse um sono profundo. Durante duas horas e meia, aquele barco foi sacudido no oceano com uma violência inexplicável. Nem vale a pena descrever o ambiente que se viveu a bordo. Um dos irmãos que nos acompanhava foi marinheiro toda a vida e também passou mal, tendo dito que foi das piores viagens da sua vida. Outra das irmãs que ía connosco teve de ser hospitalizada. Quando o barco parou em São Jorge, o meu marido acordou-me. Eu tinha dormido um sono tão profundo que até tinha baba seca na boca! Grávida de sete meses, fui a única pessoa que não passou mal naquela viagem. Só mesmo por Deus! Esta foi uma das experiências mais fortes que tive com Deus, aqui nos Açores. Depois soube, que uma irmã da nossa igreja, ao ver que ninguém lhe atendia os telemóveis, tinha estado a orar por nós durante a viagem. Que teria sido de mim e do meu filho se não tivesse adormecido? Sempre que me lembro deste episódio dou graças a Deus pelo seu livramento. “Deus é o nosso refúgio”!












