14 de abril de 2007

Mistério desvendado

Quando estivemos no Continente, o nosso querido amigo Jónatas perguntou-nos, intrigado, o que é o nosso filho queria dizer com qualquer coisa como "bula", pois não parava de repetir essa palavra no bar do acampamento. Seria bola, seria água?
Pois bem, já descobrimos o que significa. Desde então, sempre que entramos num café com ele, repete-se a cena. "Bula" significa exactamente isto.
Como se não bastassem já os "tétés" (ovos kinder) e as "bá-tá-ta" (batatas fritas), agora temos mais esta dor de cabeça...

13 de abril de 2007

Está a ficar sério

A meio da noite, o pai deu com ele a balbuciar: "Bia", "Bia".

Olhar para o chão

Gosto do da sensação (e do som) de conduzir sobre estas pedras: grrrrrrr, grrrrrr...

Cemitério da Bela Vista

Há dias, fui pela 1ª vez a um funeral no Faial e fiquei impressionada com a vista do cemitério. Fica num monte e as campas acompanham a inclinação, estando mesmo de frente para o mar e para a majestosa montanha do Pico. Não é que isso aproveite alguma coisa a quem lá está sepultado, mas que é bonito é.

12 de abril de 2007

Deus proveu

Dizia eu para o meu marido: “Aquilo que procuramos não é muito fácil de encontrar: uma casa no centro da cidade, nova ou semi-nova, com uma renda dentro das nossas posses e só com parte da mobília.”
Mas, realmente, o nosso Deus é um Deus de pormenores! Deu-nos uma casa no centro da cidade (bem perto da igreja) e nova (ainda estão a acabar as obras). O senhorio vai pôr na casa apenas as mobílias que lhe pedimos. Teve muito gosto em arrendar-nos a casa por ser para um pastor! Contou-nos que, há vinte e muitos anos atrás, o pai dele também arrendou uma casa a um pastor (o que, na altura, lhe trouxe problemas com o padre da freguesia) e que esse pastor era uma pessoa muito correcta e honesta. Por coincidência, esse foi também o pastor que me baptizou, no Continente.
Assim sendo, vamos ficar muito melhor do que estávamos (e já estávamos muitíssimo bem).
(Para Deus nada (mesmo nada) é impossível!)

11 de abril de 2007

A dificuldade

Enquanto lhe preparo o banho, ele vai pondo brinquedos e mais brinquedos dentro da banheira. Por vezes, a minha dificuldade é encontrar algum espaço livre para ele tomar banho.

Hospitalidade

As pessoas daqui são amorosas no que toca a dar coisas e a receberem-nos bem nas suas casas. Porém, isto não é imediato. O açoriano precisa de conhecer bem primeiro a pessoa em causa para depois acontecer a aproximação. O nosso filho tem uma ama desde os 4 meses. Há um ano e pouco que passa os dias com aquela senhora (e mais 4 meninos). Ao longo deste tempo, temos desenvolvido uma relação de amizade com a ama. Esta semana, convidou-nos para lanchar lá em casa (ela tinha feito anos no dia anterior). Sentámo-nos em frente a uma mesa, com uma toalha a cobrir a comida. De repente, ela levantou a toalha e – tchan, tchan – os nossos olhos brilharam com tamanho banquete. Não nos deixou levantar sem que provássemos o pudim de maracujá, o bolo de caramelo e nozes, o bolo de coco e a massa sovada caseira!
“E para beber: querem café, chá, sumo?” – perguntou-nos.
“Pode ser café, obrigada!” - respondi.
“Mas não gosta de sumo?” – perguntou ao meu marido.
“Gosto” – respondeu ele.
“Então, vai beber café e sumo!!”
No final, ela ainda queria ir buscar língua e digestivos (mas conseguimos travá-la).
Conclusão: ficámos jantados.
(Seria tão bom que esta senhora se convertesse. Ela é o meu braço direito. Orem por ela, por favor).

Crise de meia idade – parte 2

Quando estivemos no Continente, fui com o meu marido ver Bíblias. Hoje em dia, a variedade da oferta é impressionante. Há Bíblias de todas as cores e feitios. Até já há Bíblias que trazem uma bolsa para pôr o telemóvel! Mas o que me deixou em “crise” foi dar por mim a responder à pergunta “qual é que gostas mais?”, apontando para uma Bíblia que dizia assim na capa: “letra gigante”. A explicação é óbvia: aquela era a Bíblia que me dava mais vontade de ler (fala-vos uma míope com 12 anos de carreira). No entanto, é estranho constatar que eu já prefiro uma “letra gigante” à “porta-telemóveis”.

10 de abril de 2007

Lugar de encontro - parte 2

Hoje, partem mais cinco. Um deles, depois de seis anos a viver no Faial, regressa ao Brasil. Os restantes quatro são uma das famílias de açorianos mais queridas da nossa igreja. Uma das filhas é a "minha amiga açoriana". Vão emigrar.
Entretanto, no espaço de um mês chegaram outras cinco pessoas na TAP. Tudo mulheres.

9 de abril de 2007

Saudades

Pego no telefone do meu filho e digo bem alto: "Trim, trim.. Está lá? Sim... um momento, eu vou chamá-lo! Filho, é uma chamada para ti!"
Ele vem a correr, pega no auscultador e diz: "Tou? Vôvô?"
(de cortar o coração)

Desabafo

A luta é muito grande. A entrega ao trabalho é absoluta. Os horários de trabalho e de descanso acabam sempre por se misturar. Os fins-de-semana são os dias de trabalho mais intenso. A paciência é a área que mais tem sido trabalhada por Deus nas nossas vidas. O amor pelas pessoas daqui é a âncora que nos prende à terra. Mas, pesadas todas estas coisas, consola-nos constatar que a nossa maior dificuldade é a falta de espaço e que aquilo que mais nos incomodou no domingo passado foi ver três pessoas a assistirem ao culto de pé.

7 de abril de 2007

O segundo amor


Mais do que um quadro

Este quadro tem uma história. Mais do que um elemento decorativo da sala de estar dos meus sogros, ele tem sido um precioso instrumento para ajudar a dar de comer aos bebés da família. A táctica foi descoberta pelo meu sogro que pegava nos filhos e lhes contava histórias sobre o cavalinho, a menina, a casinha, o rio e o lenhador que ía buscar troncos à floresta, enquanto lhes enfiava colheres de sopa pela boca. A técnica resultou na perfeição com o neto. Há coisas que nem o Brazelton imagina que se podem fazer para que um bebé abra a boca...

A festa das festas

No domingo passado, pedi aos adolescentes que desenhassem o significado da Páscoa. Houve um desenho que me marcou especialmente. O autor do desenho tem 11 anos e está a frequentar a igreja apenas há alguns meses. Desenhou um senhor a pagar uma série de ovos de Páscoa, na caixa do híper. Os ovos eram para o filho, segundo me explicou. Mas desenhou isto com todos os pormenores, incluindo os alarmes verticais que se encontram junto às caixas registadoras e a máquina de pagamento por multibanco. Aquele desenho não podia ser mais sincero. De facto, a Páscoa é isto mesmo para muita gente.
A seguir, expliquei-lhes o significado da Páscoa. Lemos juntos algumas passagens e depois pedi-lhes que desenhassem novamente o significado da Páscoa. Desta vez, aquele menino fez um desenho muito parecido com a imagem acima. Uma gruta vazia por Jesus ter ressuscitado.
Este ano, ele vai comemorar a Páscoa no seu verdadeiro sentido. Que Deus nos ajude a explicar a cada vez mais pessoas que Páscoa é a festa das festas!

5 de abril de 2007

Má nota a moral

Aqui, nas escolas primárias, as crianças têm religião e moral católica, dada por um padre. Na verdade, é comum aliar as actividades da escola às festividades católicas.
Há dias, uma amiga contou-me uma conversa que teve com a professora da filha no sentido de que esta não frequentasse aquelas aulas (por ser evangélica), tendo a professora respondido que “nas aulas de moral o senhor padre apenas ensina às crianças as tradições dos açores, nada demais!” (Nada demais?)
Há uns tempos atrás, uma outra amiga, mostrou-me (indignada) um bilhete que recebeu da escola, informando os encarregados de educação que no último dia de aulas, antes das férias de Natal, as crianças iam ter um programa especial que começava com uma missa logo às 8h30, seguida de actividades de que já não me lembro no que consistiam e um almoço no valor x. No bilhete da escola, apenas era pedido aos pais que autorizassem a ída ao almoço. (E a ída à missa? É indiscutível?)
Esta semana, uma terceira amiga (nova convertida) contou-me que ainda não tirou o filho das aulas de moral por causa da pressão social. No entanto, o menino (de 9 anos) é aluno da Escola Bíblica Dominical há cerca de um ano. Ao receber agora a avaliação escolar do filho ficou perplexa (e achou até uma certa graça) ao ler que o filho “não revela muito interesse pelas actividades desenvolvidas na aula de religião e moral”.

3 de abril de 2007

Nómadas

Ainda há dias, no flickr, comentei uma foto de uma amiga, que estava a mudar de casa, dizendo que a mudança mais difícil é a 1ª e que eu e o meu marido (tais ciganos) já mudámos quatro vezes de casa. Pois bem, tenho a comunicar que avizinha-se a quinta mudança! Ontem, a nossa senhoria chamou-nos para nos pedir a casa (por motivos de índole pessoal perfeitamente atendíveis). No final da conversa, o meu marido diz-me com um ar satisfeito: “Olha, até já tinha saudades de mudar de casa, há dois anos que não mudávamos!” De facto, a mudança mais difícil é mesmo a primeira. Por isso, até ao final do mês, vamos voltar aos pacotes (já temos técnica apurada) e sorriso nos lábios que Deus há-de prover!
(orem por nós)

2 de abril de 2007

O primeiro amor

Enquanto estivemos no Continente, o nosso filho repetiu vezes sem conta a seguinte pergunta: A Bia?
Até o avô me chegou a perguntar, intrigado, “O que é que ele quer dizer com Bia-Bia-Bia?”
A Bia é uma colega dele. É um pouco mais velha (já fez 3 anos) e tem uma atitude protectora em relação a ele. O “amor” entre os dois despoletou no dia em que ela o libertou da cadeirinha, abrindo-lhe o cinto de segurança. Ele ficou-lhe muitíssimo grato (para desespero da ama).
Hoje de manhã, deu-se o emocionante reencontro, com direito a sorrisos, beijinhos e muita emoção.
(Fico a pensar no seguinte: se com apenas um ano e meio, ele já sente saudades dos amigos, como é que será no dia em que Deus nos chamar de volta para o Continente?...)

De novo em casa

Depois de uma semaninha no Continente, regressámos ao nosso “paraíso”. Soube tão bem gozar estes dias junto da família (e dos shoppings)! Desta vez, as despedidas não nos custaram tanto como nas férias de verão ou no Natal. No entanto, deparámo-nos com uma nova (e complicada) dificuldade. É que o nosso filho (que já está mais crescido e mais esperto) percebeu claramente que os senhores com quem passou estes dias são os mesmos que costuma ver na internet e tratou-os, pela primeira vez, por “vovô” e “vovó” (para baba geral). A parte menos boa desta história, foi o ar desolado e o beicinho com que ficou quando os viu ir embora do aeroporto. Desta vez, as minhas lágrimas foram mais por ele do que por mim.