Há uma passagem na Bíblia que, desde miúda, sempre me impressionou muito. É aquela, em Isaías, que diz que os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos, nem os seus caminhos são os nossos, e que assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os seus caminhos e os seus pensamentos mais altos do que os nossos.
E é verdade. Nós somos tão limitados. Por vezes, enquanto estamos no culto, a nossa atenção é apenas para o se que está a passar dentro de portas. Ficamos satisfeitos por ver quem está, preocupamo-nos com quem faltou, desejamos que tudo corra pelo melhor: o louvor musical, a pregação; rogamos ao Senhor que toque o coração dos presentes e, muitas vezes, nem pensamos que, nesse preciso momento, Deus pode estar a trabalhar em pessoas que estão mesmo ali, fora de portas.
Fiquei boquiaberta com duas situações que me contaram. Uma mulher pediu a uma pessoa da nossa igreja se esta lhe podia gravar um cd com as músicas que cantamos. Essa senhora tinha estado à porta, enquanto estávamos no culto, a ver a montra do templo e a ouvir os louvores. Sentiu-se muito bem com aquelas músicas. Esteve ali um pedaço de tempo. Não teve coragem de entrar, mas gostava de ouvir mais daquelas músicas. Também um homem, num domingo de manhã, passou várias vezes em frente à igreja, enquanto estávamos no culto. Prá frente e pra trás. Esse homem contou a uma pessoa da igreja que sentiu uma vontade enorme de entrar, mas faltou-lhe a coragem. Disse que um dia destes entraria. Anda a arranjar coragem.
Ao ouvir estes dois casos, lembrei-me logo da passagem em Isaías. Como Deus é ilimitado. Ele vê além das paredes. Que o Senhor possa completar a Sua obra nestas duas vidas. E em tantas outras que andam “fora de portas”.