Já uma vez aqui escrevi sobre este homem (ver aqui).Trabalha no aeroporto da Ilha do Corvo e faz o serviço de terra sozinho. Uma amiga minha esteve no Corvo e registou estes factos. Deixo-vos as fotos:
3 de julho de 2010
Pronúncia
- "Mamã, ensinas-me a fazer bolhas com a gama?" (bolas com a pastilha elástica)
(O curioso é que ele tem as expressões, mas o sotaque é continental... vá lá, 90% continental)
(O curioso é que ele tem as expressões, mas o sotaque é continental... vá lá, 90% continental)
26 de junho de 2010
Está-se bem (nos Açores)
Ontem, feriado. Hoje, tolerância de ponto. Amanhã, sábado. Depois de amanhã, domingo.
24 de junho de 2010
Continentais
Aeroporto de Ponta Delgada. Entro no autocarro que leva os passageiros até ao avião da SATA e deparo-me com um grupo de pessoas do Continente. “Que ilha é esta?”- perguntava um deles. “Opá, isto é Ponta Delgada… ora, Ponta Delgada acho que é em S. Miguel… ó Zé, isto é a Ilha de S. Miguel, não é? “ (pausa) “Isto é muita calminho… é muita tranquilo…” – num tom de gozo. Depois acharam muita graça por não haver lugares marcados no avião. Curioso... há 5 anos atrás, quando vim para os Açores, acho que também pensava assim e provavelmente dizia coisas semelhantes a estas. Também eu achava o Continente uma super potência em relação aos Açores. Hoje, é diferente. Creio ter abandonado completamente a arrogância (e ignorância) continental. Consigo perceber o sentir dos açorianos e sei que não gostam nada quando se diz que “Em Portugal é que é”, como se os Açores não fizessem parte do território português. E confesso que, em pleno voo, quando o avião começou a abanar (apanhámos uns belos ventos cruzados na descida para a Terceira) e aquele grupo do Continente começou a suar e a agarrar-se às cadeiras, dizendo “O que é isto?”, eu e mais dois senhores açorianos sorrimos uns para os outros, tendo um deles dito assim: “Não se assustem, nós já estamos habituados a isto! São só ventos cruzados. Ainda vos falta experimentar um poço de ar!”
(lol)
(lol)
22 de junho de 2010
Portugueses
Em pleno Mundial, muito se tem falado acerca dos portugueses de sotaque brasileiro que integram o plantel da selecção. Ora é porque a selecção está cheia de "brasileiros", ora é porque se os "brasileiros" não cantam o hino nacional é porque de certeza que não sabem a letra (como se todos os "portugueses" a soubessem de cor...), enfim. Ontem li um comentário num site desportivo que me deixou arrepiada. Dizia alguém, referindo-se à ausência de Deco, por lesão, que “agora é que vamos ver jogar os verdadeiros portugueses”! Medonha esta afirmação. Como é que nós, que temos cinco portugueses emigrados para cada estrangeiro que vive em Portugal, podemos tratar assim aqueles que escolheram o nosso país para viver e que o adoptaram como sua pátria? Não são muitos milhões de portugueses também franceses, americanos, suíços, brasileiros? E não estão também eles a contribuir para o bem daqueles países? E se os nacionais de origem desses países os chamassem de “falsos nacionais”? Pois.
Reencontro
Depois de quase oito semanas de tratamentos diários, os médicos deram uma semana de "férias" à minha mãe. Curiosamente, nessa sua semana de descanso, foi-me agendada uma viagem em serviço a Lisboa. Um presente de Deus. Na viagem de avião, estava um pouco ansiosa pelo momento em que iria reencontrar a minha mãe. Sabia que ela ía estar à minha espera no aeroporto. Assim que passei as portas das "chegadas", procurei o rosto da minha mãe entre o de dezenas e dezenas de pessoas que ali estavam... e, de imediato, encontrei logo o seu sorriso rasgado e emocionado (o mesmo sorriso que, há 4 anos atrás, descobri que também sei fazer na perfeição: o sorriso de mãe). Retribuo-lhe o sorriso e apresso-me na sua direcção para a abraçar. Enquanto caminho para ela, penso para comigo: "Meu Deus, ninguém diz que a minha mãe está doente! Ela está óptima..". Foi muito pouco o tempo que estivemos juntas, mas soube tão bem. Vejo muito a Mão de Deus em toda esta situação. Perante um diagnóstico tão delicado, os tratamentos estão a fazer os seus efeitos e "acima das expectativas" dos médicos, como eles próprios disseram. Agradeço muito a todos os que oram pela minha mãe. Sei que são muitas pessoas. Obrigada, de coração.
Há momentos em que nos dedicamos mais a ouvir do que a falar. É assim que tenho vivido os últimos tempos e creio que é assim que vou continuar. Porém, decidi acabar com o jejum de blogue. Tenho saudades de escrever. Faz-me tão bem... E têm acontecido tantas coisas boas que é uma pena não partilhá-las convosco. Resumindo, estou de volta.
29 de maio de 2010
17 de maio de 2010
12 de maio de 2010
Dia das Mães - testemunho
“Nasci no dia de anos da minha mãe, no dia em fez 26 anos. Por causa disso, e para quem não sabe, também me chamo Celeste, como ela. A minha mãe diz sempre que eu fui uma prenda. Quando eu era bebé, a minha mãe dedicou-me ao Senhor, na Assembleia de Deus, igreja de que ela e o meu pai eram membros. Guardo com muito carinho a foto da minha dedicação: eu com uma chucha enorme, ao colo da minha mãe, sendo dedicada ao Senhor. Penso que esta foi uma das coisas mais importantes que a minha mãe fez por mim: dedicar-me a Deus. Nós, pais, somos imperfeitos e por mais que queiramos fazer o melhor aos nossos filhos, vamos falhar. Mas, se os entregarmos a Deus, o Senhor vai cuidar deles, vai completar aquilo que não conseguimos fazer e, então, podemos ter paz. Quando eu era pequena, a minha mãe era a mais bonita das mães. Hoje todas as mães são bonitas, mas quando eu era pequena, as mães eram todas iguais, rechonchudas, vestidas de preto. A minha mãe não. Sempre gostou de se vestir e calçar bem, sempre elegante. A minha mãe foi sempre muito lutadora, muito trabalhadora. Numa altura em que ainda era comum muitas mulheres não trabalharem fora de casa, a minha mãe montou o seu próprio negócio. Comprava, vendia, negociava. Sempre incentivou muito os três filhos a estudar e a tirar um curso superior. E Deus honrou-a: os três completaram os estudos. E ela tem muita vaidade nisso. Ainda hoje quando me envia uma carta, dirige-a à “Dra. Adriana”, apesar de eu não gostar nada destas coisas. Na juventude, não a compreendia muito bem. Ela não me deixava sair. Aliás, deixava se ela também fosse comigo. Depois de eu ser mãe, consegui compreendê-la melhor e o meu amor por ela tornou-se mais forte. Não sei explicar muito bem isto, mas é o que se passou. Quando casei e mudei-me para longe dela, primeiro para Lisboa e depois para os Açores, para acompanhar o meu marido no ministério, foi muito difícil para ela, sei que foi. Mas ela aceitou. Hoje a minha mãe está a passar por uma luta grande, está doente, mas ela acredita que vai correr tudo bem. Eu também acredito e peço aos irmãos que continuem unidos a nós em oração. De tudo o que possa dizer sobre a minha mãe, o mais importante foi mesmo ela ter-me sempre encaminhado para a igreja, para a Palavra de Deus. Foi o melhor que ela fez por mim.”
10 de maio de 2010
6 de maio de 2010
Buraco negro
Eu não gosto nada que o meu marido tenha apelidado a minha mala de “buraco negro” (no sentido de que absorve tudo). A meu ver as milhentas coisas que tenho na minha mala têm todas uma explicação lógica para lá estar e, enfim, eu oriento-me. Porém, desde que o meu marido encontrou, recentemente, dentro da dita mala, um telemóvel que eu havia perdido há meses, tendo inclusivamente já pedido uma 2ª via do cartão, que usava noutro aparelho (mais humilde), tive de corar de vergonha e render-me às evidências. A minha mala é mesmo um buraco negro.
Diálogos
Enquanto arrumava umas coisas na sala, o meu filho, sentado ao computador, fazia um jogo interactivo. No final do jogo, o computador pergunta-lhe:
-"Queres jogar mais uma vez?"
E, inesperadamente, ouço-o responder ao computador: -"Não, não, obrigado. Esse jogo é um bocado saturante."
(parti-me a rir)
-"Queres jogar mais uma vez?"
E, inesperadamente, ouço-o responder ao computador: -"Não, não, obrigado. Esse jogo é um bocado saturante."
(parti-me a rir)
Mimos de Pai
Já aqui tenho escrito que não acredito muito em coincidências. E, ontem, num dia tão difícil para mim, recebi uma notícia muito boa. Ao final da tarde, fui chamada para receber a minha avaliação de desempenho do ano passado. Tive uma nota muito boa, não esperava tanto. Foi muito motivador. Principalmente pela nota que tive em relacionamento interpessoal. Isso foi muito importante para mim, pois é nesse ponto que está o meu testemunho cristão. Foi uma alegria muito grande. Um miminho de Deus, para terminar o meu dia a sorrir.
5 de maio de 2010
Há dias mais fáceis, há dias mais difíceis. A quarta-feira é um dia especialmente difícil de viver longe de ti. O meu pensamento foge constantemente para aí. É difícil concentrar-me no meu trabalho. É difícil concentrar-me no que quer que seja. Queria estar agora contigo no IPO, enquanto fazes os tratamentos. Talvez não adiantasse de muito, pois provavelmente não me deixariam entrar e teria de ficar na sala de espera o dia todo. Mas estar aqui, com este mar imenso a separar-nos, é uma dor. Resta-me orar por ti. E logo, quando te telefonar, sei que vais atender com o teu “Olá” bem-disposto e confiante, e vais dizer-me que correu tudo bem e que não sentes nada de especial. Sinto muito o poder da oração no teu “Olá”, sabias? Está muita gente a interceder por ti. Vai correr tudo bem. Lembra-te que “tu com o Senhor és maioria absoluta”, como escreveste na dedicatória do meu livro de curso. Não estou aí, mas estou. Podes ter a certeza que estou. Um abraço gigante, mamã.
3 de maio de 2010
A nova sala

-“Mamã, quando é que vamos à igreja?”-“Quando é que queres ir?” – pergunto-lhe de volta, já a antever a resposta dele.
Resposta: “Agora!”
A razão deste desejo tão grande que o meu filho tem de ir à igreja tem a ver com a nova decoração da sala das crianças. Uma equipa formada pelos professores das crianças, alguns jovens e outros irmãos voluntários, uniu-se para redecorar a sala dos mais pequeninos. Com poucos recursos, mas com muita imaginação, pintaram a sala, os móveis, decoraram o candeeiro com bonequinhos, colocaram novas cortinas, tudo com muito gosto. As crianças da igreja estão felicíssimas com a sua sala. Não se tiram de lá.
Também eu estou muito feliz, em especial pela iniciativa deste grupo de irmãos, que voluntariamente deram do seu tempo para estar ali a trabalhar (chegaram a ficar até às onze da noite a pintar), apenas por amor a Deus e ao ministério com crianças.
Que o Senhor muito abençoe estes irmãos e estas crianças.
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