1 de fevereiro de 2011

Fome e sede (da Palavra)

Há uma irmã da nossa igreja que faz algo muito curioso. Quando algum irmão falta ao culto por estar doente, ela telefona para essa pessoa (normalmente, durante o período do louvor) e proporciona à pessoa a quem telefona a possibilidade de ouvir um pouco do culto. Já aconteceu comigo e soube-me muito bem. Por vezes, ela vai mais longe e telefona a amigas suas que não pertencem à igreja. Um dia, telefonou para uma senhora da ilha do Pico, enquanto na igreja cantávamos o hino "Ó quão cego eu andei". Essa senhora - e todas as pessoas que estavam em sua casa - ficaram encantadas com o que ouviram. Telefonou de volta, felicíssima, para agradecer aquele momento. No domingo seguinte, à mesma hora, aquela senhora esperou ansiosamente pelo telefonema da nossa irmã, desta vez já com algumas vizinhas a seu lado, a quem convidou para ouvir "uns hinos muito lindos". Desde então, aquela senhora recebe sempre um telefonema aos domingos e convida pessoas para o ouvirem consigo. Que o Senhor possa completar a Sua obra naquelas vidas, do outro lado do canal.

Meio-lugar

Terminado o período de cânticos, saí do piano e fui procurar um lugar para me sentar a ouvir a pregação. Fui andando pelo corredor central da igreja, andando, andando e, quando dei conta, estava junto à porta da entrada, de pé, sem ter encontrado nenhum lugar vago. Uma senhora, apercebendo-se da minha dificuldade, apertou-se e cedeu-me um meio-lugar. Foi ali, naquele meio-lugar, que ouvi - feliz - a pregação. Necessitamos, urgentemente, de "alargar tendas". Problemas bons.

27 de janeiro de 2011

Humor açoriano

Esta engraçada montagem é mais facilmente compreendida pelos que acompanham a RTP Açores e conhecem os protagonistas do filme. Porém, mesmo para os de fora, penso que tem muita piada.

20 de janeiro de 2011

A II Guerra Mundial

-“Mamã, hoje aprendi na escola o que é a 2ª Guerra Mundial.”
-“Ai sim? E então, conta-me lá…” – respondi-lhe curiosa.
Com um ar muito convicto, começa a explicar-me: “- A 2ª Guerra Mundial foi um provo que tinha um chefe que achava que a sua pele era melhor que as outras peles. Então, ele mandou matar todas as peles diferentes da sua. Morreram artistas, crianças e até pessoas! Foi muito mau, não foi, mamã?”
- “Sim, foi terrível…” – respondi-lhe com um ar preocupado, ao mesmo tempo que fazia força para não me desmanchar a rir.
E continuou, com um ar dramático: “- Agora, imagina o que era se pusessem uma “tablete” em frente à minha escola a dizer :“Aqui só entram meninos de pele branca!”. Se fizessem isso a S. já não podia ir à escola (nota: a S. é única menina “castanha” da sua escola, como ele costuma dizer)! Nem o F. que é de pele amarela!
E, pronto, foi isto a 2ª Guerra Mundial.
(lol)

13 de janeiro de 2011

Festa no Céu - comentário do Canadá

"Sempre que posso, leio o blogue da irmã Adriana, “Meus rapazainhes”. Há duas semanas li uma notícia com o título em epígrafe, e constatei que aquela história passou-se há oitenta e dois anos, a qual, se não tivesse acontecido, eu não estaria hoje aqui a comentar o episódio ali narrado.
É com muita emoção que o faço.
Meu pai era o mais velho de quatro irmãos e quatro irmãs, (oito no total), criado dentro duma família cegamente católica.
Dentro de oito dias faço 78 anos de vida.
O facto foi-me contado por meu pai, que precisamente quatro anos antes de eu nascer ele (meu pai) entrou numa Igreja Evangélica em Ponta Delgada por curiosidade, ou melhor dizendo, para se divertir. Sentou-se e escutou a palavra, e, nunca mais deixou a Igreja Evangélica, até ao dia da sua morte.
Eu e meus três irmãos somos todos crentes, tendo meu pai nos deixado a melhor herança nesta vida, a palavra de Deus.
Mas a história não acaba aqui.
Meu pai falou e refalou à mãe e à restante família, do Evangelho de Jesus, mas, como já disse acima, os restantes familiares eram cegamente católicos e continuaram cegos. O que quer dizer que até hoje os descendentes de meus tios e tias continuam entregues à idolatria, nunca aceitaram a palavra, e sempre nos trataram por “os protestantes”, nome que aceito com muito orgulho.
Agora, voltando à história do moço na ilha do Faial, Deus queira que daqui a alguns anos os filhos dele possam dizer, tal com eu, “Bendita a hora em que meu pai entrou na Igreja Evangélica”. Também peço a Deus que os pais daquele moço aceitem a palavra de Deus, para que também possam glorificar ao Senhor Jesus Cristo como Salvador das suas vidas.
Deus seja louvado.
Daniel Silva (micaelense, emigrado no Canadá)
(Muito obrigada pelo seu testemunho, querido irmão Daniel Silva)

7 de janeiro de 2011

Clausetas

Com a aproximação da chegada do Tomás, andamos a fazer uns ajustes à nossa casa, que foi mobilada para duas pessoas e que, em poucos anos, tornou-se num lar para cinco pessoas. Ora, estávamos nós numa loja de móveis, a ver um catálogo de roupeiros, quando uma senhora na casa dos 60 anos, talvez já 70, aproxima-se de nós e começa a meter conversa: “Os jovens é que sabem bem escolher móveis… mas estes móveis de hoje em dia são tão feios…”. Debruçando-se para perceber melhor o que viamos nós no catálogo, diz-nos assim: “Precisam de clausetas, é?” Por momentos, o meu marido e eu ficámos sem reacção a olhar para a senhora. Clausetas? Ao ver que estavamos com dificuldade em entendê-la, disse-nos assim: “Desculpem-me, mas tenho este jeito de falar de lá de fora!” Foi então que nos caiu a ficha: ela queria dizer “closet” – roupeiro. Mais uma açoriana que foi emigrante na América. Está explicado.

6 de janeiro de 2011

O meu bolo rei

E em Dia de Reis deixo-vos a receita daquele que passou o meu bolo preferido da época de festas, desde que vim viver para os Açores: o Bolo de Natal dos Açores. Ver receita aqui.

4 de janeiro de 2011

Um pequeno grande gesto

Esta história aconteceu no nosso primeiro ano de Açores. Por ocasião de uma visita do Pastor Heitor Gomes ao Faial, ficámos a saber que um familiar seu, um rapaz novo, residente na ilha, estava acamado, com um cancro em estado muito avançado. A partir daí, o meu marido começou a visitar regularmente esse rapaz. Ía sozinho, pois eu tinha de ficar com o nosso filho, recém-nascido. Sempre que o meu marido o visitava, lia-lhe uma história bíblica de alguém que, como ele, também padecia de algum sofrimento e que encontrou consolo em Jesus. Um dia, acompanhei o meu marido nessa visita. Nessa altura, aquele rapaz já não conseguia falar. Quando queria dar uma resposta afirmativa, levantava com dificuldade o dedo indicador para cima. Quando não concordava, apontava para baixo. E era tudo. Mais uma vez, o meu marido leu-lhe uma passagem bíblica. O rapaz parecia estar a escutar, mas já não fazia qualquer expressão. No final, o meu marido perguntou-lhe se aquelas palavras faziam sentido para si e se cria no Senhor Jesus como seu Senhor. De imediato, o rapaz apontou o dedo para cima, mantendo-o por instantes no ar, com um olhar emocionado. Nunca esquecerei aquele momento. Arrepiante. Orámos por ele e, por fim, despedimo-nos. Faleceu dali a poucos dias. Cremos que terá partido para o Senhor.

2 de janeiro de 2011

1ª bebé do ano dos Açores

A 1ª bebé do ano dos Açores é filha de um casal que frequenta a nossa igreja. Bem-vinda, Bruna!

29 de dezembro de 2010

Um sonho tornado realidade


De há algum tempo para cá, quando íamos buscar a nossa filha à escola, apercebemo-nos que ela queria sempre arrojar a mochila pelo chão, como se tivesse rodas. Apesar de lhe termos explicado que a mochila não tinha rodas e que estava a ficar preta por baixo, ela insistia connosco em como tinha rodas (pura imaginação) e lá continuava a arrojá-la. Neste Natal não tivemos dúvidas em relação à sua prenda de sonho. Dá gosto vê-la feliz com a sua mochila rolante.

O Amor Maior

Recordo-me como se fosse hoje. O meu filho era ainda um bebé de colo, bem pequenino. Fomos visitar um casal da nossa igreja e eu ía sentada no banco de trás do carro, com o meu filho. Quando chegámos a casa daquele casal, o meu marido abriu a porta de trás do carro e eu saí com o bebé ao colo, tapado com uma mantinha. Porém, ao tentar apoiar o meu pé direito no passeio, escorreguei e percebi claramente que ía cair no chão. Lembro-me de apertar o bebé contra o meu peito, cobrindo a sua cabeça e costas com os meus braços (tipo-concha) e concentrei todas as minhas forças nos meus dois joelhos, que bateram naquele passeio de cimento com uma força brutal, em seco, sem quaisquer reservas. Ali caída, de joelhos, com uma rigidez que não me conhecia, passei o bebé ao meu marido e, com dificuldade, lá me levantei para ver o estrago. Os meus joelhos metiam dó. Andaram roxos durante vários dias. Mas, recordo-me que nem me importei muito, o importante era o meu filho ter saído intacto daquele incidente. Naquele dia, percebi um pouco mais do que é amar alguém a ponto de nos entregarmos voluntariamente para sofrer no seu lugar. É muito profundo. É um amor que se satisfaz por si só, sem contrapartidas. Parecido (só parecido) com o perfeito amor de Deus por nós. Um amor irretribuível.

“Pode uma mulher esquecer-se de seu filho de peito, de maneira que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei.” Is.49:15-16

28 de dezembro de 2010

Presentes de Natal

À semelhança das gravidezes anteriores, por volta do 5º mês, tenho de ir a Lisboa fazer um exame que não se faz na Ilha, para despistar a existência de eventuais doenças cardíacas no bebé, que poderão ocorrer quando a mãe possui uma determinada limitação de saúde, como é o meu caso. Inicialmente, o Hospital marcou a nossa viagem (minha e do meu marido – acompanhante) para o dia 8 de Dezembro. Porém, dias antes da viagem, telefonaram-me a comunicar a alteração do exame para dia 21, por indisponibilidade da médica. Nós, que este ano íamos passar o Natal nos Açores por motivos de contenção, recebemos este presente do Céu e acabámos por conseguir passar o Natal com as nossas famílias. E, pela 3ª vez, recebemos a abençoada notícia de que “o coração do bebé é perfeito”. Uma profunda gratidão a Deus por estes dois presentes é tudo o que sentimos neste Natal.

Caixa de ofertas açoriana

"Natal da empregada" (foto tirada num café do Faial)

15 de dezembro de 2010

Tomás

Já tem nome o nosso terceiro filho. Tomás. 23 semanas de gestação, acompanhadas de muitos pontapés. Temos benfiquista.

Festa no Céu

Teve uma educação católica, cumprida com todos os rigores. Era um praticante activo. Por estes dias, foi pela primeira vez à igreja evangélica. Gostou demais, sentiu algo diferente. A pregação foi aquilo que mais lhe tocou. Partilhou a sua experiência em casa. Os pais, em especial a mãe, pediu-lhe por tudo que, enquanto vivesse na sua casa, não mudasse de religião. Mas a vontade de voltar à igreja evangélica permaneceu e acabou por falar mais alto. No domingo passado, levantou a sua mão no final do culto. "Quer receber o Senhor Jesus como seu Senhor e Salvador?" - perguntou-lhe o pastor. "Quero, sim senhor!"-respondeu com firmeza. Soubemos depois que, nessa noite, nem conseguia dormir, tal era a alegria que sentia dentro de si. Deus seja louvado! E que essa alegria possa acompanhar este rapaz por toda a sua vida.

14 de dezembro de 2010

Pastor no forno

Certa vez, li num pequeno livro de devocionais que, certos crentes, ao domingo, gostam de almoçar “Pastor no forno” (penso que a tradução é mais ou menos esta). Quer isto dizer, o assunto do almoço de domingo é o Pastor e as gafes que possa ter dito na sua pregação matinal, ou o fato démodé que trazia vestido, com uma gravata que não passa pela cabeça de ninguém, os sapatos mal engraxados, ou até o facto de ter cumprimentado certa pessoa e não ter dado grande importância a uma outra pessoa, tudo coisas absolutamente erradas e condenáveis. Um péssimo pastor, resumindo. É triste, mas acontece. Eu própria já cheguei a estar em almoços em que se serviu este prato.
Já aqui tenho partilhado que, nos Açores, sentimo-nos muito acarinhados pelas pessoas. Não digo que sejamos perfeitos e que as opiniões sejam unânimes a nosso respeito. Nem Jesus teve essa unanimidade, como se costuma dizer. Mas, podemos dizer abertamente que o trato, o respeito e amor que recebemos deste povo é algo de muito singular, raro e precioso. Chegamos a ficar emocionados perante as constantes e inexcedíveis manifestações de carinho, amizade e cuidado, ao longo destes quase 6 anos.
Nestas últimas duas semanas, a nossa filha esteve bastante doente. Não se conseguia descobrir o que tinha, pensava-se numa virose, tendo chegado a estar a soro no hospital. Finalmente, as análises relevaram uma intoxicação alimentar, que hoje se encontra ultrapassada. Ora, certa noite, estavamos nós, mais uma vez, no hospital, com a menina sem melhoras, a aguardar que chegasse a pediatra, quando vimos uma irmã da nossa igreja a sair das urgências, coxeando, com uma receita na mão. Tinha um pé muito inchado e negro. Conversámos um pouco e despedimo-nos dela, desejando-lhe melhoras. Pois, dali a um bocado, o marido daquela senhora, voltou ao nosso encontro, com um saco. Dentro daquele saco havia um termo com leite com chocolate, sandes de pão de leite com doce de figo caseiro, um outro termo com chá e uma papa de arroz para a minha filha. Ora, aquela irmã, com a ajuda do marido, vendo que a hora de jantar já havia passado e que estávamos ali sem comer, preparou-nos um farnel, mesmo estando também ela doente. Ficámos sem palavras. Que o Senhor possa retribuir em dobro a estas pessoas todo o amor que nos têm dado. E, graças a Deus, que não apreciam “Pastor no forno”.

10 de dezembro de 2010

Ao vivo

O entusiasmo da sua 1ª actuação ao vivo, ontem, na Praça da República, cantando músicas de Natal, com os colegas.

8 de dezembro de 2010

Perante o Senhor

Desde miúda, sempre me intrigou aquela passagem bíblica, no II Livro de Samuel, que descreve a forma como o Rei David dançou, quando levava a Arca do Senhor. A Bíblia conta que David dançou para o Senhor com todas as suas forças, pouco se importando com quem pudesse estar a olhar, saltando, cheio de júbilo. Foi a tal ponto que a sua mulher, Mical, que o observava da janela, sentiu vergonha pela figura que o marido estava a fazer e desprezou-o. Mais tarde, ela repreendeu-o mesmo, com severidade. Mas David respondeu-lhe que foi "perante o Senhor" que ele se alegrou. E está tudo dito.
Quando, em 1995, vi um dvd do concerto "Sing Out", de Ron Kenoly, e, a dada altura, vi o seu baixista, Abraham Laboriel, do alto dos seus muitos e muitos quilos, começar, inesperadamente, a fazer um solo, saltando e rodopiando na presença do Senhor (algo que nunca tinha visto até então), lembrei-me de imediato daquela passagem do Rei David. Talvez algumas pessoas possam olhar para Abraham Laboriel e ter a atitude de Mical. Eu, porém, achei delicioso. Ainda hoje me arrepia ver este vídeo (ver aqui).
Há dias perguntei à minha classe de adolescentes se conheciam este filme, mas a resposta que obtive foi do estilo: "Eu nasci nesse ano!" (lol). Então, em especial para eles, mas também para os que aqui passarem, deixo-vos esta recordação do ano de 95.

5 de dezembro de 2010

Depois de ver os desenhos animados do Ruca...

-"Mamã, sabes o que é uma pintura ovestrática?" (abstracta)
-"É uma pintura em que se pode fazer todas as formas que quisermos!"
(lol)

Saber esperar

Neste Natal, um dos brinquedos que o meu filho tem pedido é a "Casa dos Pin & Pon". Acho graça a este pedido, pois, nos finais dos anos 80, também eu sonhei com a "Casa dos Pin & Pon" como prenda de Natal. Era uma casa bem diferente da que agora é anunciada na TV (a meu ver, a antiga era muito mais bonita). E esta história da casa dos Pin & Pon fez-me lembrar de uma lição que eu aprendi nesse Natal e que não esqueço até hoje. Durante semanas, andei a "namorar" a casa dos Pin & Pon, exposta na montra de uma loja de brinquedos, no centro comercial onde a minha mãe também tinha uma loja. Era a casa que está na imagem acima. Linda de morrer. Carérrima. Certo dia, já nas vésperas da noite de Natal, passei com a minha mãe em frente à loja de brinquedos e puxei o braço da minha mãe para lhe mostrar a prenda que eu queria, porém, para meu espanto (e profundo desgosto), a casa já não estava na montra. No seu lugar estava agora a "Quinta dos Pin & Pon". Fiquei desolada... A "Quinta" também era gira, mas não era a "Casa"! Porém, sem dar parte fraca, e tentando remediar a coisa, disse à minha mãe que afinal queria a Quinta. "Mas tu não querias a Casa dos Pin & Pon?" - lembro-me tão bem desta pergunta da minha mãe. Disse-lhe que não, que também gostava muito da Quinta, que até gostava mais (eu não queria era ficar sem prenda) e que não ía ter pena nenhuma de não ter a Casa. Pois bem, na noite de Natal, quando abri a prenda da minha mãe, e vi que ela me tinha comprado a Casa Grande dos Pin & Pon (daí já não estar na montra), fiquei feliz e envergonhada... A minha mãe sabia bem qual a prenda que eu mais queria e satisfez o meu desejo. E eu, na minha precipitação, podia ter perdido a oportunidade de receber a minha prenda de sonho, por ter dito que preferia a Quinta. Que tola que fui... É curioso que nunca mais me esqueci desta história. E, ultimamente, tenho pensado bastante nela. Uma grande lição.