12 de outubro de 2012

Sinceridade

Enquanto comia cereais, apercebi-me que a minha filha me observava em silêncio. Continuei a comer. Entretanto, ela pega na caixa dos cereais e começa a ver as imagens que lá vêm (eu estava a comer cereais "Fitness"). Dali a pouco, sai-se com esta: "Mamã, tu comes cereais para meninas gordas?"
(lol)

1 ano

Faz hoje um ano que recebi aquele telefonema que nenhuma mãe e nenhum pai quer receber. Estava no trabalho, a meio da tarde, quando me telefonaram  a dizer que o meu filho tinha caído do escorrega da escola e que, muito provavelmente, tinha um braço partido. Nunca estamos preparados para uma notícia destas. Quando o meu marido chegou à escola, o nosso filho ainda estava a ser levado pelos bombeiros para a ambulância. Recordo que nunca andei tão depressa na minha vida. Naquele dia, o som da ambulância que soou nas ruas da ilha foi por causa do meu filho. Um cotovelo fraturado, na zona de crescimento, com necessidade de intervenção cirúrgica e cololocação de ferros. Os meses que se seguiram foram bastante difíceis. Muitas noites sem dormir, cuidando do nosso menino, que sofria com dores. Dois meses depois, foi novamente operado para tirar os ferros. Depois, a recuperação dos movimentos e da autoconfiança. Enfim, hoje tudo isto já é parte do passado e damos muitas graças a Deus porque esta história teve um final feliz. O nosso filho está ótimo, recuperou a 100% e de todo aquele episódio gosta apenas de recordar a sua entusiasmante experiência a bordo de uma ambulância: "Foi espetacular!". Foi há 1 ano.

11 de outubro de 2012

Recordação

Por estes dias, uma irmã da igreja oferecereu-me diversas fotografias dos nossos primeiros tempos de Açores. São fotos que remontam a 2005 e 2006 (quando ainda se revelavam fotografias). Foi maravilhoso recordar aqueles primeiros tempos... vivemos momentos lindos neste lugar. Muito fresquinhos, acabados de chegar do Continente, pouco depois nascia o nosso primeiro filho. As caras da congregação, tão diferentes das que hoje a constituem. Os Açores são mesmo uma terra de chegadas e de partidas. E houve uma foto que me fez rir muito, pois gostava de ter ficado com um registo daquele momento e agora já o tenho: a matança do porco! O meu marido e eu, que poucos meses antes tínhamos uma vida absolutamente urbana, na imediações do IC19, vimo-nos, de repente, numa matança do porco, com todos os rigores da tradição. Inesquecível! E quando chamaram o meu marido para ajudar... muito engraçado! Fica aqui a partilha de um dos momentos mais giros da nossa "açorianização".

8 de outubro de 2012

Romanos 8

Pouco tempo depois da minha mãe ter partido para o Céu, o meu pai encontrou na rua um irmão que pertence a uma igreja evangélica. A partida da minha mãe tocou muito as pessoas da terra, pois era uma pessoa muito conhecida, muito estimada e ainda era uma pessoa nova para partir. Nos primeiros dias, quando o meu pai saía à rua era muito abordado, todos queriam dar-lhe uma palavra de conforto. Nesse dia, também aquele irmão conversou um pouco com o meu pai, dando-lhe palavras de alento e, já no final da conversa, disse-lhe assim: “Leia Romanos 8!”. Chegado a casa, o meu pai, lembrando-se do conselho daquele irmão, pegou na Bíblia da minha mãe e começou a folheá-la. A minha mãe, nos seus últimos tempos, tinha andado a ler a Bíblia de ponta a ponta e, conforme ía lendo, sublinhava as partes que mais lhe tocavam com um lápis cor de laranja. Conforme o meu pai ía folheando a Bíblia, aparecia o sublinhado laranja aqui e ali. Passou o Velho Testamento e chegou ao Novo Testamento. O sublinhado continuava sempre. Até que, curiosamente, há um momento em que o sublinhado deixa de aparecer - foi na altura em que a minha mãe deixou de ter forças para continuar a ler. E -  vejam como Deus faz as coisas - o sublinhado termina no livro de Romanos, precisamente no capítulo 8! O meu pai ficou muito tocado com esta “coincidência”, assim como eu e toda a família. Deus, através daquele irmão, mostrou-nos, mais uma vez, como a minha mãe partiu em paz, feliz com Jesus. As últimas palavras lidas pela minha mãe foram estas: “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.”

Nadine

Na 5ªf passada, as escolas do grupo central ficaram fechadas. A previsão de uma 2ª investida da tempestade Nadine - desta vez, ainda com mais intensidade - deixou os açorianos de pé atrás. A imagem de satélite era assustadora: viam-se as ilhas, bem minúsculas, e, a aproximar-se, uma massa branca grossa, densa, imensa. Mas, pela graça de Deus, o dia de 5ª feira não passou de um dia cinzento escuro, com vento e alguma chuva. Tudo tranquilo.
(Obrigada a todos os que oraram pelos Açores)
http://www.youtube.com/watch?v=PD5jh5jEfTg

4 de outubro de 2012

Migrantes

Neste início de ano letivo, encontrei um texto muito interessante, do escritor Alexandre Borges, natural da Terceira, e vou partilhar um pequeno techo convosco. Fica a homenagem aos mais jovens "emigrantes" do nosso país - os estudantes universitários açorianos. Curioso.
"Fizemos a nossa emigração no dia que saímos de casa para estudar. Bem podem dizer que é o mesmo país - claro que é - mas quem troca a Terra Chã ou a Vila Franca do Campo por Lisboa faz uma viagem bem maior do que quem troca uma capital europeia por outra, onde encontrará os mesmos códigos urbanos, os mesmos placards publicitários, as mesmas lojas e restaurantes e bancos, as mesmas promessas. O miúdo açoriano que parte para a faculdade troca de mundo, troca o ritmo de vida, troca a própria respiração das coisas. Para onde quer que olhe, nada lhe é familiar. Se olhar para trás, não verá nenhuma placa apontando o caminho de volta. Nem o mar.
Nada de ressentimentos. Num tempo que decidiu que, aos 40 anos, ainda se é jovem, os ilhéus são forçados a crescer mais depressa. É preciso agradecê-lo. Não se vai ao fim-de-semana a casa. Não há comida da mãe no congelador. Um tipo faz-se homem. Uma miúda faz-se mulher. Tratamos de nós."
("A epifania do regresso", de Alexandre Borges, in Azorean Spirit - Sata Magazine)

O segredo


Muito por influência da minha irmã, comecei a gostar deste género musical desde cedo. Encontrei há dias esta versão do "In the upper room" e fiquei deliciada. A alegria deles arrepia-me. E este tema tem tudo a ver com o momento que vivo, pois ultimamente tenho compreendido, da parte do Senhor, que o "upper room" é mesmo o segredo de uma  vida cristã plena.

21 de setembro de 2012

7

O nosso mais velho faz hoje sete anos. Por esta altura, em 2005, estava eu e o meu marido embevecidos a olhar para este maravilhoso ser, com pouco mais de uma hora de vida, com 50cm e 3.395kg, vestido com um fatinho azul, oferecido pela avó São, e um casaquinho de malha minúsculo azul, feito pelas mãos da avó Celeste. Tínhamos chegado aos Açores há cerca de 7 meses e meio. Hoje, calça o 33, tem um dente a abanar e diz que nasceu para ser guarda-redes. É o cabecilha dos 3 irmãos, quem dá as coordenadas. É também o seu maior defensor: “Não ralhas com a minha maninha!” Tem um sentido de humor genial desde pequenino e não o tem perdido com a idade. Decorou a letra da música do Carteiro (cantada pelo irmão João do acampamento – ver aqui), depois de a ter ouvido apenas duas vezes. É fã do irmão João. Meigo, muito meigo. Emociona-se (coisa linda num homem). Cómico por demais. Faz amizades com a maior das facilidades. Mete-se com as pessoas, é um simpático. Já viu os filmes do Alvin 500 vezes, mas chora sempre a rir com os diálogos, como se os estivesse a ver pela 1ª vez. Bem-disposto. É sensível à Palavra de Deus, aos louvores. Convidou o seu melhor amigo da turma para ir à igreja e este está a ir sempre aos cultos, mesmo sem os pais. Este ano, quer um bolo do Ratatui e uns ténis com rodas. E vai ter. É o nosso mais velho. Crescendo no Senhor. Tem um dia muito feliz, filho amado.

Nadine



Em quase 8 anos de Açores, nunca tinha visto nada assim. Pela 1ª vez , esta noite enviei uma mensagem para a família a pedir oração. A tempestade tropical Nadine está a passar pelos Açores, em especial no grupo central. A noite foi muito mal dormida. O som forte do vento e da chuva, e a pressão que fazia sobre as casas, não nos deixou descansar. A dada altura, apercebemo-nos que o vento nos arrancou literalmente uma janela que temos no telhado (janela de sótão). Ficámos com um buraco enorme no teto, com o vento e a chuva a entrar por ali dentro. Não sabemos para onde foi a janela … Hoje de manhã, pensámos que as pessoas não íam sair de casa, pois a tempestade continua muito forte. Mas enganámo-nos. Os açorianos estão a fazer a sua vida normal e está tudo a funcionar. Há estradas cortadas, árvores caídas, plantações destruídas, mas nada que impressione os açorianos por aí além. Que povo interessante e corajoso! Hoje não há aviões. As previsões apontam para as 17h como a tão esperada hora de acalmia. Que assim seja.

17 de setembro de 2012

Ar condicionado

O clima dos Açores é bastante húmido e, muitas vezes, a humidade chega aos 80%, 90% e mesmo aos 100%. Numa igreja com um salão pequeno e cheio de pessoas o ar torna-se quase irrespirável e o calor é insuportável. Pela bondade de Deus, algumas igrejas irmãs do Continente, através da Convenção Baptista Portuguesa, fizeram-nos chegar uma oferta para adquirirmos um aparelho de ar condicionado. No nosso contexto, este aparelho não é um luxo, mas uma necessidade grande. No domingo passado, estreámos o novo ar condicionado (que também funciona como desumidificador). Que maravilha... Não se viram mais leques a abanar, nem irmãos de pé, junto à porta da rua, para apanhar ar fresco. Todos estavam bem-dispostos sob uma temperatura agradável. Melhorámos em muito as condições no culto. Deus é tão bom! Muito obrigada aos queridos irmãos do Continente que nos abençoaram! Que Deus vos retribua com a Sua generosa medida.

12 de setembro de 2012

35

Na minha vida, tive a feliz coincidência de ter nascido no mesmo dia que a minha mãe. Ela dizia que fui a sua prenda de anos (dos 26 anos). Neste dia, lá em casa, o bolo era sempre só um, com velas para as duas. Só deixei de celebrar este dia em conjunto nos últimos 8 anos, por estar nos Açores. É impossível não recordar a minha mãe neste dia. Será sempre o 'nosso' dia. Porém, a partir deste ano, sou só eu que passo a ficar mais velha :) Velha e grata a Deus por cada dia de vida que me tem dado. Dias cheios das suas bençãos, de lutas também, mas cheios de coisas lindas de recordar. E, confesso, é muito bom ganhar anos de vida e crescer com tudo o que eles nos trazem. Obrigada, meu Deus, pela vida que me tens dado.
(Foto de 2004: fazíamos 27 e 53 anos. 4 meses e meio depois, vim para os Açores )

11 de setembro de 2012

Acampamento de crianças e Festa no Céu

Na semana passada, a Igreja Baptista da Horta organizou um acampamento para crianças e adolescentes, em colaboração com a APEC, com a irmã missionária Clara Barcelos.  Participaram 28 crianças, algumas delas nunca tinham entrado na igreja. O acampamento teve um cariz evangelístico muito forte, sob o tema "O Livro Incomparável". O acampamento foi uma bênção, tendo havido duas conversões: um menino e uma adolescente. Durante uma semana, estas crianças foram à praia, às piscinas, andaram de mota de água, fizeram jogos, trabalhos manuais, concursos, mas, acima, de tudo, e vejo isto pelos meus filhos, aprenderam muito da Bíblia. Decoraram versículos, entoam cânticos, sabem todos os livros do Novo Testamento de cor, dá gosto ver. A equipa de cerca  de 10 irmãos que serviram neste acampamento (cozinhando, limpando, cuidando e aconselhando as crianças) foi maravilhosa. Também eles foram muito abençoados durante esta semana. No domingo, o culto foi dirigido pela irmã Clara e as crianças puderam participar cantando. Foi muito inspirador. Que todos estes meninos e meninas possam crescer sempre no temor do Senhor.
(Agradecemos muito a todos os que oraram por este acampamento)

5 de setembro de 2012

De braços abertos


Esta música é o novo tema da TAP e costuma passar nos ecrãs do avião enquanto viajamos. Nestas férias, pela primeira vez, não cheguei de "braços abertos" porque a pessoa que mais 'sofria' de saudades (a minha mãe) já não estava à minha espera. Mas a alegria e a leveza desta música faz-me sorrir ao pensar no dia em que chegar ao Céu, de braços abertos, e a reencontrar. Vai ser um grande abraço!
(saudades da minha mãe)

4 de setembro de 2012

Dia do pastor e Festa no Céu

No domingo passado, a Igreja da Horta comemorou o Dia do Pastor. Apesar do pastor ser uma pessoa discreta e de não gostar de muito destaque, a igreja da Horta – que é sempre tão querida e extremosa nas demostrações de amor pelo pastor e família ao longo do ano – faz sempre gosto em assinalar esta data e de uma forma especial. Este ano prepararam uma surpresa para o pastor que o deixou sem palavras. Convidaram (sem o pastor saber) o Pastor Jónatas Lopes e a esposa para virem ao Faial. A igreja unida conseguiu trazer este casal do continente (que não conhecia o Faial), pois conheciam a amizade que une estes dois pastores e quiseram fazer esta surpresa. O culto foi maravilhoso, marcado por uma conversão a Cristo de uma jovem que reside na Ilha do Pico, seguido de um almoço-convívio. Esta é uma igreja muito querida para o seu pastor.  Um dia inesquecível, que guardaremos para sempre no coração.

Acampamentos de Jovens 2012

Este ano aconteceu uma coisa curiosa nos acampamentos de jovens batistas. A equipa de pastores que esteve no acampamento dos Açores, na Ilha Terceira, foi a mesma que esteve no acampamento do continente. Rui Sabino e Jónatas Lopes. Nos Açores, este foi o 3º ano consecutivo que estes dois pastores ministram para os jovens. Quer aqui, quer no continente, os acampamentos foram muito abençoados, muito ‘incisivos’ na vida destes jovens, com diversas decisões por Cristo e pelo ministério. Tive a bênção de poder ter estado com o meu marido e os nossos filhos no acampamento do continente (já não ía a um acampamento em Água de Madeiros há mais de 10 anos) e fiquei muito tocada pela geração de jovens que ali encontrei (mais de 100 jovens - foto), uma geração lindíssima, que procura conhecer mais o Senhor, que quer ser aconselhada, quer mudar/melhorar, um potencial enorme. Fui muito abençoada por tudo o que ouvi naqueles dias, muito marcante. Que Deus abençoe muito esta nova geração de jovens e que do seu meio possam sair líderes consagrados que elevem o Nome de Jesus quer no continente, quer na ilhas - é a minha oração.

3 de setembro de 2012

Sinaleira

Sentada ao colo da Filipa, uma querida amiga nossa, a minha filha (sempre muito observadora) sai-se com esta: “Tens muitos sinais na cara.”
Resposta da Filipa, em tom de brincadeira: “Pois tenho, sou uma sinaleira.”
Intrigada, pergunta: “O que é uma sinaleira?”
Filipa: “É uma pessoa que tem muitos sinais.”
Resposta: “Eu não tenho muitos sinais…”- pausa - “Como é que se chama uma pessoa que não tem muitos sinais?"
Filipa:"Não sei..."
A minha filha fica a pensar e depois conclui: "Acho que eu sou só polícia.”

:)

Estavamos nós a apreciar uma fonte de água, que existe na terra do meu marido, que tem uns peixes enormes lá a nadar, quando o meu filho mais velho me perguntou o que é que estava escrito na parede da fonte. Respondi-lhe que dizia “1863” e que, provavelmente, era o ano em que a fonte foi construída. Resposta dele: “Ah!! Então é por isso que os peixes são tão grandes!”

Mães - continuação

Ainda sobre mães que oram, tenho esta memória: quando era pequena, gostava muito de ficar na casa da minha avó materna. Fazíamos coisas diferentes, como passar tardes a descascar ervilhas, favas, a cortar feijão verde aos pedacinhos. Ouvia as suas curiosas histórias e anedotas (ela tinha muita graça), enquanto comia uma filhós aquecida ou uma grossa fatia de pão caseiro com becel (ela não podia comer manteiga). Apreciava a forma como fazia o carrapito, rodeado de ganchos e um toque de laca. Gostava de calçar as suas pantufas de cunha alta. Passou-me bons princípios, puxou-me sempre para a igreja. Era uma matriarca, uma mulher inteligente.  Tenho muitas saudades da minha avó e de ouvir o seu tom de voz grave. Mas uma das recordações mais fortes que guardo comigo é a forma como orava a Deus.
À noite, sentadas na cama, enquanto conversava comigo, de repente, e sem avisar (achava muita graça a isto), levantava a voz e dizia "Ó Senhor..." - e eu percebia que ela já não estava a falar comigo. Era sempre assim. Nunca dava aviso. E enquanto orava fervorosamente (a minha avó era pentecostal), havia sempre uma parte em que o seu tom de voz se alterava para um tom mais emocionado. Era quando orava pelo filho. Pedia sempre para ele voltar para Deus. E isto ficou-me registado. A minha avó já está com Cristo há vários anos, mas nunca me esqueci deste bom exemplo: ser uma mãe que ora. Foi das coisas mais importantes que me passou.

31 de agosto de 2012

Mães

Certa vez, o meu marido contou uma história, na pregação de domingo, que me marcou imenso. Foi sobre a despedida entre do missionário Hudson Taylor e  sua mãe, antes de embarcar para a China, seu campo missionário. Eram outros tempos, a viagem demorava 6 meses, num barco. Ele tinha pedido à mãe para não ir ao cais, mas ela foi. Entrou no camarote onde o filho ía ficar, endireitou-lhe os cobertores da cama (achei esta parte deliciosa), cantaram um hino e a mãe fez uma última oração com ele, de joelhos. Despediram-se sem esperança de um dia se reencontrarem outra vez. Quando o barco partiu, e à medida que ía desaparecendo no horizonte, a mãe deu um grito de angústia tão cheio de emoção que o filho ouviu-o no barco. Taylor compreendeu naquele grito de dor o significado do profundo amor de Deus pelos homens, ao dar o Seu único Filho.
Ao ouvir esta história, lembro-me de ter pensado da “sorte” que eu tinha, pois apesar de estar longe da minha mãe, podia reencontrá-la nas férias e podíamos conversar diariamente pelo telefone. Mas, nunca pensei que, tal como aconteceu com Taylor, ela partisse para Cristo enquanto eu estivesse no campo missionário.
Ao recordar este episódio, fui procurar a biografia de Hudson Taylor, para conhecer melhor a sua história. E… é incrível, descobri algo maravilhoso sobre os seus pais, que me tocou mais profundamente do que aquela história da despedida no cais. Diz a história que: “Tiago Taylor, o pai de Hudson, não somente orava fervorosamente pelos seus cinco filhos, mas ensinou-os a pedirem detalhadamente a Deus todas as coisas. Ajoelhados, diariamente, ao lado da cama, o pai colocava o braço ao redor de cada um enquanto orava insistentemente por eles. A porta fechada do quarto da sua mãe, diariamente ao meio-dia, apesar das suas constantes e inumeráveis obrigações, tinha também grande influência sobre todos, pois sabiam que ela, assim, se prostrava perante Deus para renovar suas forças e para que o próximo se sentisse atraído pelo Amigo invisível que habitava nela.”
Que pais incríveis! Não há exemplo mais tocante para os filhos do que este: pais consagrados. Fui procurar um episódio 'triste' da história de Taylor e Deus falou ao meu coração com esta outra parte tão maravilhosa da história! Que Deus me ajude a ser uma mãe como esta, para que os meus filhos possam viver sempre no temor do Senhor e para Sua glória.