22 de novembro de 2012

Mais perto de Ti

Uma das coisas que me ensinaram assim que comecei a nadar no mar foi que a rebentação era o pior sítio para tomar banho. Se eu entrasse pelo mar dentro e nadasse lá mais longe, onde as ondas são altas (mas não rebentam), aí sim, tudo era mais calmo. Outra coisa que aprendi nas viagens de avião foi que a melhor parte da viagem é quando estamos lá no lugar mais alto, velocidade de cruzeiro, com as nuvens muito abaixo de nós. Por vezes, a descolagem pode até ter sido atribulada, com ventos e mau tempo, mas quando chegamos àquele lugar alto, o avião fica tão sereno que, por vezes, até parece estar parado. Há um cântico que diz “O Senhor é a minha força, Ele faz-me andar em lugares altos (…) acima dos problemas, acima das tribulações, acima do pecado, acima das tentações, acima das minhas dores, acima das perseguições, acima deste mundo, acima das desilusões”. Quando canto estas palavras, lembro-me daquela imagem do avião a deslizar no céu azul… e as nuvens, o mau tempo, lá bem em baixo, bem longe. Esta força que temos em Cristo é das coisas mais preciosas que os crentes podem ter. Como enfrentar as dores desta vida sem um avião que nos leve para lugares altos? Deve ser um desespero. Tenho viajado muito nestes últimos tempos. Acima da saudade, acima da tristeza, acima das recordações. E a paz com que Jesus enche o meu coração é mesmo perfeita. E o bom ânimo que sinto é mesmo sobrenatural. O meu desejo é andar cada vez mais nestes lugares altos. Mais perto de Deus.

16 de novembro de 2012

Os maridos das princesas

Diz-se que "Quem não tem cão caça com gato". Pois, à falta de príncipes, as princesas da minha filha não ficaram solteiras. Os maridos foram arranjados de entre os brinquedos do irmão.
(lol)

:)

Deitados, cada um na sua caminha, luzes apagadas, a minha filha diz, baixinho, para o irmão: “Miguel… Miguel…” (silêncio) “Miguel, estás a dormir? (silêncio) “Miguel…” (silêncio) “Miguel, estás a fazer oração?” (silêncio) Até que, finalmente, o Miguel responde, baixinho: “O que foi?” e ela pergunta novamente: “Estavas a fazer oração?” E ele responde “Estava.”
(Do lado de fora do quarto, ouvi esta conversa e o meu coração ficou consolado!)

A 1ª janelinha

Caiu o 1º dente do nosso filho mais velho. E já vem outro a caminho.
Está felicíssimo!

13 de novembro de 2012

Professores

-"Sabes, mamã, os professores são pessoas muito inteligentes!" - diz-me com um ar de deslumbre pelo tema.
-"Ai sim? Então porquê?" - pergunto eu, a ver se percebo onde é que ele quer chegar com aquela afirmação.
-"É que os professores  é que ensinam as coisas todas aos meninos, para que quando eles forem meninos grandes não sejam uns cabeças ocas."
Tentando segurar o riso, pergunto-lhe: -"E tu, gostavas de ser professor, um dia?"
Resposta: "Eu?" - muito indignado com a pergunta - "Eu não! Eu não sou assim tão inteligente! Eu... só sou bom a fazer contas."
(querido)

Garganta

Por estes dias, os nossos filhos foram ao circo. Tendo perguntado à minha filha qual o animal que mais gostou de ver, ouvi esta estranha resposta: "Foi aquele que tem uma garganta nas costas"! Depois de um bocado a conversar com ela é que lá consgui perceber que a "garganta" é a bossa do camelo, que ela comparou à "maçã de Adão" dos pescoços masculinos.
(lol)

9 de novembro de 2012

Tempos de confusão

Como vem sendo habitual nesta altura do ano, os meus filhos trazem da escola umas bolsas, feitas por eles, para colocar os doces do “Pão por Deus”. A bolsa que o meu filho trouxe é uma abóbora do Halloween; a da minha filha diz “Pão por Deus” e por baixo tem um fantasma.
Também por estes dias, vi afixado um cartaz anunciando um “Jantar do Halloween”. O preço era de 12,50 “bruxinhas” (leia-se euros) por adulto e 7,00 “bruxinhas” por criança. Agora: o jantar foi organizado pela comissão de angariação de fundos para a construção da nova igreja católica de uma das freguesias da ilha.
Como dizem os açorianos: Está tudo "caldeado"...

Noiva

Todas as 2ªf, as mulheres da igreja têm uma reunião de oração. Esta semana, enquanto orávamos de mãos dadas, uma irmã dizia que nós, Igreja, somos a noiva de Cristo e que o Senhor está a preparar a Sua noiva para se encontrar com ela. Eu sei que assim é, não é uma novidade para mim, mas, não sei porquê, desta vez estas palavras tocaram-me tanto que não me saem do pensamento. Nós sabemos tantas coisas, mas por vezes vivemos os nossos dias sem o foco no dia da boda. E não pode ser… A preparação de um casamento requer tanto trabalho, tanta entrega, tantos pormenores. Quando fiquei noiva, senti-me muito honrada. Ía casar com o rapaz mais lindo que conheci. Quando fiquei noiva, gostava de ostentar, discretamente, o meu anel de brilhantes e de confirmar, com vaidade, a quem me perguntava, que sim, que era o meu anel de noivado. Quando fiquei noiva, escolhi um vestido branco, de manga comprida (fui uma noiva de inverno assumida), liso, mas distinto, com uma mantilha rendilhada sobre a cabeça. Experimentei-o várias vezes, fazendo ajustes, para estar tudo perfeito no dia do casamento. Quando fui noiva, passei uma manhã inteirinha na cabeleireira a fazer e a desfazer penteados, para no final decidir que, afinal, ía levar o cabelo caído. Quando fui noiva, tinha cuidado com o que comia para não engordar muito. Tinha cuidado com tudo, pois queria estar perfeita para o meu noivo. Quando fui noiva, preparei com o meu noivo a casa onde íamos viver. Cada móvel, cada objeto de decoração tinha uma história própria. Na nossa inocência, escolhemos tudo em tons claros. Não sabíamos que, um dia, íamos ter três filhos. Enquanto fui noiva, fui-me desapegando da vida de solteira e passei, cada vez mais, a pensar a vida em conjunto com o meu noivo. A família dele passou também a ser a minha família. Quando fui noiva, sentia um nervoso miudinho ao pensar no dia do casamento. O meu noivo era o amor da minha vida. Eu ía ser dele e ele ía ser meu. Enquanto noiva, já tinha ganho algumas das expressões e hábitos do meu noivo, fruto da convivência. As coisas já eram pensadas a dois e os dois começávamos a ser um só. Enquanto noiva, cresci na minha fé, que é uma das coisas mais preciosas que o meu noivo me ajudava (e ajuda) a fazer. Era feliz e sabia que dias ainda mais felizes me esperavam. É tão bom ser noiva! Que o Senhor nos ajude a manter esta atitude de zelo, compromisso, amor e gozo no nosso relacionamento com Cristo.

8 de novembro de 2012

Girl Power


À semelhança do que aconteceu no Continente, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores tem, desde 2ª feira passada, e pela 1ª vez, uma mulher como Presidente: Ana Luís, natural do Faial, economista, de 36 anos. Fez-se História.

7 de novembro de 2012

Tia Etelvina

Hoje o telefone tocou bem cedo. Não gosto quando o telefone toca tão cedo, pois, se não for alguém do continente que se esqueceu da diferença horária, é porque são más notícias. Foi o caso de hoje. Pouco depois do meu marido atender o telefone, ouvi-o suspirar. Foi a minha tia Etelvina que partiu para Jesus, subitamente, ainda na casa dos 60. A minha tia que me visitou e consolou ainda há menos de 5 meses, aquando da partida da minha mãe (sua boa amiga). Mais uma perda vivida com um oceano a separar-nos. Era uma tia tão querida… Gostava de poder abraçar o meu tio e primos. Consola-nos sabê-la com Jesus, pois era crente fiel no Senhor. Até um dia, querida tia!

6 de novembro de 2012

Papá

Um dos elogios que mais gosto de receber (apesar de quem o diz não saber que é um elogio) é que sou parecida com o meu pai (apesar de quem o diz não saber que, na verdade, é meu padrasto). Acho que é porque somos os dois “caixas-de-óculos” e com um ar calmo. No entanto, o meu pai está a uns níveis largos acima de mim. É das pessoas mais bonitas que conheço, um coração muito bom. Para além do meu pai de sangue, que também amo muito, ganhei este pai aos 5 anos de idade e foi das melhores coisas que Deus me deu na vida. Recordo-me de andar ao seu colo e de lhe perguntar quantos anos tinha, ouvindo como resposta: "28". Lembro-me de achar que 28 já era idade de alguém muito velho. Por estes dias fez 58 anos. Tenho muita gratidão por tudo o que me tem ensinado na vida, por vezes mesmo sem falar, só com a sua atitude. Guardarei sempre a lembrança da forma extremosa como cuidou da minha mãe, até ao dia em que partiu para Jesus. Parabéns, papá. És um exemplo e és muito precioso para todos nós.

31 de outubro de 2012

Com a verdade me enganas

Muito se fala sobre a pronúncia açoriana e a dificuldade em percebê-la. Mas, para mim, pior foi aprender o significado que os açorianos dão a palavras que os continentais utilizam com outro significado. Por exemplo, um "bibe". Para mim, um bibe sempre foi a bata aos quadradinhos que as crianças usam no jardim-escola. Para os açorianos, um bibe é um babete. Outra: para um açoriano, uma pessoa "discreta" é uma pessoa equilibrada, que diz coisas acertadas. Nada a ver com o "discreto" utilizado pelos continentais. Por isso, quando uma pessoa diz uma tolice, os açorianos dizem "Tu não estás bem discreto!" Outra ainda: pouco tempo depois de ter tido o meu terceiro filho, encontrei uma vizinha minha, que me disse em tom de elogio: "A vizinha está perfeita!" Ao ouvir isto, subi às nuvens. Não há elogio mais doce para uma mãe em fase pós-maternidade. Pois bem, mais tarde vim a saber que "perfeita", para um açoriano, significa roliça, cheinha, ou mesmo gorda :)

26 de outubro de 2012

Terra de partidas

Ontem despedimo-nos de uma família, membros da nossa igreja, que regressou definitivamente ao Brasil, seu país de origem. O casal, dois filhos e um sobrinho deixaram a ilha, depois de 4 anos de residência neste lugar. Era uma família muito amada por toda a igreja. Quando chegaram à ilha, tive oportunidade de os ajudar através do meu trabalho. Tivemos depois a alegria de os conduzir a Jesus. Primeiro, a esposa, depois o marido, mais tarde a filha (no acampamento de jovens) e por fim também o sobrinho. O casal e o sobrinho foram baptizados pelo meu marido. É curioso como esta família, oriunda de um país com tantos evangélicos, veio converter-se numa pequena ilha católica. Era este o grande propósito do Senhor quando permitiu que esta família tivesse uma experiência migratória. Na parede da Escola Bíblica Dominical ficou a marca, a azul, da mão do seu filho mais novo, de 5 anos, de quem os nossos filhos se despediram com um brilho triste nos olhos. Não sabemos se um dia nos reencontraremos neste mundo, mas alegra-nos saber que temos encontro certo marcado no Céu. São assim os Açores, terra de chegadas e de partidas.

16 de outubro de 2012

Festa no Céu

O dia de ontem foi de festa! Celebrámos os 37 anos de vida da Igreja Baptista nesta pequena ilha. Perto da hora de início do culto, um deslumbrante arco-íris apareceu no céu, como que a dizer-nos que a festa não era só aqui na terra. A igreja estava lotada, algumas pessoas tiveram de assistir de pé. Vários visitantes. Agradecemos a Deus por mais um ano de vida, recordando o trabalho feito ao longo de 2012 e as vidas que foram alcançadas. Depois, o pastor partilhou, por breve momentos, a Palavra de Deus e de seguida fez um apelo. Uma senhora, mãe e sogra de um casal da nossa igreja, que conhecemos desde que chegámos aos Açores, e que nos últimos meses tem assistido regularmente aos cultos, decidiu entregar a sua vida a Cristo. Tremendo! De seguida, quatro irmãos foram baptizados nas águas, dando testemunho público da sua conversão. Foi um culto lindo que encheu os nossos corações de alegria. Viemos para casa tão felizes por tudo o que Senhor tem feito neste lugar. A Deus toda honra e toda a glória!

12 de outubro de 2012

Sinceridade

Enquanto comia cereais, apercebi-me que a minha filha me observava em silêncio. Continuei a comer. Entretanto, ela pega na caixa dos cereais e começa a ver as imagens que lá vêm (eu estava a comer cereais "Fitness"). Dali a pouco, sai-se com esta: "Mamã, tu comes cereais para meninas gordas?"
(lol)

1 ano

Faz hoje um ano que recebi aquele telefonema que nenhuma mãe e nenhum pai quer receber. Estava no trabalho, a meio da tarde, quando me telefonaram  a dizer que o meu filho tinha caído do escorrega da escola e que, muito provavelmente, tinha um braço partido. Nunca estamos preparados para uma notícia destas. Quando o meu marido chegou à escola, o nosso filho ainda estava a ser levado pelos bombeiros para a ambulância. Recordo que nunca andei tão depressa na minha vida. Naquele dia, o som da ambulância que soou nas ruas da ilha foi por causa do meu filho. Um cotovelo fraturado, na zona de crescimento, com necessidade de intervenção cirúrgica e cololocação de ferros. Os meses que se seguiram foram bastante difíceis. Muitas noites sem dormir, cuidando do nosso menino, que sofria com dores. Dois meses depois, foi novamente operado para tirar os ferros. Depois, a recuperação dos movimentos e da autoconfiança. Enfim, hoje tudo isto já é parte do passado e damos muitas graças a Deus porque esta história teve um final feliz. O nosso filho está ótimo, recuperou a 100% e de todo aquele episódio gosta apenas de recordar a sua entusiasmante experiência a bordo de uma ambulância: "Foi espetacular!". Foi há 1 ano.

11 de outubro de 2012

Recordação

Por estes dias, uma irmã da igreja oferecereu-me diversas fotografias dos nossos primeiros tempos de Açores. São fotos que remontam a 2005 e 2006 (quando ainda se revelavam fotografias). Foi maravilhoso recordar aqueles primeiros tempos... vivemos momentos lindos neste lugar. Muito fresquinhos, acabados de chegar do Continente, pouco depois nascia o nosso primeiro filho. As caras da congregação, tão diferentes das que hoje a constituem. Os Açores são mesmo uma terra de chegadas e de partidas. E houve uma foto que me fez rir muito, pois gostava de ter ficado com um registo daquele momento e agora já o tenho: a matança do porco! O meu marido e eu, que poucos meses antes tínhamos uma vida absolutamente urbana, na imediações do IC19, vimo-nos, de repente, numa matança do porco, com todos os rigores da tradição. Inesquecível! E quando chamaram o meu marido para ajudar... muito engraçado! Fica aqui a partilha de um dos momentos mais giros da nossa "açorianização".