Estamos a três semanas de apanharmos o avião para o Continente, para uma viagem apenas de ída. “Vão embora de vez?” - perguntou a senhora que nos vendeu os bilhetes. Vamos sim, depois de oito anos nos Açores. A nossa casa está um reboliço, o cheiro a papelão anda no ar. Já se conta um bom número de caixotes prontos a ir para o contentor do barco. Ao embalarmos as nossas coisas, damos por nós, emocionados, a parar para ver fotografias que tirámos em determinadas ocasiões, relembrar histórias felizes vividas em solo açoriano… “Vou levar isto para guardar de recordação… e isto também…”. É difícil fazer a seleção. Só de brinquedos são várias caixas, tudo é importante para os nossos filhos, nenhum brinquedo pode ficar atrás, querem tudo no seu quarto novo do Continente. Noto que é difícil para eles deixar a terra onde nasceram, onde têm os amiguinhos. “Amanhã ainda venho à escola?” – é a pergunta que a minha filha me faz todos os dias, quando a vou buscar à escola, com um olhar de quem quer ouvir uma resposta positiva. Não é fácil, principalmente para o meu filho mais velho, que é um menino doce, que cria muitos laços com as pessoas. Mas, por outro lado, eles estão também muito entusiasmados com a perspetiva de ir viver para a “terra das férias”, onde existe algo que não têm nos Açores: familiares e shoppings. O tempo é curto, temos tantas coisas para tratar, tanto trabalho, tantas emoções para gerir, tantas despedidas. E eu aguardo ainda por um milagre, em termos de trabalho. Agradeço muito a todos os que têm orado por nós. Vou tentar passar por aqui para ir dando notícias. Até breve.
18 de janeiro de 2013
3 de janeiro de 2013
Novo Pastor
Um dos nossos desejos e motivos de oração era que, quando partíssemos dos Açores, a Igreja da Horta não ficasse sem pastor. Este ponto era importantíssimo para nós. Na sua história de vida, a Igreja Horta já esteve longos períodos de tempo sem pastor (chegou a estar 8 anos seguidos) e sabemos bem como essa situação é penosa para a igreja. E, nas nossas orações, ousámos pedir e sonhar com um pastor açoriano. É muito importante conhecer e sentir a cultura açoriana. Nós tivemos de a descobrir e interiorizar para podermos compreender a mente e o sentir do povo açoriano. Nos últimos meses, a igreja tem orado muito pela sucessão pastoral. E Deus respondeu-nos fielmente. No mês passado, o pastor Ismael Couto, terceirense, a sua esposa Liliana e a filhinha Sarai, estiveram connosco, tendo tido oportunidade de conviver com a igreja e de participar nas suas atividades. Foi um tempo muito bom e abençoado, tendo a igreja, nesse seguimento, decidido, por unanimidade, convidar este pastor para assumir o ministério na Horta. O pastor Ismael Couto será, assim, a partir do próximo dia 3 de fevereiro, o pastor da Igreja Baptista da Horta. Estamos todos muito felizes, e acreditamos que o ministério do Pastor Ismael irá ser muitíssimo abençoado.
30 de dezembro de 2012
2012
Há um cântico que diz "Pelos anos mostraste mais de Ti" e é verdade. Em 2012 aprendi muito do Senhor. Partilho aqui alguns dos momentos mais marcantes:
Em 2012 vi uma querida menina que conheci, há muitos anos atrás, na Igreja Baptista de Coimbra, tornar-se esposa do meu irmão, numa cerimónia lindíssima e muito emotiva.
Em 2012, vi quatro baptismos e nove vidas converterem-se a Cristo numa pequena ilha, no meio do Oceano.
Em 2012, recebi em minha casa o meu primeiro pastor e a sua esposa (Diné e Leila Lóta), que já não via há mais de 20 anos, sendo eu hoje também esposa de um pastor, curiosamente, da igreja que foi o 1º campo missionário daquele casal.
Em 2012, num cenário de austeridade, entrei miraculosamente para os quadros da Administração Pública.
Em 2012, o meu filho mais velho perdeu os primeiros dois dentes.
Em 2012, Deus levou-nos a entender que era da Sua vontade que a Sua obra no Faial fosse continuada por outros Seus servos.
Em 2012, descobrimos que a igreja que era pastoreada pelo pastor que nos despertou para os Açores e que nos acompanhou ao aeroporto no dia em que embarcámos, orando por nós, é aquela que o Senhor quer que sirvamos e à qual dediquemos as nossas vidas.
Em 2012, senti, como nunca antes, a realidade de que quando a nossa casa está contruída sobre a Rocha, pode descer chuva, torrentes, soprar ventos com ímpeto contra a casa, que ela não cairá.
Em 2012, vi pela última vez os olhos verdes de minha mãe, olhando para mim, com aquele seu amor imenso. Partiu em paz, sorrindo, para Jesus. Esse é o meu consolo.
Um ano único, de profundas mudanças, grandes vitórias. Um ano de crescimento e de muita gratidão a Deus por tudo o que tem feito em nossas vidas.
:)
Reunida com o meu chefe, procurando dizer-lhe que terei de ir viver para o Continente, digo-lhe, timidamente, que tenho algo muito importante para lhe dizer e que se trata de um assunto pessoal, muito delicado.
Pergunta imediata: "Estás grávida outra vez?"
(lol)
22 de dezembro de 2012
17 de dezembro de 2012
Este é, sem dúvida, o ano dos posts difíceis de escrever. Tenho adiado a minha vinda aqui por saber que é muito difícil o que tenho para dizer. É um misto de alegria e de tristeza, difícil de passar para palavras. Mas, depois de oito anos, quis Deus que os nossos dias nos Açores chegassem ao fim. Após termos ponderado muito e buscado a orientação de Deus, a Sua resposta foi muito clara, com diversas confirmações e sempre selada com a paz que excede todo entendimento. No próximo ano, iremos regressar ao Continente, onde serviremos, de coração, a Igreja Evangélica Baptista de Queluz. Por agora, vivemos um período muito importante na Igreja da Horta, que é o da sucessão pastoral, pela qual temos orado todos muito ao Senhor. Começámos também, as nossas (dolorosas) despedidas, que ainda só vão no começo e que já nos levaram a todos muitas lágrimas, muitos apertos de coração. É assim quando o amor é grande. Mas os irmãos da igreja da Horta também perceberam e aceitaram a Vontade de Deus para a igreja, e sabemos que tudo irá correr bem, pois a Sua vontade é perfeita.Temos muitas coisas para tratar, muitas. Esperamos ainda algumas respostas no Senhor, como a da minha continuidade profissional. Precisamos muito das vossas orações. Sei que alguns de vós estão já a suportar-nos em oração e agradeço-vos profundamente por isso. As próximas semanas vão ser muito intensas do ponto de vista emocional. Que o Senhor nosso Deus nos guarde, fortaleça e que tudo possa correr muito bem nesta transição ministerial. Para Sua honra e glória!
22 de novembro de 2012
Mais perto de Ti
Uma das coisas que me ensinaram assim que comecei a nadar no mar foi que a rebentação era o pior sítio para tomar banho. Se eu entrasse pelo mar dentro e nadasse lá mais longe, onde as ondas são altas (mas não rebentam), aí sim, tudo era mais calmo. Outra coisa que aprendi nas viagens de avião foi que a melhor parte da viagem é quando estamos lá no lugar mais alto, velocidade de cruzeiro, com as nuvens muito abaixo de nós. Por vezes, a descolagem pode até ter sido atribulada, com ventos e mau tempo, mas quando chegamos àquele lugar alto, o avião fica tão sereno que, por vezes, até parece estar parado. Há um cântico que diz “O Senhor é a minha força, Ele faz-me andar em lugares altos (…) acima dos problemas, acima das tribulações, acima do pecado, acima das tentações, acima das minhas dores, acima das perseguições, acima deste mundo, acima das desilusões”. Quando canto estas palavras, lembro-me daquela imagem do avião a deslizar no céu azul… e as nuvens, o mau tempo, lá bem em baixo, bem longe. Esta força que temos em Cristo é das coisas mais preciosas que os crentes podem ter. Como enfrentar as dores desta vida sem um avião que nos leve para lugares altos? Deve ser um desespero. Tenho viajado muito nestes últimos tempos. Acima da saudade, acima da tristeza, acima das recordações. E a paz com que Jesus enche o meu coração é mesmo perfeita. E o bom ânimo que sinto é mesmo sobrenatural. O meu desejo é andar cada vez mais nestes lugares altos. Mais perto de Deus.
16 de novembro de 2012
Os maridos das princesas
Diz-se que "Quem não tem cão caça com gato". Pois, à falta de príncipes, as princesas da minha filha não ficaram solteiras. Os maridos foram arranjados de entre os brinquedos do irmão.
(lol)
:)
Deitados, cada um na sua caminha, luzes apagadas, a minha filha diz, baixinho, para o irmão: “Miguel… Miguel…” (silêncio) “Miguel, estás a dormir? (silêncio) “Miguel…” (silêncio) “Miguel, estás a fazer oração?” (silêncio) Até que, finalmente, o Miguel responde, baixinho: “O que foi?” e ela pergunta novamente: “Estavas a fazer oração?” E ele responde “Estava.”
(Do lado de fora do quarto, ouvi esta conversa e o meu coração ficou consolado!)
13 de novembro de 2012
Professores
-"Sabes, mamã, os professores são pessoas muito inteligentes!" - diz-me com um ar de deslumbre pelo tema.
-"Ai sim? Então porquê?" - pergunto eu, a ver se percebo onde é que ele quer chegar com aquela afirmação.
-"É que os professores é que ensinam as coisas todas aos meninos, para que quando eles forem meninos grandes não sejam uns cabeças ocas."
Tentando segurar o riso, pergunto-lhe: -"E tu, gostavas de ser professor, um dia?"
Resposta: "Eu?" - muito indignado com a pergunta - "Eu não! Eu não sou assim tão inteligente! Eu... só sou bom a fazer contas."
(querido)
Garganta
Por estes dias, os nossos filhos foram ao circo. Tendo perguntado à minha filha qual o animal que mais gostou de ver, ouvi esta estranha resposta: "Foi aquele que tem uma garganta nas costas"! Depois de um bocado a conversar com ela é que lá consgui perceber que a "garganta" é a bossa do camelo, que ela comparou à "maçã de Adão" dos pescoços masculinos.
(lol)
10 de novembro de 2012
9 de novembro de 2012
Tempos de confusão
Como vem sendo habitual nesta altura do ano, os meus filhos trazem da escola umas bolsas, feitas por eles, para colocar os doces do “Pão por Deus”. A bolsa que o meu filho trouxe é uma abóbora do Halloween; a da minha filha diz “Pão por Deus” e por baixo tem um fantasma.
Também por estes dias, vi afixado um cartaz anunciando um “Jantar do Halloween”. O preço era de 12,50 “bruxinhas” (leia-se euros) por adulto e 7,00 “bruxinhas” por criança. Agora: o jantar foi organizado pela comissão de angariação de fundos para a construção da nova igreja católica de uma das freguesias da ilha.
Noiva
Todas as 2ªf, as mulheres da igreja têm uma reunião de oração. Esta semana, enquanto orávamos de mãos dadas, uma irmã dizia que nós, Igreja, somos a noiva de Cristo e que o Senhor está a preparar a Sua noiva para se encontrar com ela. Eu sei que assim é, não é uma novidade para mim, mas, não sei porquê, desta vez estas palavras tocaram-me tanto que não me saem do pensamento. Nós sabemos tantas coisas, mas por vezes vivemos os nossos dias sem o foco no dia da boda. E não pode ser… A preparação de um casamento requer tanto trabalho, tanta entrega, tantos pormenores. Quando fiquei noiva, senti-me muito honrada. Ía casar com o rapaz mais lindo que conheci. Quando fiquei noiva, gostava de ostentar, discretamente, o meu anel de brilhantes e de confirmar, com vaidade, a quem me perguntava, que sim, que era o meu anel de noivado. Quando fiquei noiva, escolhi um vestido branco, de manga comprida (fui uma noiva de inverno assumida), liso, mas distinto, com uma mantilha rendilhada sobre a cabeça. Experimentei-o várias vezes, fazendo ajustes, para estar tudo perfeito no dia do casamento. Quando fui noiva, passei uma manhã inteirinha na cabeleireira a fazer e a desfazer penteados, para no final decidir que, afinal, ía levar o cabelo caído. Quando fui noiva, tinha cuidado com o que comia para não engordar muito. Tinha cuidado com tudo, pois queria estar perfeita para o meu noivo. Quando fui noiva, preparei com o meu noivo a casa onde íamos viver. Cada móvel, cada objeto de decoração tinha uma história própria. Na nossa inocência, escolhemos tudo em tons claros. Não sabíamos que, um dia, íamos ter três filhos. Enquanto fui noiva, fui-me desapegando da vida de solteira e passei, cada vez mais, a pensar a vida em conjunto com o meu noivo. A família dele passou também a ser a minha família. Quando fui noiva, sentia um nervoso miudinho ao pensar no dia do casamento. O meu noivo era o amor da minha vida. Eu ía ser dele e ele ía ser meu. Enquanto noiva, já tinha ganho algumas das expressões e hábitos do meu noivo, fruto da convivência. As coisas já eram pensadas a dois e os dois começávamos a ser um só. Enquanto noiva, cresci na minha fé, que é uma das coisas mais preciosas que o meu noivo me ajudava (e ajuda) a fazer. Era feliz e sabia que dias ainda mais felizes me esperavam. É tão bom ser noiva! Que o Senhor nos ajude a manter esta atitude de zelo, compromisso, amor e gozo no nosso relacionamento com Cristo.
8 de novembro de 2012
Girl Power
À semelhança do que aconteceu no Continente, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores tem, desde 2ª feira passada, e pela 1ª vez, uma mulher como Presidente: Ana Luís, natural do Faial, economista, de 36 anos. Fez-se História.
7 de novembro de 2012
Tia Etelvina
Hoje o telefone tocou bem cedo. Não gosto quando o telefone toca tão cedo, pois, se não for alguém do continente que se esqueceu da diferença horária, é porque são más notícias. Foi o caso de hoje. Pouco depois do meu marido atender o telefone, ouvi-o suspirar. Foi a minha tia Etelvina que partiu para Jesus, subitamente, ainda na casa dos 60. A minha tia que me visitou e consolou ainda há menos de 5 meses, aquando da partida da minha mãe (sua boa amiga). Mais uma perda vivida com um oceano a separar-nos. Era uma tia tão querida… Gostava de poder abraçar o meu tio e primos. Consola-nos sabê-la com Jesus, pois era crente fiel no Senhor. Até um dia, querida tia!
6 de novembro de 2012
Papá
Um dos elogios que mais gosto de receber (apesar de quem o diz não saber que é um elogio) é que sou parecida com o meu pai (apesar de quem o diz não saber que, na verdade, é meu padrasto). Acho que é porque somos os dois “caixas-de-óculos” e com um ar calmo. No entanto, o meu pai está a uns níveis largos acima de mim. É das pessoas mais bonitas que conheço, um coração muito bom. Para além do meu pai de sangue, que também amo muito, ganhei este pai aos 5 anos de idade e foi das melhores coisas que Deus me deu na vida. Recordo-me de andar ao seu colo e de lhe perguntar quantos anos tinha, ouvindo como resposta: "28". Lembro-me de achar que 28 já era idade de alguém muito velho. Por estes dias fez 58 anos. Tenho muita gratidão por tudo o que me tem ensinado na vida, por vezes mesmo sem falar, só com a sua atitude. Guardarei sempre a lembrança da forma extremosa como cuidou da minha mãe, até ao dia em que partiu para Jesus. Parabéns, papá. És um exemplo e és muito precioso para todos nós.
31 de outubro de 2012
Com a verdade me enganas
Muito se fala sobre a pronúncia açoriana e a dificuldade em percebê-la. Mas, para mim, pior foi aprender o significado que os açorianos dão a palavras que os continentais utilizam com outro significado. Por exemplo, um "bibe". Para mim, um bibe sempre foi a bata aos quadradinhos que as crianças usam no jardim-escola. Para os açorianos, um bibe é um babete. Outra: para um açoriano, uma pessoa "discreta" é uma pessoa equilibrada, que diz coisas acertadas. Nada a ver com o "discreto" utilizado pelos continentais. Por isso, quando uma pessoa diz uma tolice, os açorianos dizem "Tu não estás bem discreto!" Outra ainda: pouco tempo depois de ter tido o meu terceiro filho, encontrei uma vizinha minha, que me disse em tom de elogio: "A vizinha está perfeita!" Ao ouvir isto, subi às nuvens. Não há elogio mais doce para uma mãe em fase pós-maternidade. Pois bem, mais tarde vim a saber que "perfeita", para um açoriano, significa roliça, cheinha, ou mesmo gorda :)
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