23 de outubro de 2013

Pura ficção

Há cerca de oito anos que os desenhos animados do Ruca são uma presença habitual na televisão da nossa casa. Eu tinha a ideia de que o dia-a-dia do Ruca era bastante parecido com a vida real, sem grande espaço para o imaginário, ao contrário da maioria dos desenhos animados. Mas isso foi só até ver, com mais alguma atenção, dois episódios, que passaram recentemente na TV. Num deles, a família estava a sair de casa apressadamente e o Ruca lembrou-se à última da hora que queria levar uns esquis para a neve. A mãe, muito doce, disse-lhe que ele deveria ter pensado nisso com mais antecedência, pois este ano ainda não tinha tirado dos arrumos as coisas de inverno, e não sabia bem onde estavam os esquis. Mas, perante a tristeza do Ruca, a mãe (que estava cheinha de pressa)… voltou serenamente atrás e foi procurar os esquis! (what?) No outro episódio, o Ruca recebeu uma camisola de malha feita à mão pela avó. Gostou tanto da camisola que vestiu-a de imediato. Estava calor, mas a mãe deixou. Até aí tudo mais ou menos bem. Agora vem o pior: dormiu com ela vestida nessa noite! A mãe deixou. Levou-a vestida para a escola - note-se – vários dias seguidos! A mãe, sempre serena, deixou. A dada altura, a mãe meteu, finalmente, a camisola para lavar. Porém, o Ruca foi buscá-la à roupa suja e voltou a vesti-la (!) e levou-a para a escola. Quando a mãe chegou à escola e o viu com a camisola suja vestida, muito tranquilamente, só lhe perguntou “Eu não tinha posto essa camisola para lavar?”, mas ficou-se por aí, tendo compreendido perfeitamente que o filho a tivesse ído buscar ao cesto da roupa suja. E não ralhou com ele, nem pestanejou, (nada!), perante a figurinha que o filho andava a fazer. Só quando a camisola estava mesmo uma tristeza, cheia de nódoas, é que o Ruca lá acedeu em tirá-la. Afinal de contas, a série Ruca está repleta de fantasia, pura ficção.

22 de outubro de 2013

Saber ouvir

É muito importante termos pessoas nas nossas vidas que nos apontam onde estamos a falhar. É certo que temos a nossa consciência, que faz isso melhor do que qualquer pessoa, mas por vezes parece não chegar. Ouvir da boca de quem respeitamos onde estamos a falhar é, por vezes, o clique que falta para operar uma mudança. O meu marido, familiares, amigos e irmãos na fé são, por vezes, importantes portadores de ‘recados’ da parte de Deus para mim. Ontem, foi a vez do meu médico. Ouvi e encaixei. Que Deus me rodeie sempre de pessoas destas e que nunca permita que eu endureça o meu coração perante as suas difíceis, mas sãs, palavras. Somos barro que está a ser moldado pelo Oleiro.

21 de outubro de 2013

O impacto do Evangelho

“Recentemente, um homem nos procurou em estado de grande agitação. Havia observado um rapazinho a roubar algum dinheiro da cesta das ofertas, após o culto. Ele sentia genuína preocupação com o rapaz. Sugeri que ele conversasse com o pai do menino, a fim de que o filho pudesse beneficiar da correção e da intervenção do pai. Alguns minutos depois, o menino e o pai pediram para falar-me, em meu gabinete. O menino mostrou algum dinheiro e disse que o havia tirado da cesta das ofertas. Ele estava em lágrimas, expressando sua tristeza e pedindo perdão. Comecei a conversa, dizendo-lhe: ‘Carlos, estou muito feliz porque alguém viu o que você fez. Que grande misericórdia de Deus, ao providenciar para que você não escapasse disso! Deus lhe poupou de endurecer o seu coração, o que acontece quando alguém peca e sai ileso da experiência. Percebe como Deus foi gracioso com você?’ O menino olhou-me nos olhos e concordou. ‘Sabe, Carlos’, continuei, ‘é por isso que Jesus veio. Jesus veio porque pessoas como você, seu pai e eu temos corações que desejam roubar. Você percebe que é capaz de ser tão ousado e atrevido que rouba até as ofertas que as pessoas estão dando a Deus? Mas Deus teve tanto amor por meninos ímpios que enviou o seu Filho, a fim de transformar o coração dos meninos e homens e torná-los pessoas que são doadoras e não ladrões’. Nesta altura da conversa, Carlos caiu em soluços e retirou do bolso mais um maço de notas que havia tirado da cesta. Ele havia começado esta breve conversa pronto a “fazer-de-conta” e devolver apenas parte do dinheiro que havia pegado. Algo aconteceu enquanto me ouvia falar da misericórdia de Deus para com pecadores ímpios. Não havia acusação no meu tom de voz. Nem seu pai nem eu sabíamos que havia mais dinheiro. O que aconteceu? A consciência de Carlos foi atingida pelo evangelho! Algo do que falei ressoou dentro deste coração jovem e enganador. O evangelho causou impacto na consciência dele.”
(Tedd Tripp, em Pastoreando o coração da criança)

17 de outubro de 2013

Jesus chorou

Enquanto lia aquela passagem - que já li tantas outras vezes – da morte de Lázaro, comovi-me profundamente com um pormenor sobre o caráter de Jesus. Diz o texto que Jesus amava Lázaro, bem como as suas duas irmãs, Marta e Maria. Era amigo deles. E quando Lázaro morreu, conta a Bíblia que Jesus, ao ver Maria chorar pelo seu irmão, “moveu-se muito em espírito, e perturbou-se”. E, logo a seguir, diz o texto que “Jesus chorou”. Os judeus que ali estavam comentaram acerca de Jesus “Vede como o amava”. Foi isto que me impressionou. Jesus sentiu a dor e o sofrimento causado pela morte de uma pessoa. Ele sabe como é tão triste e devastador passar por uma situação destas. Jesus sabia que Lázaro não ía permanecer morto e que ía ressuscitar. Estava prestes a acontecer um milagre tremendo! Tudo estava sob o controlo de Jesus. Ele não chorou de desespero. Mas, ainda assim, Jesus foi sensível à dor dos que choravam por Lázaro. Por estes dias, duas pessoas muito queridas para mim perderam as suas mães, sem que estivessem a contar com isso. Por estes dias, também, uma mulher partilhava comigo a dor tremenda de ter perdido um bebé no parto, há 30 anos atrás. Nunca ultrapassou essa dor. Ao ler esta passagem, senti o amor de Jesus de uma forma muito especial por aqueles que sofrem. Jesus compadece-se, chora connosco. Jesus está presente nesses momentos. O Senhor é um Deus de amor, que cuida, conforta e que traz sempre consigo uma nova esperança. “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei”, disse Jesus. A dor pode tomar proporções gigantescas na vida das pessoas que não a depositam nas mãos de Jesus. Mas os que se aproximam de Deus, quebrantados, são por ele limpos e libertos dessas cargas. Não existe outro Deus como o Senhor. Um Deus que perdoa e que cura o nosso interior sofrido. Deus é amor!

Caracóis

Acho que ainda não contei aqui esta. De vez em quando, a minha filha pede-me para lhe fazer caracóis. Este é um desejo típico das meninas que têm cabelos lisos. Por isso, volta e meia, faço-lhe trancinhas antes de a deitar e, no dia seguinte, desmancho-lhe as tranças e ela fica uma autêntica Diana Ross. Pois bem, naquela fase de adaptação em que a minha filha chorava na escola, um dia o pai ía levá-la de manhã e, antevendo as lágrimas, perguntou-lhe: “Hoje não vais chorar na escola, pois não?” Resposta dela, muito segura de si: “Chorar? De caracóis? Achas?” (lol)

16 de outubro de 2013

Opá...

Educação cristã

É um descanso tão grande saber que, este ano, os meus filhos mais novos não vão ser ‘bombardeados’ na escola com o Halloween, nem vão sofrer pressão para pedir ‘Pão por Deus’ (nos Açores esta última ainda tem alguma força social). Que Deus abençoe e multiplique as escolas de orientação cristã evangélica.

Novas criaturas

O evangelho não é uma mensagem sobre fazer coisas novas. O evangelho é uma mensagem sobre como ser uma nova criatura. Ele fala às pessoas como pecadores imperfeitos, caídos, que têm necessidade de um novo coração. Deus deu-nos o Seu Filho, a fim de fazer-nos novas criaturas. Deus realiza uma cirurgia ao coração, não uma cirurgia plástica facial. Ele produz mudança de dentro para fora. Rejeita o homem falso que jejua duas vezes por semana, mas aceita o pecador que clama por misericórdia.
Tedd Tripp (em “Pastoreando o coração da criança”)

10 de outubro de 2013

Açorianos

Mais cedo ou mais tarde, vamos ter de mudar de apartamento, pois aquele onde vivemos foi comprado quando ainda não tínhamos filhos, tendo-se tornado pequeno para a nossa família. Sabendo desta nossa intenção, o meu filho sugeriu, com entusiasmo: “Comprem uma casa com árvores!”
A minha filha, referindo-se aos aglomerados de casas que existem em Portugal continental: “O continente parece muitas, muitas, muitas ilhas juntas!”
O meu filho: “Papá, quando é que vamos à doca pescar?”
A minha filha, pronunciando-se a respeito do apartamento novo das primas: “A casa das primas, se tirarmos o prédio, é uma casa que é uma maravilha!”
No hipermercado, enquanto comprava legumes, o meu filho aproxima-se de mim, aponta para uma caixa e pede a desejo: “Compras-me batatas doces?” (nos Açores é comum comermos batatas doces como acompanhamento do prato principal)
Enquanto a minha filha brincava com a prima mais nova, ouvi este diálogo único: “Dei um fu-fu!” – diz a minha filha (pausa) Resposta da prima: “Aqui não se usa isso, Mariana! Aqui diz-se: eu dei um pum!” (lol)

30 de setembro de 2013

Feliz

Por estes dias, fui à reunião da escola da minha filha. Ali chegada, a educadora chamou a atenção dos pais para uma mesa que estava repleta de desenhos das crianças e pediu-nos que tentássemos descobrir qual era o desenho do nosso filho. Aproximei-me da mesa e vi que cada desenho tinha escrito no cabeçalho “Quem sou eu?” e depois, no rodapé, dizia: “Eu sou…” e tinha 2 ou 3 adjectivos que as crianças disseram sobre si próprias. Depois de olhar um pouco para os desenhos, houve um que me pareceu corresponder ao traço da minha filha, mas os adjectivos que acompanhavam o desenho fizeram-me hesitar. Os adjectivos eram: “(Eu sou) bonita e feliz!” Hesitei pelo seguinte: a minha filha tem sido a que mais tem “sofrido” com a nossa mudança dos Açores para cá. Ela é muito ligada às pessoas e é muito “açoriana” também. Por diversas vezes, tem-nos perguntado quando é que as nossas “férias” no continente acabam; diz frequentemente que tem saudades dos amigos, da escola e da igreja do Faial; lamenta-se que esta “ilha” não é tão bonita, enfim, ela tem muitas saudades daquele que era o seu pequeno mundo. E para mim, como mãe, é uma dor ouvir estas coisas. Felizmente, já não chora, como aconteceu no princípio. Mas, isto talvez seja aquilo que mais me tem custado nesta fase de adaptação. Tento sempre explicar-lhe, com muita calma, que a nossa vida agora é aqui, que estamos a servir a Deus neste lugar, e que aqui há tantas coisas boas… Ela parece ficar convencida, mas sei que, volta e meia, torna a lamentar-se pelos Açores. Pois bem, voltando aos desenhos, decidi não arriscar, e peguei noutro desenho que ali estava, mas quando virei a folha para ver o nome do seu autor, dizia “Rafaela”. Pousei o desenho muito depressa e corri para agarrar aquele que tinha visto em 1º lugar. Virei-o e lá estava, bem escancarado: “Mariana”! Fiquei TÃO emocionada… Senti um calor no rosto, os meus olhos encheram-se de água… “A minha filha é feliz!”, pensei eu, “Ela é feliz neste lugar!!!” (Só me apetecia contar a toda a gente!) Acho que nem me consegui concentrar bem na reunião, pois só pensava no desenho… “F-e-l-i-z”! Deus é bom em todo o tempo! É fiel! Cuida de todos os pormenores. Ela só tem saudades dos Açores, só isso. Mas é FELIZ! Deus seja louvado! Que sejas sempre feliz, filha, sempre! A nossa felicidade está no Senhor.

27 de setembro de 2013

Pepino

Naquela noite, decidi contar-lhes a história da rainha Ester. A minha filha gosta de histórias de ‘princesas’, por isso fiz-lhe o gosto. Estava eu a contar, com demorado pormenor, aquela parte em que o Rei mandou chamar todas as jovens solteiras do reino, para escolher uma para sua esposa, e que a escolhida foi Ester, uma jovem humilde, que não tinha pais, que foi criada por um primo, mas que era lindíssima, uma beleza que chamava a atenção de todos…” Nisto, o meu filho interrompe-me (como já é habitual), para fazer um comentário, dizendo: “Ela era bonita, já o rei nem por isso… era um pepino!”. Um pepino?, pensei eu… Sem perceber bem onde é que ele tinha ído buscar esta do “pepino”, dei uma gargalhada e lá continuei a história. A certa altura, começo a falar do maléfico Hamã e dos seus terríveis planos contra o povo judeu. Nisto, o meu filho interrompe-me e diz: “Esse era uma batata!” Foi então que se fez luz na minha cabeça e perguntei ao meu filho: “Ouve lá, tu andaste a ver algum filme dos ‘Vegetais’?” Sim, vi no acampamento o filme dos Vegetais sobre a rainha Ester!”
(Está explicado! Lol)


26 de setembro de 2013

Regresso ao trabalho

Trabalhar fora é voltar a passar grande parte do meu dia rodeada de pessoas que não partilham a mesma fé do que eu. É procurar conhecê-las, compreendê-las, perceber as suas necessidades e amá-las com o amor de Jesus. É responder-lhes sobre os motivos que me levaram a ir para os Açores e, depois, a regressar dos Açores. É receber olhos de espanto (e isto é engraçado) quando percebem que são colegas de uma "esposa de pastor". É explicar a cada um sobre o que é uma igreja baptista, o que são os evangélicos e no que cremos (ainda há muito desconhecimento e confusão sobre isto).  É perceber como pensam as pessoas que não são da igreja, o que as move, o que as frustra. É procurar manter-me coerente com a minha fé num ambiente não protegido, como a igreja. É ter a consciência de que o meu testemunho pode ser determinante. E é poder partilhar estas experiências diárias com o meu marido e, desta forma, ajudá-lo também a perceber como é a sociedade para além da igreja. É um grande desafio e também uma grande responsabilidade poder trabalhar fora. Que Deus me dê sempre sabedoria e integridade no trabalho.

Sinónimos

"Voltar a trabalhar fora de casa" = "Acabou-se a roupa passada a ferro"
(lol)

23 de setembro de 2013

Testemunho


Quando, no ano passado, começámos a perceber que Deus nos estava a orientar no sentido de regressarmos ao continente para aqui servirmos a Sua igreja, houve um aspeto que, desde logo, nos fez refletir: o meu emprego. Depois de vários anos como contratada, eu tinha entrado recentemente para os quadros da Administração Pública – tinha um “emprego para a vida”. Decidimos entregar esse assunto nas mãos de Deus e continuámos a buscar a Sua vontade. Havia, porém, um pormenor muito delicado neste processo: é que as transferências dos Açores para o Continente estavam (e estão), na prática, “congeladas”. Logo, o mais certo seria eu não conseguir transferir-me e perder o meu vínculo. O Senhor acabou por nos levar a perceber que era mesmo para voltarmos e quando Deus fala só nos resta obedecer (pois a Sua vontade é sempre boa e perfeita). Assim sendo, falei com o meu chefe, expus a situação e comecei a tentar uma transferência para o continente. Começou então a surgir uma hipótese de transferência para Lisboa, mas sem certezas. Curiosamente, em fevereiro, no dia em que estávamos a sair da nossa casa nos Açores, para apanharmos o avião para Lisboa, o meu telemóvel tocou. Pousei as malas, atendi o telemóvel, e era o meu chefe a dizer que a transferência tinha sido autorizada. Percebemos que Deus estava no controlo da situação. Viemos para Lisboa em paz, eu iria começar a trabalhar em março. Porém, daí para a frente, o processo começou a embrulhar e a embrulhar, o que me levou a ter de meter uma licença sem vencimento até que tudo ficasse resolvido. Os meses foram-se passando e nunca mais se via uma luz ao fundo do túnel. Era uma assinatura que faltava, era um papel que tinha de ser junto, era um pormenor que tinha de ser retificado, o processo mais parecia não ter fim. A Igreja de Queluz foi extremosa durante todo este processo. Oraram por nós, sustentaram-nos, apoiaram-nos em tudo. A demora foi tanta que, a dada altura, comecei a temer que não se resolvesse mais. Decidi, então, candidatar-me a um concurso público - o curso de estudos avançados em gestão pública - que abriu aqui no continente e que, findo o qual, me daria acesso a um lugar na Administração Pública de cá. Pela graça de Deus, fiquei apurada neste concurso, mas, ainda antes do curso começar, a minha transferência dos Açores para Lisboa, finalmente, resolveu-se! Comecei a trabalhar na 6ªf passada, mantendo assim o meu vínculo e continuando ligada a um serviço que creio que vou gostar muito. Estou muito feliz e agradecida a Deus também pelos meses em que estive em casa, acompanhando o meu marido, os meus filhos e a igreja, nesta fase de adaptação ao continente e ao novo ministério. Nada aconteceu por acaso. Tudo aconteceu no tempo certo. Não foi fácil a espera, foi muito duro. Mas saímos desta experiência com uma visão ainda mais reforçada da soberania de Deus e da Sua fidelidade. Deus é BOM!

15 de setembro de 2013

Graça

No domingo passsado, assisti à tomada de posse do pastorado da Igreja Evangélica Baptista da Graça, em Lisboa, pelo pastor Jónatas Lopes. Saí de lá profundamente tocada com tudo o que vi e ouvi. Um jovem pastor, acompanhado da esposa e dois filhos pequeninos, deixou a igreja que estava a servir em Tondela e toda uma vida ali estabilizada, em obediência à nova orientação que recebeu do Senhor. Deixaram e nem olharam mais para trás, convictos de que Deus agora os quer na Graça. E enquanto decorria o culto, os meus olhos fugiram-me várias vezes para a expressão emocionada do pai do pastor, que também é pastor, e que procurava reter, em vão, as lágrimas. Conheço tão bem aquelas lágrimas de pai, que mesmo compreendendo as razões que movem o filho, sofre com a separação e com a incerteza do que o espera na nova missão. É duro para quem vai. É duro para quem fica. E enquanto olhava para aquele casal, cada um com um filho ao colo, consagrando-se ao ministério na Graça, cheios de amor à obra de Deus, o meu coração foi abençoado. Que imagem tão poderosa! Não há nada neste mundo que prenda um servo do Senhor, nem mesmo uma vida estabilizada. Isto é amor ao Evangelho de Cristo. Quando vínhamos embora, descendo aquelas ruas íngremes da Graça, com o rio ao fundo, o meu marido, pensativo, partilhava comigo: "O Evangelho é loucura!" E é mesmo. Que sã loucura! Que Deus seja com esta família neste novo desafio ministerial. Quanto a mim, já comecei a ser abençoada com a vinda deles para Lisboa. Que Deus os use para Sua glória.

13 de setembro de 2013

Crianças

Durante as nossas férias, também estivemos no acampamento familiar. Ali chegada, vi imensas crianças a brincar nos baloiços (estavam mais de 40 crianças neste acampamento). Comecei a observá-las e a reconhecer os seus rostos (que só conhecia de fotografias). Aproximei-me dos baloiços e procurei conhecê-las pessoalmente. O 1º menino que conheci, de dois anos de idade, muito castiço, em resposta à pergunta "como te chamas?", respondeu desta forma deliciosa e assertiva: "Paulinho Ribeiro". De seguida, aproximei-me de uma menina que brincava noutro baloiço. Reconheci logo o rosto dela, pois quando era pequenina esteve no Faial, com a sua mãe, de visita. O rosto era o mesmo, mas estava muito maior. "Quantos anos tens, Sara?" Ela, muito despachada, responde-me assim: "Tenho cinco, mas visto roupa de quatro!" Esta nova geração de baptistas promete :)

11 de setembro de 2013

Memórias

Ninguém contava histórias como ela. Era um dom que tinha. Quando começava a contar uma história, conseguia captar todas as atenções. Ficava um silêncio absoluto. Ninguém pestanejava. As suas palavras eram muito exageradas e dramáticas em relação à história tal como ela se tinha passado. Mas é assim que as histórias ficam com mais graça. Os diálogos eram contados em discurso direto, com voz de homem ou de mulher, conforme o caso (e isto era de rir a bom rir), com sotaques, gestos e todos os pormenores. E tudo isto com muitas pausas, muito suspense. Uma das histórias que cresci a ouvir foi, por exemplo, a do meu nascimento. Todos esperavam um "Bernardo" (eu ainda sou do tempo em que não se faziam ecografias), mas ela não se importava que fosse outra menina. Nasci como um rapaz, pois os rapazes nascem com o rosto virado para baixo e as meninas com o rosto virado para cima (não sei se a ordem era exatamente esta, mas para ela esta era uma verdade científica), e assim enganei toda a gente até à última. Eu era feia de meter dó. Não tinha testa, o meu cabelo começava logo a seguir aos olhos. De tão feia que era, a minha mãe ficou toda a noite acordada a olhar para mim, a tentar perceber se eu era mesmo normal. Mas pôs-me sempre uma fita no cabelo e, aos poucos, o cabelo começou a recuar e lá ganhei dois dedos de testa. E por causa disto, nunca deixou fazerem-me uma franja, não fosse o cabelo tornar a avançar. Mas a parte da história que eu mais gostava era quando ela dizia que fui um presente que Deus lhe deu no dia dos seus 26 anos. Nasci no aniversário dela, dia 12 de setembro. Ela nasceu às 10h da manhã e eu às 10h da noite. Nasci numa clínica e custei seis contos, hoje trinta euros. Cresci a ouvir estas histórias hilariantes que me enchiam de sorrisos. Tão exagerada que era! Este vai ser o 2º aniversário em que a minha mãe já não me acompanhará. Faria 62, mas quis Deus tomá-la aos 60. Cada vez a recordo com menos dor e mais sorrisos. Mas sempre com muitas saudades. Está com Jesus, o nosso Jesus. O reencontro é certo. Ficam estas doces memórias da filha que nunca teve coragem de fazer uma franja. 

Jovens

Durante as nossas férias, estivemos a colaborar no acampamento de jovens, em Água de Madeiros. O acampamento estava lotado, participaram mais de cento e quinze jovens, salvo erro. Foi uma semana muito especial, muito abençoada. Os pastores Jónatas Lopes e Rui Sabino, conduzidos por Deus, levaram os jovens a reflectir no tema "Cristo, a medida de todas as coisas". Os jovens tomaram decisões muito importantes neste acampamento, houve conversões e decisões pelo ministério.Glória a Deus por isso! Este ano, pude participar de uma forma mais intensa, dando uma palestra só para meninas (os rapazes tiveram uma palestra à parte, com o pastor Jónatas Lopes). Falámos sobre a Mulher Virtuosa de que a Bíblia nos fala. Estas coisas não são fáceis para mim, que sou pessoa introvertida, mas pela graça de Deus correu tão bem que as meninas pediram um "encore" e realizámos mais uma sessão no último dia. Muitas perguntas foram colocadas por estas jovens. Fiquei de coração cheio por notar o interesse e a avidez destas meninas em querer conhecer a vontade de Deus para a mulher. Fui muito abençoada por estas meninas.  E que a Palavra  de Deus as possa ter tocado no seu íntimo, pois só pelo temor a Deus e na força do Seu Espírito conseguiremos ser mulheres virtuosas. Nunca esquecerei esta experiência. Que Deus guarde cada um destes jovens.

 Palestra das meninas


Palestra dos rapazes

7 de setembro de 2013

De volta

No próximo domingo, fará sete meses que regressámos ao continente (como o tempo passa...). A nossa vida e os nossos corações pertencem cada vez mais a este lugar e a estas pessoas. Já sentimos as ruas como "nossas", já nos sentimos "em casa". Este mês, a igreja proporcionou-nos um mês completo de férias e estamos muito gratos a Deus por este tempo de descanso e reflexão. Foi mesmo muito importante para nós. Este foi um ano de muitas e profundas mudanças. Damos muitas graças a Deus pela forma como todo este processo de adaptação tem decorrido, em especial no que se refere aos nossos filhos, que começam a fazer novos amigos e a gostar cada vez mais da vida aqui. É curioso que, durante as nossas férias, a dada altura partilhávamos que sentíamos saudades dos irmãos da igreja de Queluz. Já os amamos muito. Durante as férias, pudemos perceber a orientação de Deus para a igreja em diversas áreas e regressamos prontos para arregaçar mangas (e dobrar joelhos) para, em conjunto com os nossos irmãos, servir o nosso Deus neste lugar. Volto de férias também com o desejo de dedicar mais algum tempo ao blogue. Espero conseguir. Até breve!

4 de agosto de 2013

Linguagem rebuscada

O meu filho Miguel, enquanto conversava com a minha irmã a respeito dos graus de parentesco, sai-se com esta: “Eu tenho muitas tias, mas só tenho um tio..." E conclui: "O tio Gustavo é o meu tio unigénito!”