No outro dia, vira-se para mim e pergunta: “- Mamã, qual é a profissão que dá muito, muito dinheiro?” Eu: “- Assim de repente, sei lá, talvez jogador de futebol.” Ele (escandalizado): “- O quê? Um jogador de futebol?” (com ar de quem está a pensar algo do género ‘mas eles nem têm de estudar muito!’) E pergunta logo de seguida: “- Então e os pilotos de avião?” Eu: “- Bem, esses também ganham bem.” Ele: “- Pois, mas eu não gostava de ser piloto. É uma profissão que é uma grande chatice!” Eu: “- Uma grande chatice? Mas porquê?” Resposta dele: “- É uma grande chatice porque eles têm de aguentar muito tempo sem poder fazer xixi!”
5 de novembro de 2013
Diálogos 1
Miguel: “- Mamã, a Dona F. deve ganhar muito dinheiro, não é? Cada dia trabalha numa casa diferente e ainda trabalha na farmácia ao final do dia!” (nota: esta senhora é empregada de limpeza)
Eu: “Olha que não, antes pelo contrário. Ela ganha pouco em cada sítio onde trabalha, por isso é que tem de trabalhar em tantas casas e ainda na farmácia. Só juntando tudo é que consegue fazer um ordenado mais ou menos bom.”
Passado uns tempos, alguém comentava que o seu filho trabalhava numa farmácia (nota: com licenciatura).
Comentário do meu filho: “Então, ele ganha pouco; a minha mãe é que disse.”
(que vergonha, lol)
4 de novembro de 2013
Cabacos
Pego no último número da revista “Lar Cristão” e pergunto ao meu filho mais novo: “Quem é que está aqui na capa da revista?” Esboça um grande sorriso e responde de imediato: “Xami!” (Sami) Abro a revista e começo a folhear. Dali a pouco, mostro-lhe uma foto mais pequenina, a preto e branco, também do Samuel Úria, que vem no interior da revista, mas em que este aparece com um corte de cabelo mais curtinho. Pergunto: “E quem é este?” O meu filho fica a olhar por uns segundos…hesita…e lá responde muito depressa: “Cabacos!” (Cavaco)
31 de outubro de 2013
O homem certo
Certa vez, ouvi esta história e achei-a deliciosa. Michelle e Barac Obama foram jantar fora. Estavam eles no restaurante e, a meio do jantar, o empregado de mesa que os servia pediu a Michelle se podia tirar uma fotografia com ela. Michelle Obama consentiu. Tirada a fotografia, Michelle confidenciou ao marido: “Sabes, este rapaz foi meu namorado na juventude.” Barac Obama, em tom de gozo, disse a Michelle: “Quer dizer que tu podias ter sido esposa de um empregado de mesa?” Michelle, muito segura de si, responde ao marido: “Não! Quer dizer é que este rapaz podia ter sido o Presidente dos Estados Unidos da América!” Esta história encerra uma verdade preciosa: a pessoa que escolhemos para casar connosco deve ajudar-nos a crescer. A crescer como pessoas e, acima de tudo, a crescer na fé. Eu desejo que o meu marido seja o melhor dos pastores, para honra e glória de Deus. No que depender de mim, vou esforçar-me por ajudá-lo a crescer muito com Cristo. Querem saber qual o homem certo para vocês? Querem saber qual o homem que Deus vos quer dar? Abram bem os olhos e vejam se esse rapaz vos faz desejar crescer no Senhor.
(Tirado da palestra “Mulher Virtuosa”, para as meninas do Acampamento de Jovens 2013)
25 de outubro de 2013
23 de outubro de 2013
Sucinto
O meu filho mais velho não é muito dado a grandes textos. Sempre que traz trabalhos de língua portuguesa, começa logo a pensar como é que poderá responder às perguntas da forma mais breve possível. Não gosta de grandes desenvolvimentos. Por vezes, aborreço-me com ele, pois tem de dar respostas completas e não gosto que ele responda a correr. Pois bem, há dias trazia perguntas sobre um texto de um menino que gostava muito de ver um álbum de fotografias antigo, onde existia uma foto de uma menina muito bonita, que usava uma fitinha azul na cabeça, e que o menino achava que devia ser uma fada. Pergunta de interpretação: ”O que sabia o menino acerca da menina da fotografia?” Resposta do meu filho: “Sabia pouca coisa.” (lol)
Pura ficção
Há cerca de oito anos que os desenhos animados do Ruca são uma presença habitual na televisão da nossa casa. Eu tinha a ideia de que o dia-a-dia do Ruca era bastante parecido com a vida real, sem grande espaço para o imaginário, ao contrário da maioria dos desenhos animados. Mas isso foi só até ver, com mais alguma atenção, dois episódios, que passaram recentemente na TV. Num deles, a família estava a sair de casa apressadamente e o Ruca lembrou-se à última da hora que queria levar uns esquis para a neve. A mãe, muito doce, disse-lhe que ele deveria ter pensado nisso com mais antecedência, pois este ano ainda não tinha tirado dos arrumos as coisas de inverno, e não sabia bem onde estavam os esquis. Mas, perante a tristeza do Ruca, a mãe (que estava cheinha de pressa)… voltou serenamente atrás e foi procurar os esquis! (what?) No outro episódio, o Ruca recebeu uma camisola de malha feita à mão pela avó. Gostou tanto da camisola que vestiu-a de imediato. Estava calor, mas a mãe deixou. Até aí tudo mais ou menos bem. Agora vem o pior: dormiu com ela vestida nessa noite! A mãe deixou. Levou-a vestida para a escola - note-se – vários dias seguidos! A mãe, sempre serena, deixou. A dada altura, a mãe meteu, finalmente, a camisola para lavar. Porém, o Ruca foi buscá-la à roupa suja e voltou a vesti-la (!) e levou-a para a escola. Quando a mãe chegou à escola e o viu com a camisola suja vestida, muito tranquilamente, só lhe perguntou “Eu não tinha posto essa camisola para lavar?”, mas ficou-se por aí, tendo compreendido perfeitamente que o filho a tivesse ído buscar ao cesto da roupa suja. E não ralhou com ele, nem pestanejou, (nada!), perante a figurinha que o filho andava a fazer. Só quando a camisola estava mesmo uma tristeza, cheia de nódoas, é que o Ruca lá acedeu em tirá-la. Afinal de contas, a série Ruca está repleta de fantasia, pura ficção.
22 de outubro de 2013
Saber ouvir
É muito importante termos pessoas nas nossas vidas que nos apontam onde estamos a falhar. É certo que temos a nossa consciência, que faz isso melhor do que qualquer pessoa, mas por vezes parece não chegar. Ouvir da boca de quem respeitamos onde estamos a falhar é, por vezes, o clique que falta para operar uma mudança. O meu marido, familiares, amigos e irmãos na fé são, por vezes, importantes portadores de ‘recados’ da parte de Deus para mim. Ontem, foi a vez do meu médico. Ouvi e encaixei. Que Deus me rodeie sempre de pessoas destas e que nunca permita que eu endureça o meu coração perante as suas difíceis, mas sãs, palavras. Somos barro que está a ser moldado pelo Oleiro.
21 de outubro de 2013
O impacto do Evangelho
“Recentemente, um homem nos procurou em estado de grande agitação. Havia observado um rapazinho a roubar algum dinheiro da cesta das ofertas, após o culto. Ele sentia genuína preocupação com o rapaz. Sugeri que ele conversasse com o pai do menino, a fim de que o filho pudesse beneficiar da correção e da intervenção do pai. Alguns minutos depois, o menino e o pai pediram para falar-me, em meu gabinete. O menino mostrou algum dinheiro e disse que o havia tirado da cesta das ofertas. Ele estava em lágrimas, expressando sua tristeza e pedindo perdão. Comecei a conversa, dizendo-lhe: ‘Carlos, estou muito feliz porque alguém viu o que você fez. Que grande misericórdia de Deus, ao providenciar para que você não escapasse disso! Deus lhe poupou de endurecer o seu coração, o que acontece quando alguém peca e sai ileso da experiência. Percebe como Deus foi gracioso com você?’ O menino olhou-me nos olhos e concordou. ‘Sabe, Carlos’, continuei, ‘é por isso que Jesus veio. Jesus veio porque pessoas como você, seu pai e eu temos corações que desejam roubar. Você percebe que é capaz de ser tão ousado e atrevido que rouba até as ofertas que as pessoas estão dando a Deus? Mas Deus teve tanto amor por meninos ímpios que enviou o seu Filho, a fim de transformar o coração dos meninos e homens e torná-los pessoas que são doadoras e não ladrões’. Nesta altura da conversa, Carlos caiu em soluços e retirou do bolso mais um maço de notas que havia tirado da cesta. Ele havia começado esta breve conversa pronto a “fazer-de-conta” e devolver apenas parte do dinheiro que havia pegado. Algo aconteceu enquanto me ouvia falar da misericórdia de Deus para com pecadores ímpios. Não havia acusação no meu tom de voz. Nem seu pai nem eu sabíamos que havia mais dinheiro. O que aconteceu? A consciência de Carlos foi atingida pelo evangelho! Algo do que falei ressoou dentro deste coração jovem e enganador. O evangelho causou impacto na consciência dele.”
(Tedd Tripp, em Pastoreando o coração da criança)
17 de outubro de 2013
Jesus chorou
Enquanto lia aquela passagem - que já li tantas outras vezes – da morte de Lázaro, comovi-me profundamente com um pormenor sobre o caráter de Jesus. Diz o texto que Jesus amava Lázaro, bem como as suas duas irmãs, Marta e Maria. Era amigo deles. E quando Lázaro morreu, conta a Bíblia que Jesus, ao ver Maria chorar pelo seu irmão, “moveu-se muito em espírito, e perturbou-se”. E, logo a seguir, diz o texto que “Jesus chorou”. Os judeus que ali estavam comentaram acerca de Jesus “Vede como o amava”. Foi isto que me impressionou. Jesus sentiu a dor e o sofrimento causado pela morte de uma pessoa. Ele sabe como é tão triste e devastador passar por uma situação destas. Jesus sabia que Lázaro não ía permanecer morto e que ía ressuscitar. Estava prestes a acontecer um milagre tremendo! Tudo estava sob o controlo de Jesus. Ele não chorou de desespero. Mas, ainda assim, Jesus foi sensível à dor dos que choravam por Lázaro. Por estes dias, duas pessoas muito queridas para mim perderam as suas mães, sem que estivessem a contar com isso. Por estes dias, também, uma mulher partilhava comigo a dor tremenda de ter perdido um bebé no parto, há 30 anos atrás. Nunca ultrapassou essa dor. Ao ler esta passagem, senti o amor de Jesus de uma forma muito especial por aqueles que sofrem. Jesus compadece-se, chora connosco. Jesus está presente nesses momentos. O Senhor é um Deus de amor, que cuida, conforta e que traz sempre consigo uma nova esperança. “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei”, disse Jesus. A dor pode tomar proporções gigantescas na vida das pessoas que não a depositam nas mãos de Jesus. Mas os que se aproximam de Deus, quebrantados, são por ele limpos e libertos dessas cargas. Não existe outro Deus como o Senhor. Um Deus que perdoa e que cura o nosso interior sofrido. Deus é amor!
Caracóis
Acho que ainda não contei aqui esta. De vez em quando, a minha filha pede-me para lhe fazer caracóis. Este é um desejo típico das meninas que têm cabelos lisos. Por isso, volta e meia, faço-lhe trancinhas antes de a deitar e, no dia seguinte, desmancho-lhe as tranças e ela fica uma autêntica Diana Ross. Pois bem, naquela fase de adaptação em que a minha filha chorava na escola, um dia o pai ía levá-la de manhã e, antevendo as lágrimas, perguntou-lhe: “Hoje não vais chorar na escola, pois não?” Resposta dela, muito segura de si: “Chorar? De caracóis? Achas?” (lol)
16 de outubro de 2013
Educação cristã
É um descanso tão grande saber que, este ano, os meus filhos mais novos não vão ser ‘bombardeados’ na escola com o Halloween, nem vão sofrer pressão para pedir ‘Pão por Deus’ (nos Açores esta última ainda tem alguma força social). Que Deus abençoe e multiplique as escolas de orientação cristã evangélica.
Novas criaturas
O evangelho não é uma mensagem sobre fazer coisas novas. O evangelho é uma mensagem sobre como ser uma nova criatura. Ele fala às pessoas como pecadores imperfeitos, caídos, que têm necessidade de um novo coração. Deus deu-nos o Seu Filho, a fim de fazer-nos novas criaturas. Deus realiza uma cirurgia ao coração, não uma cirurgia plástica facial. Ele produz mudança de dentro para fora. Rejeita o homem falso que jejua duas vezes por semana, mas aceita o pecador que clama por misericórdia.
Tedd Tripp (em “Pastoreando o coração da criança”)
10 de outubro de 2013
Açorianos
Mais cedo ou mais tarde, vamos ter de mudar de apartamento, pois aquele onde vivemos foi comprado quando ainda não tínhamos filhos, tendo-se tornado pequeno para a nossa família. Sabendo desta nossa intenção, o meu filho sugeriu, com entusiasmo: “Comprem uma casa com árvores!”
A minha filha, referindo-se aos aglomerados de casas que existem em Portugal continental: “O continente parece muitas, muitas, muitas ilhas juntas!”
O meu filho: “Papá, quando é que vamos à doca pescar?”
A minha filha, pronunciando-se a respeito do apartamento novo das primas: “A casa das primas, se tirarmos o prédio, é uma casa que é uma maravilha!”
No hipermercado, enquanto comprava legumes, o meu filho aproxima-se de mim, aponta para uma caixa e pede a desejo: “Compras-me batatas doces?” (nos Açores é comum comermos batatas doces como acompanhamento do prato principal)
Enquanto a minha filha brincava com a prima mais nova, ouvi este diálogo único: “Dei um fu-fu!” – diz a minha filha (pausa) Resposta da prima: “Aqui não se usa isso, Mariana! Aqui diz-se: eu dei um pum!” (lol)
30 de setembro de 2013
Feliz
Por estes dias, fui à reunião da escola da minha filha. Ali chegada, a educadora chamou a atenção dos pais para uma mesa que estava repleta de desenhos das crianças e pediu-nos que tentássemos descobrir qual era o desenho do nosso filho. Aproximei-me da mesa e vi que cada desenho tinha escrito no cabeçalho “Quem sou eu?” e depois, no rodapé, dizia: “Eu sou…” e tinha 2 ou 3 adjectivos que as crianças disseram sobre si próprias. Depois de olhar um pouco para os desenhos, houve um que me pareceu corresponder ao traço da minha filha, mas os adjectivos que acompanhavam o desenho fizeram-me hesitar. Os adjectivos eram: “(Eu sou) bonita e feliz!” Hesitei pelo seguinte: a minha filha tem sido a que mais tem “sofrido” com a nossa mudança dos Açores para cá. Ela é muito ligada às pessoas e é muito “açoriana” também. Por diversas vezes, tem-nos perguntado quando é que as nossas “férias” no continente acabam; diz frequentemente que tem saudades dos amigos, da escola e da igreja do Faial; lamenta-se que esta “ilha” não é tão bonita, enfim, ela tem muitas saudades daquele que era o seu pequeno mundo. E para mim, como mãe, é uma dor ouvir estas coisas. Felizmente, já não chora, como aconteceu no princípio. Mas, isto talvez seja aquilo que mais me tem custado nesta fase de adaptação. Tento sempre explicar-lhe, com muita calma, que a nossa vida agora é aqui, que estamos a servir a Deus neste lugar, e que aqui há tantas coisas boas… Ela parece ficar convencida, mas sei que, volta e meia, torna a lamentar-se pelos Açores. Pois bem, voltando aos desenhos, decidi não arriscar, e peguei noutro desenho que ali estava, mas quando virei a folha para ver o nome do seu autor, dizia “Rafaela”. Pousei o desenho muito depressa e corri para agarrar aquele que tinha visto em 1º lugar. Virei-o e lá estava, bem escancarado: “Mariana”! Fiquei TÃO emocionada… Senti um calor no rosto, os meus olhos encheram-se de água… “A minha filha é feliz!”, pensei eu, “Ela é feliz neste lugar!!!” (Só me apetecia contar a toda a gente!) Acho que nem me consegui concentrar bem na reunião, pois só pensava no desenho… “F-e-l-i-z”! Deus é bom em todo o tempo! É fiel! Cuida de todos os pormenores. Ela só tem saudades dos Açores, só isso. Mas é FELIZ! Deus seja louvado! Que sejas sempre feliz, filha, sempre! A nossa felicidade está no Senhor.
27 de setembro de 2013
Pepino
Naquela noite, decidi contar-lhes a história da rainha Ester. A minha filha
gosta de histórias de ‘princesas’, por isso fiz-lhe o gosto. Estava eu a
contar, com demorado pormenor, aquela parte em que o Rei mandou chamar todas as
jovens solteiras do reino, para escolher uma para sua esposa, e que a escolhida
foi Ester, uma jovem humilde, que não tinha pais, que foi criada por um primo, mas que era lindíssima, uma
beleza que chamava a atenção de todos…” Nisto, o meu filho interrompe-me (como
já é habitual), para fazer um comentário, dizendo: “Ela era bonita, já o rei
nem por isso… era um pepino!”. Um pepino?, pensei eu… Sem perceber bem onde é
que ele tinha ído buscar esta do “pepino”, dei uma gargalhada e lá continuei a
história. A certa altura, começo a falar do maléfico Hamã e dos seus terríveis
planos contra o povo judeu. Nisto, o meu filho interrompe-me e diz: “Esse era
uma batata!” Foi então que se fez luz na minha cabeça e perguntei ao meu filho:
“Ouve lá, tu andaste a ver algum filme dos ‘Vegetais’?” Sim, vi no acampamento
o filme dos Vegetais sobre a rainha Ester!”
(Está explicado! Lol)
26 de setembro de 2013
Regresso ao trabalho
Trabalhar fora é voltar a passar grande parte do meu dia rodeada de pessoas que não partilham a mesma fé do que eu. É procurar conhecê-las, compreendê-las, perceber as suas necessidades e amá-las com o amor de Jesus. É responder-lhes sobre os motivos que me levaram a ir para os Açores e, depois, a regressar dos Açores. É receber olhos de espanto (e isto é engraçado) quando percebem que são colegas de uma "esposa de pastor". É explicar a cada um sobre o que é uma igreja baptista, o que são os evangélicos e no que cremos (ainda há muito desconhecimento e confusão sobre isto). É perceber como pensam as pessoas que não são da igreja, o que as move, o que as frustra. É procurar manter-me coerente com a minha fé num ambiente não protegido, como a igreja. É ter a consciência de que o meu testemunho pode ser determinante. E é poder partilhar estas experiências diárias com o meu marido e, desta forma, ajudá-lo também a perceber como é a sociedade para além da igreja. É um grande desafio e também uma grande responsabilidade poder trabalhar fora. Que Deus me dê sempre sabedoria e integridade no trabalho.
23 de setembro de 2013
Testemunho
Quando, no ano passado, começámos a perceber que Deus nos estava a orientar
no sentido de regressarmos ao continente para aqui servirmos a Sua igreja,
houve um aspeto que, desde logo, nos fez refletir: o meu emprego. Depois de
vários anos como contratada, eu tinha entrado recentemente para os quadros da
Administração Pública – tinha um “emprego para a vida”. Decidimos entregar esse
assunto nas mãos de Deus e continuámos a buscar a Sua vontade. Havia, porém, um
pormenor muito delicado neste processo: é que as transferências dos Açores para
o Continente estavam (e estão), na prática, “congeladas”. Logo, o mais certo seria eu não
conseguir transferir-me e perder o meu vínculo. O Senhor acabou por nos levar a
perceber que era mesmo para voltarmos e quando Deus fala só nos resta obedecer (pois a
Sua vontade é sempre boa e perfeita). Assim sendo, falei com o meu chefe, expus
a situação e comecei a tentar uma transferência para o continente. Começou
então a surgir uma hipótese de transferência para Lisboa, mas sem certezas.
Curiosamente, em fevereiro, no dia em que estávamos a sair da nossa casa nos
Açores, para apanharmos o avião para Lisboa, o meu telemóvel tocou. Pousei as
malas, atendi o telemóvel, e era o meu chefe a dizer que a transferência tinha
sido autorizada. Percebemos que Deus estava no controlo da situação. Viemos
para Lisboa em paz, eu iria começar a trabalhar em março. Porém, daí para a
frente, o processo começou a embrulhar e a embrulhar, o que me levou a ter de
meter uma licença sem vencimento até que tudo ficasse resolvido. Os meses foram-se
passando e nunca mais se via uma luz ao fundo do túnel. Era uma assinatura que
faltava, era um papel que tinha de ser junto, era um pormenor que tinha de ser
retificado, o processo mais parecia não ter fim. A Igreja de Queluz foi
extremosa durante todo este processo. Oraram por nós, sustentaram-nos, apoiaram-nos
em tudo. A demora foi tanta que, a dada altura, comecei a temer que não se
resolvesse mais. Decidi, então, candidatar-me a um concurso público - o curso
de estudos avançados em gestão pública - que abriu aqui no continente e que,
findo o qual, me daria acesso a um lugar na Administração Pública de cá. Pela
graça de Deus, fiquei apurada neste concurso, mas, ainda antes do curso
começar, a minha transferência dos Açores para Lisboa, finalmente, resolveu-se!
Comecei a trabalhar na 6ªf passada, mantendo assim o meu vínculo e continuando
ligada a um serviço que creio que vou gostar muito. Estou muito feliz e
agradecida a Deus também pelos meses em que estive em casa, acompanhando o meu
marido, os meus filhos e a igreja, nesta fase de adaptação ao continente e ao
novo ministério. Nada aconteceu por acaso. Tudo aconteceu no tempo certo. Não
foi fácil a espera, foi muito duro. Mas saímos desta experiência com uma visão ainda
mais reforçada da soberania de Deus e da Sua fidelidade. Deus é BOM!
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