1 de junho de 2011

Prioridades

(centro da cidade da Horta, ao início de uma tarde de sábado)

Cá se fazem...

Lembro-me de ser bem pequenina e de ver a minha irmã chorar horrores por eu lhe riscar as bonecas com marcadores. Lembro-me em especial da pintura que fiz na sua boneca predilecta: a Nancy. Que maldade... Mas, no meu entender, eu estava apenas a maquilhá-las... Pois bem, tudo se paga nesta vida, que o digam as bonecas da minha filha, que, sem que eu desse conta, foram todas "maquilhadas"... (ai!).

28 de maio de 2011

3 anos

A nossa filha faz hoje 3 anos. A nossa única menina. Linda, inteligente, perspicaz, independente, sempre pronta a ajudar. É obediente e pede desculpa facilmente. Fã absoluta do irmão mais velho, maternal para com o mais novo. Vaidosa. Canta afinadamente. Líder. Tem uma característica deliciosa: consegue rir-se de si própria. Damos muitas graças a Deus pela nossa princesa, que de há 3 anos para cá enche os nossos dias de alegria. Parabéns, filha!

27 de maio de 2011

Linguagem rebuscada

Desde pequenino que me dizem que o meu filho tem uma linguagem rebuscada (ver aqui). Pois parece que a tendência mantém-se. Há dias, quando a minha mãe esteve aqui nos Açores, ouvi um diálogo delicioso entre o meu filho e a avó:
Avó: - "Queres alguma coisa antes de ires para a cama?"
Resposta: "Hum.. ok, pode ser um lacticínio!"
(lol)

Eureka!

Por estes dias o meu marido e o meu filho foram ao cabeleireiro. Regressados de lá, o meu filho sai-se com esta:
-"Mamã, sabes, o cabeleireiro tinha um colar no pescoço..." - diz com um ar pensativo.
-"Pois..." - disse eu, meia embasbacada com a observação dele, sem saber muito bem o que dizer mais acerca do estilo "fashion" do senhor, temendo até o que ele me pudesse perguntar a seguir... Mas, de imediato, ele próprio descobriu a razão de ser da coisa:
-"Já sei! O meu cabeleireiro é um homem do rock!"
(lol)

24 de maio de 2011

No meio do mundo

(Ir. Márcia Venturini e Pr. Francisco de Souza)

Nas minhas últimas semanas de gravidez, li o livro "No meio do mundo - as memórias açorianas de Márcia Venturini". Amei. O livro leva-nos a viajar até meados dos anos 70, quando se iniciou o trabalho baptista nos Açores. Uns Açores muito diferentes dos de hoje, menos desenvolvidos. Uns Açores, ainda assim, muito semelhantes aos de hoje, em que a principal dificuldade dos missionários era tentar fazer perceber às pessoas que precisam de Cristo quando essas mesmas pessoas já se consideram religiosas. Ler este livro foi muito emocionante para mim, pois conheço pessoalmente algumas das personagens, ou, noutros casos, os seus descendentes. Foi como que perceber o início da minha própria história. O relato da fundação das primeiras igrejas açorianas, a construção do templo da Praia da Vitória e muitos outros episódios, deixa-nos arrepiados. Puros milagres. O trabalho nos Açores teve no seu início pastores maravilhosos: Francisco de Souza, Diné Lota, Elton Rangel... Vieram do outro lado do oceano para trazer a Palavra aos açorianos. Curiosamente, dias depois de acabar de ler o livro, recebemos a visita do pastor Joed Venturini de Sousa, filho de Márcia Venturini, também ele, naturalmente, uma das personagens do livro. Aparece como menino e, mais tarde, como um jovem, que colaborava no ministério dos pais, por exemplo, ajudando nas obras de construção do templo. Ouvi-lo falar dos seus pais e do início do ministério nos Açores, com pormenores que não vêm no livro, foi maravilhoso. Também ele um servo de Deus, que nos deixou uma poderosa palavra de encorajamento. Quase dá vontade de escrever a continuação do livro. Ao conhecer a história do início do trabalho nos Açores percebemos o imenso amor que Deus tem pelos açorianos. Uma história de muitas lutas e de miraculosas vitórias. Aconselha-se esta leitura. Muito edificante.

Um episódio curioso

No meu segundo dia de internamento na maternidade, entrou no meu quarto uma senhora cuja imagem já me era familiar, pois recordava-me dela das outras vezes em que ali estive internada. Pertence à igreja católica e vai distribuir a "comunhão" (hóstias) pelos doentes. Expliquei-lhe que era evangélica e a senhora aceitou bem. Conversámos um pouco, ela deu umas festinhas ao meu bebé e foi embora. No quarto ao lado, estava internada uma irmã da nossa igreja. Se não fosse uma terceira mulher que estava ali internada, aquela senhora tinha ído embora da maternidade sem distribuir uma única hóstia, pois as mães eram quase todas evangélicas. O Faial já não é o que era, terá provavelmente pensado.

Novos nascimentos

Dois dias antes do Tomás, nasceu o João Pedro, filho de um casal da nossa igreja. Foi o colega de maternidade do Tomás. Desde Outubro passado, nasceram cinco novos bebés na nossa igreja: duas meninas e três rapazes. Em Junho nascerá o 6º e, para já, último bebé deste ano: o Miguel. É uma alegria e uma bênção ter uma igreja cheia de bebés.

13 de maio de 2011

Tomi

Faz amanhã uma semana que o Pastor Tomi foi para o Céu. O co-responsável (com Deus) de termos vindo para os Açores. A notícia da sua inesperada partida deixou-nos perplexos (partiu tão cedo...), saudosos, mas também em paz. Ele era um servo de Deus e cumpriu a sua missão aqui. Ao saber da sua partida, recordei o ano de 2004, quando, num retiro de pastores, quis Deus que o pastor Tomi (então, presidente da Convenção Baptista) e o meu marido tivessem uma conversa. O meu marido partilhou com ele o desejo de servir uma igreja que estivesse sem pastor e o pastor Tomi falou-lhe dos Açores. Foi assim que tudo começou. Semanas mais tarde, recebeu-nos no seu gabinete, na Igreja de Queluz, onde nos falou mais a fundo do ministério da Igreja da Horta. O panorama não era muito atractivo. Tratava-se de uma igreja pequena, que tinha passado por problemas graves recentemente. Por outro lado, o Faial era uma ilha pequena, distante e iríamos ficar isolados da família e amigos. Procurando mostrar-nos um possível aspecto positivo, recordo que nos disse com o seu peculiar sentido de humor: "Bem, se forem para os Açores terão uma grande hipótese de ter uma casa com vista para o mar!" Curiosamente, viemos viver para o único lugar da ilha onde não se vê o mar. Depois de termos vindo para os Açores, recebemos a sua visita por duas ou três vezes. Era uma pessoa tão fácil de receber. Simples. Talvez as pessoas não saibam, mas eram tão importantes estas visitas. Tínhamos oportunidade de lhe falar do nosso trabalho, das dificuldades e das vitórias. Orava sempre por nós, impondo-nos as mãos. Levava-nos a comer fora (o que também sabe sempre bem). Sentíamo-nos muito apoiados. Da última vez que cá esteve, em 2007, trouxe consigo a esposa, Bela - um amor de senhora. Em conjunto, ministraram para os casais da nossa igreja num abençoado retiro. Partiu agora para o Senhor. Nos nossos corações ficam as boas recordações e um sentimento de gratidão pela marca que deixou nas nossas vidas. Era um servo do Senhor.

26 de abril de 2011

12 de abril de 2011

Bem-vindo, Tomás!



Nasceu no dia 10.04.2011, pelas 14h43, com 3.200kg e 48,5 cm. Correu tudo bem, agradeço muito as vossas orações, pude senti-las muito. O Tomás é lindo e estamos todos felicíssimos com a sua chegada. Até breve, amigos...

3 de abril de 2011

Até breve...

Hoje completo 39 semanas. O Tomás deverá nascer nos próximos dias. Tudo está preparado para a tua chegada, meu amor. O papá e os manos também estão desejosos por te conhecer. É quando quiseres. À tua espera estão mimos sem fim. Irei fazer uma breve pausa no blogue, mas dar-vos-emos notícia do nascimento. Até breve.

Estar preparado - parte 2

Tenho vivido estas últimas semanas de malas feitas. Todos os dias, os meus olhos batem no saco de viagem que vou levar para a maternidade. Tudo está preparado. As minhas roupas, as do Tomás, os nossos produtos, tudo está organizadinho ao pormenor. Nada falta. É um descanso saber que quando ele der sinal, estará tudo preparado para a nossa viagem até ao hospital. Todos os dias acordo sem saber se na próxima noite ainda irei dormir em casa. É uma perspectiva de vida que me faz ter planos a prazo mais curto, pois tudo tem de estar pronto para essa eventualidade. Talvez seja este o modo correcto de viver a vida. De malas feitas. Sem pontas presas. De bem com todos. De bem com Deus.

Estar preparado - parte 1

Aqui há uns tempos, depois de um dia dedicado a limpezas, preparava-me para ir descansar (já de pijama), quando me apercebo que ficou a faltar despejar o saco do lixo, que tinha ficado mesmo junto à porta da entrada. Aquele lixo começou a fazer-me cócegas, não o podia deixar ali. Abro a porta de casa, já era noite cerrada. O contentor do lixo fica mesmo do outro lado da rua, uns sete metros de distância, no máximo. A rua estava deserta e silenciosa. Decido arriscar. Mesmo de pijama e chinelos, arranco em direcção ao contentor do lixo. Estava eu a abrir a tampa do contentor quando ouço: "Olá vizinha!"... Quase que morria! A minha vizinha e a filha tinham-me visto e apressavam-se na minha direcção para me cumprimentar. Envergonhadíssima, pedi-lhes deculpa pelo meu traje e cumprimentei-as. "Venha aqui a casa num instante ver uns arranjos de flores que estamos a fazer, venha!" - pediram-me com insistência. Sem jeito, acabei por aceder. Enquanto me dirigia para a casa delas, outra vizinha aparece à janela da sua casa e vê-me naqueles trajes, dizendo-me "Boa noite, vizinha!" (e eu pra morrer). Vi os arranjos de flores, vi a nova decoração da sala, cumprimentei o filho... e lá voltei para casa, vermelha de vergonha, com o meu pijaminha de ursinhos e chinelinhos de quarto. Uma coisa aprendi naquele dia: nunca, mas nunca, vale a pena arriscar. Não há nada como estar preparado para o que der e vier.

O tempo de Deus

Ela era a mais nova de uma família de nove irmãos, da ilha do Pico. Hoje, penso que na casa dos 70, recorda esta história ainda ao pormenor. O seu pai, homem íntegro e humilde, foi um dia evangelizado pelo missionário Cox, era aquela mulher ainda criança. O pai converteu-se a Cristo e, a partir daí, passou a abrir as portas da sua casa para fazer estudos bíblicos, numa ilha onde não havia nenhuma igreja evangélica. Chegava a andar 50 km a pé para ir levar o Evangelho a outros. Na escola, os meninos chamavam-na de "filha do protestante". O rótulo era de tal forma pesado que chegou a dizer ao pai que não queria ir mais à escola, e que tinha medo, pois as crianças chamavam-na de "protestante". Foi então que o pai lhe ensinou a resposta: "Diz-lhes que protestamos contra a mentira". A partir daí, nunca mais a incomodaram. O pai faleceu muito cedo, era ela ainda uma adolescente. Com a morte do pai, a mãe, católica, não deu seguimento à educação cristã-evangélica que os filhos vinham recebendo e passou a encaminhá-los para a igreja católica. Entretanto, a mãe faleceu em poucos anos. Casou nova, com o seu primeiro e único namorado, um faialense, que se mantém ao seu lado até hoje. Viveu toda a sua vida dentro da tradição católica e era uma católica fiel e dedicada. Porém, recordava sempre com carinho os ensinos e o testemunho que o seu pai lhe passou em criança. Há cerca de uma dúzia de anos atrás, foi com uma amiga (que se havia convertido) passar um fim-de-semana à sua ilha de origem - o Pico. À noite, a amiga pegou na Bíblia e começou a lê-la em voz alta. O seu coração começou a arder com aquela Palavra. De repente, parecia estar a reviver aqueles serões, em criança, quando o pai lia a Bíblia para a família. A amiga convidou-a para ir à sua igreja, no Faial. No domingo seguinte, entrou pela primeira vez na Igreja Baptista. Cantavam o hino "Foi na cruz, foi na cruz, onde um dia eu vi meu pecado castigado em Jesus". Era um dos hinos que o pai cantava. Nesse dia, teve um encontro real com Deus. Converteu-se e é até hoje um dos pilares da nossa igreja. É uma inspiração para mim e para todas as mulheres da igreja. E pensar que tudo começou com uma semente plantada no coração de uma criança que deu fruto mais de cinquenta anos depois. O seu pai teria gostado de saber. O missionário Cox também. De facto, o tempo de Deus não é o nosso. Deus seja louvado!

21 de março de 2011

Misakiriki

Deitada ao seu lado, luz apagada, depois de orarmos, pede-me: "Mamã, conta-me uma história da Bíblia!"
-"Ok, eu conto. Mas tem de ser uma pequenina porque já é tarde!" Decido então contar-lhe a história da viúva de Sarepta.
-"Era uma vez uma mulher..." - começo eu.
-"Como é que se chamava a mulher?" - interrompe-me.
-"Não sei, a Bíblia não diz o nome dela."
-"Não diz?"
-"Não, não diz. Mas, vá, deixa-me continuar!" E lá continuo. "Aquela mulher vivia apenas com o filho, pois o seu marido já tinha morrido."
-"Mas ela também tinha um bebé na barriga." - acrescenta ele como se conhecesse perfeitamente a história.
-"Um bebé na barriga? Não tinha nada. Ela tinha apenas aquele filho."
-"Tinha um bebé na barriga, sim senhor. A Bíblia é que não conta." - diz-me muito convicto.
-"Ó filho, mas tu queres ouvir a história como ela é ou vais estar sempre a interromper a mamã?"
-"Continua lá, mamã! Eu não digo mais nada."
-"Pois bem, aconteceu então que essa mulher e o filho não tinham nada para comer, apenas um pedaço de farinha e um pouco de azeite. Foi então que..."
-"Já sei! - interrompe-me bruscamente com um ar de felicidade. E acrescenta: "Misakiriki!"
-"O quê? O que é isso?" - pergunto estupefacta.
-"Misakiriki, era o nome da mulher!"
(Lol)

Coração bom

Há uns bons tempos atrás, o meu filho achava que toda a gente acreditava em Deus. Entretanto, começou a aperceber-se que os meninos da sua escola não oram antes de comer, que alguns deles dizem piadas quando se fala de Jesus e que não vão à igreja. Curiosamente, isto preocupa-o. "A nossa igreja tem tão pouquinhas pessoas" - disse ele há dias, consciente de que muitas pessoas que fazem parte do seu quotidiano não frequentam a nossa igreja. E nós que até andamos satisfeitos por ter sempre os cultos tão bem compostos, por vezes sem muitos lugares vagos, ficámos boquiabertos com a visão missionária do nosso filho. "Ainda somos tão pouquinhos". Há dias, partilhou connosco que perguntou a duas meninas se acreditavam em Deus e que elas lhe responderam que não. "Não? Mas assim vocês vão ter uma vida muito triste e pouco dinheirinho!" - respondeu-lhes na sua inocência. Acho muita graça a este pormenor do dinheirinho. Vou explicar. Nós ensinámos o nosso filho que é Deus quem nos dá todas as coisas, incluindo o sustento. Pois bem, desde então ele pede sempre dinherinho nas suas orações. Mesmo quando agradecemos pelos alimentos, ele sussura-nos sempre "...e pelo dinheirinho!" Certa vez, perguntámos-lhe porque é que ele pedia sempre "dinheirinho" e a resposta dele foi imediata: "É que se Deus nos der mais dinheirinho nós podemos ajudar mais os outros". Enternecedor. Que Deus lhe conserve este coração bom, que tantas vezes tem sido como que a voz de Deus para as nossas vidas.

Pormenores

Acho muita graça a este cão cavalgador. Vejo este cavalo passar, diversas vezes, sempre com o cão montado em cima dele. Desta vez o cão ía sentado, mas por vezes vai de pé, rigorosamente equilibrado sobre as suas 4 patas, muito direitinho. Delicioso...

3 de março de 2011

Preparativos


8 anos

Oito anos depois, hoje voltámos a ver o dvd do nosso casamento. Encantador. Éramos uns meninos. No sofá, os nossos dois filhos acompanhavam o filme impressionados com a beleza do vestido da noiva e os cabelos negros do avô. No final do filme, ficou em nós um sentimento de profunda gratidão a Deus pelo que se passou de lá para cá. Resumindo, hoje a história é ainda mais bonita e mais rica do que há oito anos atrás. O meu marido é um presente do Céu que me surpreende a cada dia. Um coração bom e raro que eu amo muito. Ainda mais do que há oito anos atrás.
(Parabéns para nós)