12 de agosto de 2011

Soltas das férias II

A minha filha chega a uma praia do continente e diz com um ar muito surpreendido: "Esta areia é castanha!"

(nos Açores as praias são de areia preta)

Soltas das férias I

Os meus filhos apenas estão com os nossos familiares quando vão ao continente de férias. Durante os poucos dias de férias, conhecem diversos primos, tios...e como são pequeninos, acabam por fazer confusão com os parentescos. Por exemplo, quando estiveram com as primas, no meio da alegria e da confusão da brincadeira, dei com a minha filha a chamar o irmão mais novo por "ó primo!"

Noutra ocasião, fomos a casa de uns amigos e, antes de entrarmos, o meu filho, precavendo-se, perguntou-me: "Esta senhora também é nossa tia?" (lol)E por falar em tios, se há coisa boa nas férias é ouvir as minhas sobrinhas chamarem-me "tia"... momentos raros que apenas posso viver de quando em quando...tão bom.

Férias

Deitados, luz apagada, a minha pequenina (de 3 anos) avança: "Vou orar!". Num tom muito fervoroso diz: "Obrigada Jesus por este dia!" (lol) e continua... "Obrigada porque fomos à praia... e porque apanhei pedras... com o pai... e pus as pedras no balde e ...e...molhei um pé...e depois molhei o outro pé... e...e...apanhei outra pedra... e fomos pra casa e comemos e arrumámos e fomos pra cama. Em nome de Jesus, Àmen."

10 de agosto de 2011

Tomás

Fez hoje 4 meses que nasceu o nosso Tomás. Era domingo. A noite tinha sido mal dormida, com o desconforto próprio de quem já passou das 40 semanas de gestação. Quando me levantei, percebi que naquele dia já não ía à igreja. "Deixa-me no hospital e vai para a igreja. Se for para nascer, eu telefono-te." - disse ao meu marido. Eram praticamente dez da manhã quando entrei nas urgências, pelo meu pé, sem dores, mas com sinais daquilo que vim depois a saber tratar-se de um descolamento da placenta.O bebé estava bem, mas mandaram-me ficar deitada em repouso e em jejum para o caso de vir a ser preciso fazer uma cesariana. A parteira que estava de serviço era a mesma que fez os partos dos meus dois outros filhos. Não era ela que estava na escala para aquele dia, mas, por acaso, tinha feito uma troca com uma colega. Quando a vi, pensei logo: "É hoje". Foi então que mandei uma mensagem ao meu marido a contar do descolamento da placenta e a pedir oração. O meu marido já não pregou naquele dia, entregou os trabalhos e veio para junto de mim. Chegou perto das 11h30 e não mais larguei a sua mão. A pouco e pouco comecei então a sentir dores. E a igreja orava por mim. Com o passar das horas, percebi que não iria precisar de uma cesariana. Foi tudo muito rápido, mas, desta 3ª vez, muito doloroso também. Por volta das 14h30 disse ao meu marido para chamar a enfermeira e ele, muito aflito, foi até à porta do quarto e gritou para o corredor: "Ela diz que o bebé vai nascer!" (agora dá-me vontade de rir). Pelas 14h43 nascia o Tomás David, lindo, rechonchudo, a chorar muito e a calar-se no mesmo segundo em que o encostaram ao meu peito. "Um bebé como o dos manuais", como costumamos dizer aqui em casa. Sereno, de sorriso fácil, muito dócil. Já não conseguimos imaginar a nossa família sem o Tomás. É tão amado, tão querido por todos. Dou muitas graças a Deus por este meu filho. Um maravilhoso presente do Pai. Que a sua vida seja sempre para honra e glória de Deus!

24 de julho de 2011

16 de julho de 2011

Terra de partidas

São assim os Açores, terra de chegadas e de partidas. Por vezes, comentamos aqui em casa que se a igreja mantivesse todas as pessoas que a ela pertenceram nestes quase sete anos e que, entretanto, foram embora da ilha para ir viver noutros lugares, seria uma igreja já muito grande. São tantas pessoas... já perdi a conta. Pela graça de Deus, outras vêm chegando. Mas estes últimos meses têm sido especialmente penosos. Nove irmãos foram embora da ilha para viver noutros lugares. Essencialmente por motivos profissionais. Fica a esperança de que um dia voltem, quem sabe. Dou graças a Deus pela obra que fez em cada uma destas vidas e que certamente continuará a fazer. Um dos nove foi mesmo o meu irmão G., com muita pena minha. Depois de um ano e meio a viver na ilha, onde foi colocado após o término do curso, foi transferido para o continente. Dou graças a Deus por me ter dado a oportunidade de ter tido alguém da minha família a viver aqui na ilha. O meu menino. Dou graças a Deus por os meus filhos terem podido conviver com o tio diariamente. Mais partidas se avizinham, pelo menos mais uma. Que o Senhor seja com estas vidas que partem da ilha, com Jesus no coração.

Dia do pastor

Foi no domingo passado que a igreja da Horta comemorou o Dia do pastor. Uma data que a igreja faz sempre questão de assinalar. Já aqui tenho falado no carinho da igreja para com o pastor e este ano, mais uma vez, os irmãos foram extremosos na demonstração do carinho e gratidão que têm a Deus pelo pastor que lhes deu. As crianças e os jovens prepararam apresentações multimédia para passar no culto, onde falavam do pastor e do seu papel nas suas vidas. Muito comovente. A mim, pela 2ª vez na vida, coube-me a pregação. No final, a igreja (que está longe de ser rica) ofereceu ao pastor um fato completo, uma camisa e uma gravata. Um conjunto lindíssimo. É uma igreja muito querida e que estima muito o pastor. Talvez por já ter estado vários anos seguidos sem pastor. Uma igreja grata, que sabe amar.

Um templo novo

Há cerca de seis anos atrás, a igreja da Horta começou a sonhar com um novo templo. O crescimento do número de irmãos e das crianças/jovens, tem levado a que este sonho se tenha tornado mesmo uma necessidade. Assim, a igreja tem-se esforçado no sentido de angariar fundos para a aquisição do templo. Para além da oferta que anualmente se levanta no dia do aniversário da igreja, os irmãos têm realizado diversas iniciativas com o mesmo fim. Por exemplo, no mês passado, fizemos o Jantar dos Salgados, cuja verba se destinou ao fundo do novo templo. A ideia foi da União Feminina. Os ingredientes dos salgados foram doados pelas irmãs e um grupo de voluntárias confeccionou-os. Foram cerca de setecentos salgadinhos. Conseguiram-se assim mais uns tijolos, ou - à açoriana - mais uns blocos, para o novo templo. Que o Senhor possa realizar este sonho tão importante da Sua amada igreja e que será um testemunho muito grande nesta ilha.

Jantar de casais

Penso que ainda não falei aqui do jantar de casais deste ano. Foi em Fevereiro, como habitual, e reuniu cerca de 20 casais, alguns deles visitantes. Foi, por exemplo, a primeira vez que este irmão participou numa actividade da igreja. Um jantar delicioso, num ambiente decorado ao pormenor, algumas brincadeiras e, por fim, uma palavra do pastor para os casais. Enquanto isso, na igreja, um grupo de irmãs voluntárias tomava conta dos filhos dos casais. Foi um bom tempo de convívio e de reflexão acerca da perspectiva bíblica do amor entre marido e mulher. Um jantar que já deu frutos, para glória de Deus.

1 de julho de 2011

Manicure

Depois de dias a fio a ouvir a minha a suplicar para eu lhe deixar pintar-me as unhas, lá acabei por ceder. Ficou bonito, não ficou?

30 de junho de 2011

Festa no Céu

Quando, há uns meses atrás, conhecemos o marido desta irmã simpatizámos logo muito com ele. É um bom homem. A pouco e pouco, começou a acompanhar a mulher à igreja. A mulher está agora a ser preparada para o baptismo. Temo-nos vindo a aperceber que este homem tem sido tocado pelo Senhor. No domingo, o meu marido pregou sobre os dez leprosos que foram curados por Jesus, sendo que apenas um dos dez foi grato e salvo pelo Senhor. No final, foi feito um apelo e aquele homem decidiu receber Jesus como Senhor e Salvador da sua vida, convicto de que é mesmo isto que mais quer para si. Foi um momento muito bonito e tocante ver aquele homem decidir servir a Cristo juntamente com a sua esposa. Louvamos a Deus por mais um açoriano rendido ao Senhor. A Deus toda a glória!

Vidas novas

No passado dia 18 nasceu o Miguel, o mais novo bebé da nossa igreja. O sexto bebé a nascer desde Outubro passado. Que alegria! E contou-me um passarinho... que um sétimo bebé já vem a caminho :)

Girl Power

A Assembleia da República até ganhou um novo brilho com uma mulher pela primeira vez na cadeira da presidência. Assunção Esteves - competente, um sorriso delicioso e um look muito Meg Ryan. Gosto.

Voto secreto

No dia das eleições legislativas, para ser menos confuso, decidimos dividir-nos. O meu marido foi votar primeiro e levou consigo o nosso filho mais velho, enquanto eu fiquei com os dois mais novos. Depois, fui eu votar com a minha filha e o meu marido ficou com os rapazes. Quando me preparava para ir votar com a minha filha, o meu filho mais velho, inesperadamente, grita de longe, em alto e bom som: "Ó mamã! Mamã! Vota no que tem uma seta que foi nesse que o pai votou!"

(lol)

15 de junho de 2011

Ser irmã de rapazes

Eo que faz uma menina quando brinca com carrinhos?
Estaciona-os em filinha :)


14 de junho de 2011

Testemunho

A esposa converteu-se primeiro. O marido acompanhava-a aos cultos e até se sentia tocado com as pregações que ouvia, mas demorava-se na sua decisão por Cristo. Um dia, a mulher, movida por um profundo desejo de aprender mais e mais a Palavra do Senhor, encomendou uma Bíblia de estudo, com comentários. Quando receberam em casa o vale dos correios para ir levantar a Bíblia, o marido ficou muito chateado: a Bíblia custava setenta e cinco euros e esse era praticamente o dinheiro que tinham para viver até ao final do mês. Depois da mulher lhe ter explicado que aquela Bíblia era muito importante para si, o marido lá aceitou ir aos correios, mas avisou-a: "Vamos levantar a Bíblia, mas eu vou ficar chateado contigo!" Pois bem, nesse mesmo dia, já depois de terem ído levantar a Bíblia, bateram-lhes à porta. Era uma senhora que não reconheceram de imediato. Foi então que ela se identificou: era a madrinha do marido. Estava há quarenta e tal anos emigrada na América (pouco menos do que os anos de vida do seu afilhado) e nunca mais tinha voltado aos Açores. No final da visita, a madrinha deu uma oferta em dinheiro àquele homem. Quando ele viu a oferta, nem podia acreditar na coincidência... setenta e cinco euros! Como Deus age... Hoje, este homem está a preparar-se para o baptismo. Louvado seja Deus.

Testemunho

Há uma menina que vai à nossa igreja sozinha. Ninguém da sua família a acompanha. É uma adolescente ainda. Quando não vai à igreja já sabemos qual é o motivo: está de castigo. A sua mãe, católica, sabe que aquilo que a filha mais gosta de fazer é ir à igreja, por isso, castiga-a dessa maneira. Fico a pensar na determinação desta menina e na luta que enfrenta por causa da sua fé, quando vivemos dias em que muitos jovens faltam às actividades da igreja simplesmente porque não lhes apetece ir.

Acho graça...

Que tratem o meu marido de "senhor padre" e "senhor vigário"... Há dias, o rapaz do gás chamou-lhe "apóstolo" (provavelmente, terá feito confusão com "pastor"). Acho graça.

Donas de casa do séc. XXI

Não é fácil ser dona de casa - na parte que se refere à secagem da roupa - nos Açores. Chove constantemente. Depois de ter passado a fase de andar todo o dia a estender e a recolher roupa (quando chegamos do Continente caímos neste erro), adoptei uma técnica simples e quase infalível: a técnica do copianço. Passo a explicar: antes de estender roupa espreito para os estendais das minhas vizinhas mais idosas. Se elas tiverem roupa estendida, eu também estendo. Quando as vejo a recolher a roupa, lá vou eu e imito-as. Dá sempre certo, elas conhecem bem este tempo daqui. O problema é que eu tenho uma família grande e roupa para secar quase todos os dias. Ora, nesses dias não tinha em quem me "colar". Pois bem, recentemente descobri, através de uma amiga, o site de previsões meteorológicas Windguru, que até nos dá as horas a que vai chover! Que mais poderia eu querer?


(Obrigada, Sara)

2 de junho de 2011

Amor de mãe

Há dias celebrámos o dia das mães. E o amor de mãe é mesmo algo muito especial. A este propósito vou partilhar um episódio que nos aconteceu no continente. Estavamos de férias e tínhamos ído fazer umas compras ao supermercado. Depois de pagarmos, quando nos preparavamos para vir embora, aproximou-se de nós uma mulher. Tinha uns quarenta e tal, cinquenta anos, boa aparência, um ar inofensivo. Foi então que nos disse, num tom emocionado: "Os senhores desculpem estar a abordá-los assim, pois não me conhecem, mas por um filho uma mãe é capaz de fazer tudo e este é o sonho do meu filho. Está a passar um programa na televisão, com o Herman José, em que os concorrentes fazem imitações musicais. O meu filho é o Elvis Presley. Há outro Elvis no programa, mas o meu filho é o que canta melhor. Ele precisa de votos. Por favor, se quando passar o programa se lembrarem, votem no Elvis Presley! É o sonho do meu filho!". Recordo-me de ter a televisão ligada quando deu aquele programa e de reconhecer facilmente aquela mulher quando filmavam a plateia, após as actuações do Elvis. O modo como aplaudia entusiasticamente o seu filho, vestida com uma t-shirt com a cara do mesmo impressa, não deixava margem para dúvidas: era a mãe. Às vezes lembro-me deste episódio surreal e dou por mim a sorrir... Aquela senhora não quis saber de vergonhas, nem de acanhamentos na hora de defender o sonho do filho. É assim o amor de uma mãe. Incondicional. O filho da senhora não venceu o programa, mas chegou quase até ao fim. Não me parece que vá ter uma grande carreira musical e, provavelmente, continuará a trabalhar nas desratizações (que era o emprego que tinha na altura do programa), mas pelo menos, durante algumas semanas, realizou o seu sonho de subir a um palco, cantar para milhões de pessoas e receber os seus aplausos. São assim as mães.