19 de fevereiro de 2010

Perguntas difíceis

Como mãe, estava consciente de que perguntas difíceis haviam de surgir. Porém, não esperava que fossem tão difíceis como as que ele me tem colocado…
Exemplo: “Mamã, o que são lojas aderentes?”
(Depois de ter ouvido na TV que os produtos do Ruca estão “à venda nas lojas aderentes”)

Conversas surreais

Do nada, sai-se com esta:
- "Sabes, quando as pessoas morrem, partem o cérboro e depois vão para o Céu.”
- “O quê?” – pergunto pasmada.
- “Sim, partem o cérboro” – diz com um ar convicto. E continua: -“Porque nós somos feitos de ossos, senão éramos umas gelatinas.
(lol)

15 de fevereiro de 2010

12 de fevereiro de 2010

Nome completo

-“Mamã, tu podias ter uns bebés gémeos, não podias? Se fosse um menino e uma menina, era assim: o menino era meu irmão e a menina era irmã da Mariana.“
Eu, a aguentar-me para não rir, decido continuar a dar-lhe conversa e pergunto-lhe: “E o menino, como é que se ía chamar?”
Resposta imediata: “Ricardo Faria”
(lol)

10 de fevereiro de 2010

Quarto novo

Dois meses depois de termos regressado de férias, lá consegui arranjar um bocadinho de tempo para acabar de lhe montar o quarto com as coisas que comprei no IKEA. Assim que terminei, chamei-a e abri-lhe a porta do quarto. Os olhinhos dela abriram-se muito com todas aquelas cores. A sua cabeça ora olhava para os cortinados com animais, presos por lacinhos coloridos, ora para o edredão igual. O bercinho dos bebés, a Kitty, o Noddy e a Teresa, tudo muito cor-de-rosa. Nisto, faz um enorme sorriso e diz “Uau”… Parti-me a rir.
Nisto, chega o meu filho, olha para aquilo tudo e começa a chorar, a chorar… e no meio das lágrimas diz num tom de vítima: “Eu sei que os cortinados do meu quarto são bastante coloridos, mas não têm nem um boneco!!”
E, pronto, está feita, a inauguração oficial do quarto da Mariana. Ou melhor, está em aberto a remodelação do quarto do Miguel…

Arrependimento

Deitado na caminha dele, luz apagada, oração feita, enquanto lhe dou um carinho de boa noite, diz-me assim: “Mamã, sabes, eu enterrei na areia do recreio a pá da “Dora Exploradora” da minha colega e quando tentei desenterrá-la já não a encontrei, porque havia muita areia…” e começa a chorar… “a culpa foi toda minha… eu não queria que ela desaparecesse… mas depois era só areia e areia… a minha colega chorou muito”.
- “E o que é que a tua colega te disse?” – perguntei-lhe.
- “Ela não disse nada porque ela não sabe que eu a enterrei… ninguém viu… só eu é que sei…” (pausa) “Eu… e Deus. Deus também viu porque Ele vê tudo… Ele vive no Céu e no meu coração…” (e aqui as lágrimas caiam grossas pelo seu rosto) “Mamã, o que é que eu vou dizer à minha colega? Ela não vai querer falar mais comigo…”
De coração apertado, disse-lhe que estava muito contente por ele me ter contado o que se passou e que isso era o mais importante: ele reconhecer o que fez e sentir-se arrependido. Disse-lhe que Deus, de facto, viu, mas que está muito contente por ele ter entendido que não agiu bem e querer recompensar a sua colega. Prometi-lhe que vamos comprar uma prenda para a colega. Uma prenda da “Dora Exploradora”. A situação vai ficar resolvida de vez. Dei-lhe mais uns carinhos… e dali a pouco já ressonava.
Desde ontem que este episódio não me sai da cabeça. Estou impressionada com a capacidade do meu filho, de 4 anos e pouco, conseguir perceber o mal que fez, a noção de que Deus tudo sabe, tudo conhece… mais, que Ele habita no seu coração… e o arrependimento, seguido do desejo de querer concertar as coisas… chego a ficar arrepiada… Há adultos que têm tanta dificuldade em fazer isto e ele, tão pequenino, já entende estas coisas. Maravilhoso. Que Deus lhe conserve sempre este coração doce.

9 de fevereiro de 2010

Colorido

Estava a ter um dia de trabalho intenso. Sobre a minha secretária estava um mar de papéis. Sentia-me exausta. Concentrada, ao computador, fazia uma exposição complicada. Nisto, apercebo-me que um senhor, já de idade, me entrara pelo gabinete dentro e estava mesmo ali à minha frente, parado, com um saco na mão. Nunca o tinha visto antes. Paro o que estava a fazer, olho para o senhor e, num gesto muito rápido, mete a mão ao saco, retira de lá quatro tangerinas, deposita-as sobre a minha secretária e diz-me: “toma lá, menina”. Num gesto ainda mais rápido, vira-me as costas e vai-se embora, obrigando-me quase a gritar “…ó senhor, muito obrigada…”, já ele seguia pelo corredor fora. Embasbacada com este episódio, levanto-me e vou até ao gabinete do lado para contar às minhas colegas o que me acabava de acontecer, quando reparo que, cada uma delas, também tinha um punhado de tangerinas sobre as suas secretárias. Foi então que as minhas colegas me contaram que aquele senhor é utente do nosso serviço e quis, na sua singeleza, demonstrar gratidão pelos serviços prestados. E com este pequeno episódio, fiquei a sorrir o resto do dia. Um pouco de colorido num dia cinzento.

4 de fevereiro de 2010

A verdadeira religião

Por estes dias, alguém partilhava comigo ter um sentimento de desapontamento relativamente à religião tradicional. Dizia-me que se entristece de ver que se dá mais importância ao facto de, numa procissão, se levar o bordão na mão direita ou na esquerda (na esquerda é proibido) do que à atitude de quem leva o bordão. “Só conta a forma”, “é muita superstição”, desabafava.
Também por estes dias, um rapaz da nossa igreja, recém-convertido, contava um episódio que viveu no seu trabalho. Um colega perguntou-lhe como é que ele tinha a certeza de que estava na religião certa e a resposta foi mais ou menos assim: “Eu não sei se estou na religião certa, o que te posso dizer é o que eu sinto dentro do meu coração desde que decidi entregar-me a Jesus...”. E assim começou uma interessante conversa.

2 de fevereiro de 2010

Um sonho açoriano

Esta madrugada acordámos sobressaltados a ouvir o nosso filho chorar. O meu marido levantou-se e foi ver o que se passava (tenho um marido muito simpático). O nosso filho estava a ter um sonho mau… “O que se passa?” Resposta: “As minhas vacas fugiram! As minhas vacas fugiram!...”
(lol)

Ter um tio por perto

Depois de o meu filho ter contado ao tio que nunca provou manteiga de amendoim (pois viu nos desenhos animados dois ratinhos a comer manteiga de amendoim com geleia), este, por sua vez, decidiu fazer uma surpresa ao sobrinho e comprou-lhe uma manteiga de amendoim e ainda um bolo de chocolate. Ao ver as guloseimas que o tio lhe trouxe, sai-se com esta: “Sabes tio, eu também gosto muito de bába de camelo!”
(que lata!)

Hoje, 5 anos de Açores...

1 de fevereiro de 2010

Retiro de Mulheres

Neste fim-de-semana, as senhoras da Igreja da Horta tiveram um retiro só para elas, tendo como convidado o Pastor Eliel Harada, do Tabernáculo Baptista do Porto. Cerca de quinze mulheres participaram neste retiro. Aprendemos muito de Deus, orámos juntas e, claro, ter o Pastor Eliel connosco foi um presente muito grande do Senhor. Um servo de Deus. O último culto do retiro foi aberto à família e amigos, tendo tido muitos visitantes. Fomos todos muito tocados pelo Senhor nesse culto evangelístico. Esperamos colher muitos frutos deste retiro, para honra e glória de Deus.

Amigos

A grande novidade no calendário de actividades da igreja deste ano foi o “Dia dos Amigos”. Pela primeira vez, conseguiu-se reunir os homens da igreja (que hoje, pela graça de Deus, já são alguns), num jantar - atenção - preparado pelos próprios (e eu provei parte da carne que sobrou e posso dizer que aquele tempero era de comer e chorar por mais). Os relatos deste convívio são deliciosos. Damos muitas graças a Deus pela amizade que se está a formar entre o grupo de homens e, principalmente, porque alguns deles já se converteram, estando dois deles a ser preparados para o baptismo.

Amigas

As quatro 5ª feiras que antecedem o Carnaval são, nos Açores, dias de festa. Primeiro, celebra-se o “dia dos amigos”, na semana seguinte é o “dia das amigas”, depois segue-se o “dia dos compadres” e, por fim, festeja-se o “dia das comadres”. Nesses dias, principalmente no "dia dos amigos" e no "dia das amigas", os restaurantes e casas de diversão nocturna enchem-se com grandes grupos. São dias de convívio, mas também de muitos excessos (álcool, shows de striptease, adultério e afins). Há três anos atrás, a União Feminina da nossa igreja decidiu organizar, no dia das amigas, um jantar-convívio para as mulheres da igreja, aberto às amigas destas. Foi um jantar delicioso, num ambiente saudável, de verdadeira amizade, e ainda com um tempo de oração. Foi um sucesso. Três das seis senhoras visitantes que estiveram nesse primeiro jantar de amigas continuam a assistir aos cultos e às actividades da igreja, tendo-se, entretanto, convertido uma dessas senhoras. Este ano, o jantar de amigas (agora já com outras dimensões) foi, mais uma vez, muito abençoado. A sala de convívio estava completamente cheia, muitas senhoras a comer de pé e, pela graça de Deus, várias visitantes. Até Karaoke cristão tivemos. Todas juntas, demos graças a Deus pela amizade genuína que nos une e louvámo-Lo de coração. Quem nos visitou gostou muito de passar aquele serão connosco e sentiu-se muito bem “naquele ambiente”. Que o Senhor possa completar a obra iniciada nestas vidas.

22 de janeiro de 2010

Como Deus trabalha

Esta tem de ficar registada. Este ano, pela primeira vez, durante as nossas férias no continente, pudemos orar em voz alta antes de todas as refeições, mesmo quando estavamos a comer em casa de familiares não crentes. O originador desta mudança foi o nosso filho. Quando alguém começava a comer sem orar, o nosso filho dizia num tom delicioso de se ouvir: "Parece que alguém se esqueceu de orar...". As pessoas acharam-lhe graça e "por respeito ao que o menino está habituado a fazer", vi familiares que nunca pensei ver, de olhos fechados a agradecer a Deus pelos alimentos.

Comportamentos em vias de extinção

Perguntar a um habitante local onde fica determinada rua e constatar que a pessoa não só fez tudo para me explicar onde era, como deixou inclusivamente o que estava a fazer e foi comigo até à tal rua, é algo de uma gentileza extrema. Aconteceu-me hoje, no centro de Ponta Delgada.

O almoço

Hoje viajei no banco da frente, por isso, apercebi-me de tudo. Mal o avião descolou, o comandante chamou a hospedeira (estes vôos só têm uma hospedeira) pelo comunicador interno e deu-lhe um recado. Esta, prontamente, levantou-se, abriu um pequeno armário e de tirou de lá um tabuleiro com uma refeição completa, de faca e garfo, com direito a pãozinho e tudo. Depois, levou o almocinho para o cockpit e eu a ver. Podem-me dizer que os aviões se pilotam de modo automático e tal, mas a verdade é que enquanto não vi aquele tabuleiro regressar vazio não descansei. Saber que o comandante esteve com as mãos ocupadas enquanto o avião voava não é assim lá muito agradável.
(Fiz uma viagem maravilhosa, graças a Deus)

21 de janeiro de 2010

Farinha do mesmo saco

Seguindo as pisadas do irmão que, quando era da idade dela, decidiu “dar banho” ao meu telemóvel, ontem, o nosso telefone de casa apareceu a boiar no banho da Mariana. Respira fundo, Adriana… respira fundo…

20 de janeiro de 2010

Tribulação

Quer para mim, quer para o meu marido, a mais dura tribulação é a que atinge os nossos filhos. Desde ontem que estou em casa, com a minha filha. Deu uma queda feia, desamparada, de um sítio alto, de cabeça, embatendo na tijoleira. Mais uma vez, Deus pôs a Sua mão. As 48h de observação estão quase a terminar e, pela graça de Deus, ela está bem disposta e a brincar (com um galo monstruoso na testa). Custa muito passar por isto, foram momentos de agonia, mas, de facto, só podemos dar graças a Deus por mais este livramento.
(Agradeço a todos vós que também oram pelos nossos filhos)