9 de setembro de 2016

Futebol imaginário

O mundo das crianças é extraordinário! Os meus filhos (os rapazes) têm uma brincadeira única e muito engraçada também. Quando não têm bola, jogam “futebol imaginário” - é assim que eles lhe chamam. Acreditam nisto? Futebol imaginário? Eles jogam à bola, mas sem bola. Eles imaginam a bola! E depois andam de um lado para o outro a fazer passes, a rematar e a gritar “golo” ou “poste”. Inacreditável! Agora o cúmulo: eles têm discussões sobre se houve ou não falta! Como é que eles podem ter uma discussão destas se não há uma bola? Para quem vê de fora, é de partir a rir. Mas para eles trata-se de um jogo de futebol bem real. Este “futebol imaginário” faz-me lembrar a nossa vida de fé. A Bíblia diz em Hebreus 11:1 que “… a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos”. Acredito que uma pessoa sem fé em Deus e que olha ‘de fora’ para um cristão, possivelmente também não compreende bem a maneira de viver dessa pessoa. Mas, para quem tem fé, tudo faz sentido, “porque andamos por fé, e não por vista” (II Cor. 5:7). A fé não nasce connosco, a fé é um dom de Deus, que “vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Hebreus 11:7). Muitas pessoas têm um conjunto de ideias soltas acerca de Deus, por vezes bastante confusas e distantes da verdade que a Bíblia nos revela. Isto não é fé. É muito importante conhecermos a mensagem da Bíblia. Quando nos aproximamos de Deus, com sinceridade no nosso coração, Deus revela-se sempre. E aí passamos a ter uma nova visão das coisas. Uma visão que faz todo o sentido.
"De facto, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aprroxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam". 

8 de setembro de 2016

Baixo e gordo

Naquele dia, calhou ao nosso filho mais novo a vez de partilhar uma passagem bíblica com a família. Prontamente, o Tomás, na simplicidade dos seus 5 anos, começou a contar uma história de que gosta muito: Zaqueu (ele até diz que quando tiver um filho vai chamar-se Zaqueu).
Tomás: "Zaqueu era um homem baixo e... gordo... ele queria ver Jesus, que andava na rua a conversar com as pessoas... então, subiu a uma árvore para conseguir vê-lo melhor... mas Jesus viu-o e disse-lhe para descer da árvore, pois queria jantar na sua casa. Zaqueu era...era tipo um assaltante... ele roubava as pessoas, pronto. Mas depois de estar com Jesus, disse-lhe que já não ía roubar mais e que ía devolver o dinheiro às pessoas."
Eu: "Então, podemos dizer que Zaqueu, depois de conhecer Jesus, tornou-se um novo homem? É isso?"
Tomás: "Não, não! Ele continuou baixo e gordo!"
Não pude conter as gargalhadas com esta resposta tão genuína! Mas, é isto mesmo. A única diferença entre um homem que não conhece Cristo e um homem que O conhece é a graça de Deus. Em nós mesmos seremos sempre "baixos e gordos". Mas a graça de Deus em nós pode operar coisas novas e maravilhosas, como aconteceu com Zaqueu. De facto, Zaqueu tornou-se um novo homem, apesar de continuar baixo (e, para o Tomás, também gordo).

7 de setembro de 2016

4º Chá com Graça

Em Abril passado, tivemos o nosso 4º Chá com Graça. Desta vez, o tema foi "Tempo de Recomeçar" e tivemos connosco a Adelaide de Sousa, que partilhou o seu testemunho de conversão a Cristo. Foi muito inspirador e desafiante. Para muitas das mulheres presentes, esta foi a 1ª vez que ouviram o Evangelho. O próximo Chá será em Outubro e está a ser preparado com muita dedicação e oração. Peço as vossas orações por este trabalho.





 

30 de junho de 2016

Varicela


No domingo passado, na escola bíblica dominical, o meu filho mais novo aprendeu a história bíblica da cura do filho de um oficial, por Jesus. A Bíblia não refere qual era a doença em concreto, apenas diz que ele tinha febre e que estava à beira da morte. Porém, as crianças têm uma imaginação muito fértil... e quando vi o trabalho manual que o meu filho fez na classe, percebi logo qual a doença que o meu filho imaginou que aquele menino tinha: varicela :)

29 de junho de 2016

Corações a arder

Há uma expressão utilizada em várias passagens da Bíblia de que gosto particularmente. É a expressão "arder o coração", utilizada por exemplo em Lucas 24:32:  "Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, (Jesus) nos falava, e quando nos explicava as Escrituras?" 
Quando ouvimos a Palavra de Deus e sentimos o nosso coração queimar, não há volta a dar, Deus está a chamar-nos para Si. É tão maravilhoso sentir o nosso coração arder! Não estou a falar de uma mera emoção, mas de um toque divino que opera uma transformação interior. Podemos até lutar contra o toque de Deus, mas quando Deus se revela não há como fugir. 
Há um hino muito antigo de que gosto muito  e que diz: " He touched me, Oh, He touched me/And Oh the joy that floods my soul/ Something happened and now I know/He touched me and made me whole" (Tocou-me , Oh, Ele tocou-me / E a alegria inunda a minha alma / Algo aconteceu e agora eu sei /Ele tocou-me e fez-me completo). 
Ontem, num funeral de um familiar de uma irmã da nossa igreja, pediram ao meu marido que desse uma breve palavra. Uma missionária da nossa igreja, que tem uma voz que é um verdadeiro dom de Deus, cantou também um hino à capela. As pessoas presentes ficaram muito tocadas, a tal ponto que as irmãs do falecido tomaram a palavra e agradeceram perante todos pelo que tinham acabado de ouvir. E quando o meu marido se apercebeu, o senhor da agência funerária estava a chorar. Disse que: "Nunca me tinha acontecido, mas isto tocou-me cá dentro!" Nos dias que correm, de tanta confusão e frieza espiritual, é por 'corações a arder' que devemos orar cada vez mais. Vidas tocadas e transformadas pelo poder de Deus.

28 de abril de 2016

Homens de Deus

No mês passado, tivemos em Queluz o pastor norte-americano Jaime Kemp e a sua esposa Judith, missionários no Brasil há perto de cinquenta anos, muito conhecidos pelo seu ministério na área da família e pelos (muitos) livros publicados acerca deste tema. Como diz uma amiga minha brasileira "o Jaime Kemp é um clássico". Durante três dias, tivemos oportunidade de aprender muitas coisas com este casal. E uma das coisas que mais me tocou foi um pormenor que Kemp partilhou a meio de uma das palestras: ele é oriundo de uma família com problemas muito sérios a nível de relacionamentos, uma família com muitas rupturas. É filho do terceiro casamento da sua mãe, a qual ainda veio depois a ter um quarto casamento, do qual já não teve filhos dada a idade avançada. Cresceu sob duras agressões verbais (principalmente da parte do pai), num ambiente de guerras constantes entre os pais e entre os irmãos. Pois bem, foi este jovem, com esta sofrida origem, que um dia Deus chamou para desenvolver um (e-n-o-r-m-e) ministério com famílias. Curioso, não é? Quantas famílias os Kemp terão ajudado ao longo de quase 50 anos? E ainda continuam no activo. De facto, é Deus quem capacita os chamados. E porque a obra de Deus é completa, há mais um pormenor maravilhoso nesta história: tanto o seu pai, como a sua mãe, converteram-se mais tarde a Cristo. Inspirador.

27 de abril de 2016

Stand up comedy

Por estes dias, uma pessoa amiga que descobriu o meu blogue deu-me, sem saber, um dos melhores elogios que alguma vez recebi. Disse-me que se eu fosse na oralidade aquilo que sou na escrita, eu dominava uma plateia de stand up comedy. Gostei tanto de ouvir isto! Eu a fazer uma plateia rir a bom rir com as minhas graçolas... Eu gosto tanto de fazer rir os outros! Muitas vezes, porém, a minha timidez não me permite dar largas ao 'borbulhar' de piadas e trocadilhos que trago dentro de mim. É que eu também gosto que me achem graça, mas e se depois não me acharem piada? Que grande constrangimento, penso eu. Na verdade, esta minha faceta não é conhecida de todos, mas apenas por quem me é mais chegado. E quando ouvi as palavras "stand up comedy" lembrei-me logo da minha única experiência deste género, há muitos anos atrás, num acampamento de jovens, devia ter uns 15 ou 16 anos. Foi muito engraçado e também muito constrangedor. Eu tinha contado uma anedota no meu grupo mais chegado de amigas (a anedota do senhor que sempre que comia feijoada passava mal da barriga) e elas 'obrigaram-me' literalmente a contar essa anedota perante todo o acampamento, numa noite social. Repito: a anedota da feijoada!! Foi horrível. Mas foi  muito engraçado também. Eu tive a sensação de que as pessoas riam-se mais do meu ar desesperado, cheio de vergonha e tiques nervosos do que da anedota em si. Decidi então relatar esta minha triste experiência de stand up comedy ao meu marido e, surpreendentemente, ouvi-o dizer-me assim: "Eu lembro-me bem disso. Eu estava lá nesse acampamento." Quase morri aqui. "Estavas lá?" "E ainda assim casaste comigo?" - pensei eu. Uma das coisas que gosto muito no meu marido é que ele acha-me graça. E eu fico toda contente. Na verdade, a oralidade tem sido uma faceta que Deus tem trabalhado na minha vida. Aos poucos, tenho tido algumas experiencias com "plateias", não para dizer apenas piadas, mas para partilhar a Palavra de Deus e experiências de fé. E, curiosamente, vai sendo cada vez menos difícil. Pois não vou na minha força, mas no Senhor. Ainda bem que Deus não usa apenas os capacitados. Ainda bem que temos fraquezas, pois é nelas que Deus aperfeiçoa o seu poder.

15 de fevereiro de 2016

Um homem ocupado

Chamo pelo meu filho mais novo, que andava a correr de um lado para o outro nas suas brincadeiras imaginárias, e peço-lhe que me traga umas roupas que estavam no seu quarto, para eu meter na máquina de lavar. Obedece prontamente. Agradeço-lhe a colaboração e ele responde-me,  em tom de aviso, como que justificando as suas muitas ocupações: "Agora não me peças mais nada, vou ter uma luta de espadas e a seguir vou cortar árvores!"

3 de fevereiro de 2016

Avó Jacinta

Cresci a ouvir dizer que era parecida com a minha avó Jacinta (por causa das feições, principalmente o nariz de ponta arrebitada). Confesso que nunca percebi bem porque é que toda a gente dizia isso (apesar de gostar muito da ideia, pois ela era bonita e sempre muito bem arranjada), até ao dia em que vi um retrato, a preto e branco, que lhe tiraram na juventude, na parede da sua casa de França. Lembro-me de ficar a olhar para aquele retrato e de reconhecer muito de mim naqueles traços. A partir daí, dei o assunto por encerrado. A minha avó era uma mulher muito sensível, mas muito forte também. Foi costureira e catequista, numa pequena aldeia do Ribatejo, mas um dia falaram-lhe do Evangelho e converteu-se, bem como o meu avô e boa parte da família. Por causa disso, sofreram perseguição. Isto há 70 anos atrás, outros tempos. Teve uma filha e cinco filhos, um deles o meu pai. A dada altura, a família emigrou para França, como tantos outros portugueses naquele tempo, em busca de uma vida melhor. Trabalharam muito e continuaram sempre fieis a Deus, servindo na igreja de língua portuguesa. Porém, o meu avô, homem fiel a Deus, acabou por partir para o Senhor ainda muito novo, na sequência de uma indisposição súbita no trabalho. A minha avó ficou só, "tão cedo" - dizia ela muitas vezes. Mas, seguiu em frente e foi uma verdadeira matriarca, unificadora e apaziguadora. 
Para mim, a minha avó representava, acima de tudo, afeto. Sempre que estava com ela, nas férias de verão, recebia injeções de amor, em doses industriais. Beijos, muitos beijos (ela dava muitos beijinhos repenicados seguidos, sem parar). Recebia tantos miminhos bons, tantas atenções. E todo este afeto teve uma importância muito grande na minha vida (posso avaliar agora), contribuindo para o meu equilíbrio emocional. As avós podem ter um papel muito importante e compensador. Apesar de termos vivido em países diferentes, foi sempre uma avó presente. Recordo as cartas que escrevíamos, os telefonemas, as confidências. Recordo as férias que passámos juntas, os presentes (todos os anos, ganhava uma camisa de dormir), os chocolates franceses, os lanches na pastelaria e as histórias (a minha avó perdia-se por uma boa história de amor). Recordo também o seu grande sentido de humor (que o meu pai herdou). Era uma mulher simples, mas esclarecida, dada à leitura e muito educada. Toda a gente gostava da minha avó. E eu amava-a muito. Ela tinha agora quase 92 anos e eu sabia que estava avançada em dias, por isso eu temia. Mas, finalmente, agora está com o seu Senhor. Agradeço muito a Deus pela sua vida e por todo o amor que distribuiu por tanta gente. Era o amor de Jesus nela.  Ficam as memórias e o seu precioso testemunho de fé. Até um dia, avozinha.

26 de dezembro de 2015

Jorge - continuação.

Com a barriga completamente cheia de guloseimas do Natal, aproxima-se de mim enquanto lavo a louça e, sem dizer nada, num gesto muito convicto, estica-me a mão. Olho para a mão dele e vejo uma enorme moeda de 2 euros (de chocolate), que ganhou dos irmãos da igreja ucraniana.
- "Queres que 'descasque' a moeda, é isso?" - pergunto-lhe eu.
Com um ar muito sério, tentando mostrar total segurança, abana a cabeça dizendo que sim.
Fez-se silêncio. Pego na moeda, descasco-a e entrego-lha na mão (pois percebi que, apesar de ele já ter comido muitos doces, ele queria muito provar as moedas).
Noto uma expressão de surpresa no seu olhar (certamente, achava que eu não o ía deixar comer a moeda),  e enquanto vira costas, diz-me ainda com aquele ar seguro e sério: "Obrigado, mamã. A moeda é para o Jorge."

2 de novembro de 2015

Jorge

Não sei o que lhe deu naquele dia, mas depois de jantar já me tinha pedido comida por diversas vezes. Ora era uma bolacha, ora uma banana. A certa altura, disse-lhe que ía dar-lhe leite e que depois ele ía para a cama sem mais comida. Ficou calado. Dali a pouco, entrou devagar na cozinha, olhou para mim e, na sua sabedoria de 4 anos de idade apenas, começou esta conversa:
"- Mamã, sabes, eu tenho um cavalo...".
"- Eu sei que tens um cavalo." - respondi-lhe.
"- Sabes, o meu cavalo chama-se Jorge." - continuou ele.
"- Ai é? Está bem, Jorge é um bom nome." - respondi-lhe, sem perceber muito bem onde é que ele queria chegar.
Até que ele avança: "- Mamã, o Jorge quer uma tosta!"

Brincar às lojas no séc. XXI

Os meus filhos gostam muito de brincar às lojas. Qualquer canto da casa é bom para montar uma loja, com diversos artigos em exposição e uma caixa registadora a postos. Eu e o meu marido, como sempre, somos os clientes. Por estes dias, o meu filho mais novo (de 4 anos) montou uma loja de motas. Como de costume, comprei-lhe um artigo, dei-lhe o dinheiro (imaginário) e fiquei a aguardar pelo troco. Foi então que ele me fez uma pergunta inesperada. Enquanto marcava os números na registadora, perguntou-me com um ar muito seguro de si: "-Quer com contribuinte?"

21 de setembro de 2015

10

O nosso filho mais velho é um menino muito poupado. Guarda todas as moedas e notas que ganha na sua ovelha-mealheiro e sabe de cor quanto dinheiro tem lá dentro. Guarda todos os doces que ganha num saco, para depois comê-los aos poucos, durante várias semanas. Faz pequenos trabalhos para ganhar mais moedas. Abre o portão, tira cafés, entre outras coisas. Tem planos bem definidos para o seu dinheiro e fala muitas vezes das coisas que pretende comprar um dia. Tudo brinquedos, claro. No dia do meu aniversário fez uma coisa que nunca esquecerei. Passámos o dia fora, na minha terra, e quando regressámos a casa, já de noite, pediu ao pai que o levasse ao Colombo. Eu ouvi a conversa e opus-me logo, pois já era muito tarde. Além do mais, o Colombo estava quase a fechar. Ao ouvir isto, começaram a rolar-lhe lágrimas pela cara, umas atrás das outras. Ele não dizia nada, só lhe caíam lágrimas e tinha uma expressão muito triste. O meu marido percebeu que havia ali alguma coisa de diferente. Falou com ele à parte e saíram porta fora. Quando regressaram, o meu filho vinha com um ar muito feliz. Na mão trazia um saquinho da loja Pandora, com um laço cor-de- rosa. Lá dentro, vinha uma conta de prata, para eu colocar na minha pulseira. Uma conta toda rendilhada de corações sem fim. Ele gastou todo o dinheiro que tinha. “-Gastaste todo o teu dinheiro?” " - A minha mamã merece tudo” - respondeu-me. A expressão de felicidade com que ele me deu aquela prenda está gravada aqui bem dentro. Nunca esquecerei. Este é o Miguel, o nosso querido filho e que hoje completa 10 anos de vida. Um menino cheio de vida, cheio de alegria e um imenso coração bom. Damos muitas graças a Deus por nos ter confiado este menino tão especial. É um privilégio muito grande. E que o Miguel possa crescer sempre no temor do Senhor e tornar-se um homem de fé, cheio de amor por Deus e cheio de amor pelo seu próximo. Parabéns, meu querido!

16 de setembro de 2015

Calminho

Depois de um comportamento mais desajustado do nosso filho de 4 anos, o meu marido repreende-o dizendo: "- Tu não podes falar assim para o pai! Os filhos têm de respeitar os pais, é assim que Jesus gosta! Ele fica muito triste quando os meninos são maus para os pais."
Fica com um ar envergonhado e responde a medo: "- Não fica nada triste..."
Marido: "- Fica sim! A Bíblia diz até que os pais devem repreender os filhos desobedientes com uma vara, sabias?"
Fica muito sério por momentos e, depois de ponderar um pouco, diz com um ar muito seguro de si: "- Naaão!, Jesus não disse isso! Ele é calminho!"

O valor da vida

No sábado passado completei 38 anos de vida. E completei-os com um coração muito grato. Cada ano que Deus nos acrescenta é uma dádiva e uma alegria muito grande. De há alguns anos a esta parte, Deus tem-me levado a compreender e a valorizar esta realidade de uma forma mais profunda. Vou explicar porquê. Quis Deus que o dia do meu aniversário ficasse ligado a duas memórias muito fortes, que me relembram esta realidade: o Natanael e a Celeste. O Natanael partiu para o Senhor no dia em que eu fiz 30 anos. Nesse dia, recordo-me que o meu bolo ficou por abrir, dentro da caixa. Era nosso amigo, nosso irmão na fé e tinha 43 anos apenas. Pegou na mota para ir fazer qualquer volta importante, do seu dia-a-dia, mas não voltou mais. A Celeste era a minha mãe, que fazia anos no mesmo dia que eu, que soprava as velas em conjunto comigo. Sempre imaginei que ela iria viver muitos anos, pois era tão saudável, tão jovem. Mas, 60 anos foi a duração da sua vida neste mundo. Desde há 3 anos que este dia passou a ser apenas meu. Certamente, nenhum dos dois pensou que os seus dias seriam tão breves. Eu, pelo menos, penso sempre que um dia hei-de ser velhinha. Que hei-de ter netos e bisnetos. Que hei-de ser reformada e ter tempo de sobra para tudo. A sério que penso. Mas só Deus sabe. A Bíblia diz que "os dias do homem estão contados". Por isso, devemos aproveitar muito bem cada dia de vida nesta terra, não para comer e beber até cair para o lado, não para gozar do 'bom' desta vida, como se não houvesse amanhã. Nada disso. Mas, devemos viver cada dia para cumprirmos os propósitos de Deus para nós nesta terra. E o propósito para o qual fomos criados foi para adorar a Deus. Amá-lo acima de todas as coisas e amarmos o nosso próximo. Foi para sermos a voz e as mãos de Deus neste mundo. Sal e luz. Até ao dia em que Deus nos chame a Si, para entrarmos no gozo da vida que não se conta em dias. Por isso, é uma alegria imensa fazer anos. É sinal que ainda há mais caminho para trilhar, mais desafios e mais lutas. Mais oportunidades para "combater o bom combate". Que assim seja.
"Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios." (Salmos 90:12)

30 de abril de 2015

Autoridades

Dos meus tempos de estágio, guardo um profundo respeito pela profissão de juíz. Nem sei se é justo chamar-lhe profissão. É uma entrega de vida. Recordo-me de, muitas vezes, passar em frente ao tribunal da minha terra – já de noite – e de ver a luz do gabinete de uma das juízas sempre acesa. Lá estava ela, noite dentro, mergulhada nas torres de processos. Tanta sabedoria, tanta integridade, tanta autoridade – era assim que eu olhava para aquelas mulheres. Quase sobre-humanas. 'Certamente não fazem mais nada para além disto' - pensava eu muitas vezes - 'nem devem ter tempo para ter uma família.' Somente uma pessoa nessas circunstâncias poderia abraçar uma carreira daquelas - achava eu. Mas, houve um dia, em que mudei toda a minha perspetiva acerca disto. Estávamos numa audiência de julgamento (longa e aborrecida), na rua já era de noite e não havia meio da sessão acabar. De repente, notámos que toda a gente se estava a virar para trás. Um silêncio absoluto tomou conta da sala. Só se ouviam os passinhos de um menino, talvez com uns 4 anos, muito lindinho, cheio de caracóis, que caminhava pelo corredor lateral em direção à cadeira da juíza. Olho para ela e vejo uma expressão que nunca lhe tinha conhecido antes: um sorriso doce e emocionado, acompanhado de um olhar repleto de amor por aquela criança. Atrás do menino apareceu depois alguém (talvez uma empregada ou uma avó, já não me recordo) a tentar agarrá-lo, mas já não chegou a tempo. A criança parou mesmo ao lado da juíza e disse bem alto: “- Mãe, quero pão!” Uma gargalhada geral tomou conta do tribunal. O filho da juíza tinha fome e com razão! Afinal de contas, aquela mulher era igual a tantas outras mulheres, com as mesmas lutas e desafios. Apenas tinha sido designada para ocupar um lugar de muita responsabilidade na sociedade. Mas, em si mesma, era humana e sujeita às mesmas lutas que todas nós. A sua autoridade estava, não em si, mas nas funções que desempenhava. Um episódio que nunca esquecerei e que me faz ter bem presente a necessidade de orar pelos que ocupam cargos de autoridade e liderança. Que Deus os fortaleça com sabedoria.

24 de abril de 2015

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O jantar estava pronto, chamo-os para a mesa e vejo-os dirigirem-se para a mesa sem lavar as mãos. Digo-lhes para lavarem as mãos primeiro.
Miguel: “- Lavar mãos outra vez! Mas porque é que temos de estar sempre a lavar as mãos?”
Eu: “- Olha Miguel, ainda há dias li um artigo na revista da Deco sobre a importância de lavar as mãos. Nem imaginas a quantidade de bicharocos que andam nas nossas mãos e que nos podem fazer ficar doentes. Até vestígios de fezes podem andar nas nossas mãos. É terrível!”
Miguel, com um ar incrédulo, diz do alto dos seus 9 anos: “- Mamã, tu não podes acreditar em tudo o que lês!”

Mente futebolística

Pediatra: “- O que é que vestes quando faz frio?”
Tomás: “- Um casaco!”
Pediatra: “- E quando chove?”
Tomás: “- Ponho o capuz.”
Pediatra: “- Só o capuz? Não usas mais nada? (silêncio…) “ Vou dar-te uma ajuda… o guarda-…”
Tomás, com os olhos muito abertos e um sorriso de quem já descobriu a resposta a dar, diz muito depressa: "- o Guarda-Redes!"

21 de abril de 2015


Tenho uma colega de trabalho (na verdade, é mais do que isso, ela é minha amiga) que, de vez em quando, recebe no trabalho uma encomenda da mãe (que vive nos Açores). Como aconteceu hoje, por exemplo. O carteiro trouxe um caixote até grandinho, com lembranças para ela e, principalmente, para a sua filha de 9 anos. Recebeu um caixote cheio de amor. Cheio de saudade. E sempre que vejo aqueles caixotes, sorrio para ela (alegrando-me com ela) e depois, inevitavelmente, escondo-me atrás do ecrã do meu computador, procurando dominar a minha emoção e segurar as lágrimas que começam a querer escapar-me. Também eu recebi várias encomendas como aquela. E recebia-as sempre com tanta alegria. Traziam pequenos brinquedos do IKEA, peças de roupa para os meus filhos, chocolates do Lidl, cortinas com bainhas feitas pela minha mãe, ou o jornal da minha terra… Traziam aconchego. Traziam amor de mãe. Recordo um casaquinho de malha muito pequenino, azul claro – lindíssimo - que veio numa dessas encomendas, durante a minha segunda gravidez. A minha mãe achava que eu ía ter outro rapaz (ela gostava de apostar e achava que acertava sempre). Mas veio a Mariana e todo o seu mundo era cor-de-rosa. Tive sempre pena de não ter usado aquele casaquinho muitas vezes, até que soube que ía ter o Tomás. Quando ele nasceu, vesti-lho logo e ficava-lhe um brinco, como se vê na foto. Depois do Tomás nascer, foi tudo tão rápido... Apenas um ano e a minha mãe não estava mais entre nós. Sinto sempre muitas saudades da minha mãe. Não são saudades desesperadas. São saudades consoladas pela certeza de um reencontro, no Céu. Mas, ainda assim, são saudades. Saudades da minha querida mãe.

13 de abril de 2015

Dar contas

Naquele dia, quando espreitei para dentro da sala de audiências para ver qual o julgamento que ía ali decorrer, tive uma grande surpresa. O advogado de defesa era alguém muito conhecido. Na minha memória ainda estava bem presente a sua participação num programa de televisão sobre casos de polícia. Depois de lhe terem dito que estava ali uma estagiária, fez-me sinal para que me sentasse ao seu lado. Envergonhadíssima, sentei-me ao lado do senhor (os estagiários costumam sentar-se ao lado dos advogados, para aprender) e fiquei à espera de o ver entrar em ação, defendendo o seu cliente com toda a garra. O arguido era bancário e estava a ser acusado de ter desviado dinheiro de clientes do banco para a sua própria conta. O julgamento ía decorrendo e... nada. Silêncio absoluto. Vinha uma testemunha, depois vinha outra e o advogado sempre em silêncio. Davam-lhe a palavra e ele dizia nada ter a perguntar. Eu, na minha inexperiência, estava a achar aquilo tudo muito estranho. "Será que ele não se importa que o seu cliente vá parar à cadeia?" - começava eu a pensar. Foi nessa altura que o famoso advogado se inclinou para mim e sussurrou: "A estratégia é esta: quem acusa é que tem de provar. Por isso, vamos remeter-nos ao silêncio e só falaremos se for necessário." Eu já sabia que 'o tolo, estando calado, passa por sábio', mas naquele dia aprendi que, para a justiça humana, o acusado calado poderá vir a passar por inocente (ainda que não o seja). Depois desse dia, vi muitos "calados" acabarem absolvidos, por falta de prova. Pois o juiz humano não é omnisciente. E assim vai o mundo. Vive-se sem dar contas a ninguém. Esquecem-se os homens de que Deus vê todas as nossas obras, até as mais negras. Até os nossos pensamentos. Esquecem-se os homens de que um dia todos estaremos perante Deus, o Criador da vida. E o silêncio de nada aproveitará. Deus tudo conhece. Esta perspetiva deve estar sempre bem presente nos nossos corações: eu tenho de dar contas a Deus. As notícias terríveis que todos os dias enchem os jornais passam muito pela perda desta perspetiva. Não há temor nos corações. Não há auto-domínio. Ninguém dá contas a ninguém. Deus tenha misericórdia da rebeldia dos homens. E que esses corações possam voltar-se, contritos, para o Grande Deus, supremo Juíz.