30 de dezembro de 2012

2012

Há um cântico que diz "Pelos anos mostraste mais de Ti" e é verdade. Em 2012 aprendi muito do Senhor. Partilho aqui alguns dos momentos mais marcantes:
Em 2012 vi uma querida menina que conheci, há muitos anos atrás, na Igreja Baptista de Coimbra, tornar-se esposa do meu irmão, numa cerimónia lindíssima e muito emotiva.
Em 2012, vi quatro baptismos e nove vidas converterem-se a Cristo numa pequena ilha, no meio do Oceano.
Em 2012, recebi em minha casa o meu primeiro pastor e a sua esposa (Diné e Leila Lóta), que já não via há mais de 20 anos, sendo eu hoje também esposa de um pastor, curiosamente, da igreja que foi o 1º campo missionário daquele casal.
Em 2012, num cenário de austeridade, entrei miraculosamente para os quadros da Administração Pública.
Em 2012, o meu filho mais velho perdeu os primeiros dois dentes.
Em 2012, Deus levou-nos a entender que era da Sua vontade que a Sua obra no Faial fosse continuada por outros Seus servos.
Em 2012, descobrimos que a igreja que era pastoreada pelo pastor que nos despertou para os Açores e que nos acompanhou ao aeroporto no dia em que embarcámos, orando por nós, é aquela que o Senhor quer que sirvamos e à qual dediquemos as nossas vidas.
Em 2012, senti, como nunca antes, a realidade de que quando a nossa casa está contruída sobre a Rocha, pode descer chuva, torrentes, soprar ventos com ímpeto contra a casa, que ela não cairá.
Em 2012, vi pela última vez os olhos verdes de minha mãe, olhando para mim, com aquele seu amor imenso. Partiu em paz, sorrindo, para Jesus. Esse é o meu consolo. 
Um ano único, de profundas mudanças, grandes vitórias. Um ano de crescimento e de muita gratidão a Deus por tudo o que tem feito em nossas vidas. 

:)

Reunida com o meu chefe, procurando dizer-lhe que terei de ir viver para o Continente, digo-lhe, timidamente, que tenho algo muito importante para lhe dizer e que se trata de um assunto pessoal, muito delicado.
Pergunta imediata: "Estás grávida outra vez?"
(lol)

22 de dezembro de 2012

17 de dezembro de 2012

Este é, sem dúvida, o ano dos posts difíceis de escrever. Tenho adiado a minha vinda aqui por saber que é muito difícil o que tenho para dizer. É um misto de alegria e de tristeza, difícil de passar para palavras. Mas, depois de oito anos, quis Deus que os nossos dias nos Açores chegassem ao fim. Após termos ponderado muito e buscado a orientação de Deus, a Sua resposta foi muito clara, com diversas confirmações e sempre selada com a paz que excede todo entendimento. No próximo ano, iremos regressar ao Continente, onde serviremos, de coração, a Igreja Evangélica Baptista de Queluz. Por agora, vivemos um período muito importante na Igreja da Horta, que é o da sucessão pastoral, pela qual temos orado todos muito ao Senhor. Começámos também, as nossas (dolorosas) despedidas, que ainda só vão no começo e que já nos levaram a todos muitas lágrimas, muitos apertos de coração. É assim quando o amor é grande. Mas os irmãos da igreja da Horta também perceberam e aceitaram a Vontade de Deus para a igreja, e sabemos que tudo irá correr bem, pois a Sua vontade é perfeita.Temos muitas coisas para tratar, muitas. Esperamos ainda algumas respostas no Senhor, como a da minha continuidade profissional. Precisamos muito das vossas orações. Sei que alguns de vós estão já a suportar-nos em oração e agradeço-vos profundamente por isso. As próximas semanas vão ser muito intensas do ponto de vista emocional. Que o Senhor nosso Deus nos guarde, fortaleça e que tudo possa correr muito bem nesta transição ministerial. Para Sua honra e glória!

22 de novembro de 2012

Mais perto de Ti

Uma das coisas que me ensinaram assim que comecei a nadar no mar foi que a rebentação era o pior sítio para tomar banho. Se eu entrasse pelo mar dentro e nadasse lá mais longe, onde as ondas são altas (mas não rebentam), aí sim, tudo era mais calmo. Outra coisa que aprendi nas viagens de avião foi que a melhor parte da viagem é quando estamos lá no lugar mais alto, velocidade de cruzeiro, com as nuvens muito abaixo de nós. Por vezes, a descolagem pode até ter sido atribulada, com ventos e mau tempo, mas quando chegamos àquele lugar alto, o avião fica tão sereno que, por vezes, até parece estar parado. Há um cântico que diz “O Senhor é a minha força, Ele faz-me andar em lugares altos (…) acima dos problemas, acima das tribulações, acima do pecado, acima das tentações, acima das minhas dores, acima das perseguições, acima deste mundo, acima das desilusões”. Quando canto estas palavras, lembro-me daquela imagem do avião a deslizar no céu azul… e as nuvens, o mau tempo, lá bem em baixo, bem longe. Esta força que temos em Cristo é das coisas mais preciosas que os crentes podem ter. Como enfrentar as dores desta vida sem um avião que nos leve para lugares altos? Deve ser um desespero. Tenho viajado muito nestes últimos tempos. Acima da saudade, acima da tristeza, acima das recordações. E a paz com que Jesus enche o meu coração é mesmo perfeita. E o bom ânimo que sinto é mesmo sobrenatural. O meu desejo é andar cada vez mais nestes lugares altos. Mais perto de Deus.

16 de novembro de 2012

Os maridos das princesas

Diz-se que "Quem não tem cão caça com gato". Pois, à falta de príncipes, as princesas da minha filha não ficaram solteiras. Os maridos foram arranjados de entre os brinquedos do irmão.
(lol)

:)

Deitados, cada um na sua caminha, luzes apagadas, a minha filha diz, baixinho, para o irmão: “Miguel… Miguel…” (silêncio) “Miguel, estás a dormir? (silêncio) “Miguel…” (silêncio) “Miguel, estás a fazer oração?” (silêncio) Até que, finalmente, o Miguel responde, baixinho: “O que foi?” e ela pergunta novamente: “Estavas a fazer oração?” E ele responde “Estava.”
(Do lado de fora do quarto, ouvi esta conversa e o meu coração ficou consolado!)

A 1ª janelinha

Caiu o 1º dente do nosso filho mais velho. E já vem outro a caminho.
Está felicíssimo!

13 de novembro de 2012

Professores

-"Sabes, mamã, os professores são pessoas muito inteligentes!" - diz-me com um ar de deslumbre pelo tema.
-"Ai sim? Então porquê?" - pergunto eu, a ver se percebo onde é que ele quer chegar com aquela afirmação.
-"É que os professores  é que ensinam as coisas todas aos meninos, para que quando eles forem meninos grandes não sejam uns cabeças ocas."
Tentando segurar o riso, pergunto-lhe: -"E tu, gostavas de ser professor, um dia?"
Resposta: "Eu?" - muito indignado com a pergunta - "Eu não! Eu não sou assim tão inteligente! Eu... só sou bom a fazer contas."
(querido)

Garganta

Por estes dias, os nossos filhos foram ao circo. Tendo perguntado à minha filha qual o animal que mais gostou de ver, ouvi esta estranha resposta: "Foi aquele que tem uma garganta nas costas"! Depois de um bocado a conversar com ela é que lá consgui perceber que a "garganta" é a bossa do camelo, que ela comparou à "maçã de Adão" dos pescoços masculinos.
(lol)

9 de novembro de 2012

Tempos de confusão

Como vem sendo habitual nesta altura do ano, os meus filhos trazem da escola umas bolsas, feitas por eles, para colocar os doces do “Pão por Deus”. A bolsa que o meu filho trouxe é uma abóbora do Halloween; a da minha filha diz “Pão por Deus” e por baixo tem um fantasma.
Também por estes dias, vi afixado um cartaz anunciando um “Jantar do Halloween”. O preço era de 12,50 “bruxinhas” (leia-se euros) por adulto e 7,00 “bruxinhas” por criança. Agora: o jantar foi organizado pela comissão de angariação de fundos para a construção da nova igreja católica de uma das freguesias da ilha.
Como dizem os açorianos: Está tudo "caldeado"...

Noiva

Todas as 2ªf, as mulheres da igreja têm uma reunião de oração. Esta semana, enquanto orávamos de mãos dadas, uma irmã dizia que nós, Igreja, somos a noiva de Cristo e que o Senhor está a preparar a Sua noiva para se encontrar com ela. Eu sei que assim é, não é uma novidade para mim, mas, não sei porquê, desta vez estas palavras tocaram-me tanto que não me saem do pensamento. Nós sabemos tantas coisas, mas por vezes vivemos os nossos dias sem o foco no dia da boda. E não pode ser… A preparação de um casamento requer tanto trabalho, tanta entrega, tantos pormenores. Quando fiquei noiva, senti-me muito honrada. Ía casar com o rapaz mais lindo que conheci. Quando fiquei noiva, gostava de ostentar, discretamente, o meu anel de brilhantes e de confirmar, com vaidade, a quem me perguntava, que sim, que era o meu anel de noivado. Quando fiquei noiva, escolhi um vestido branco, de manga comprida (fui uma noiva de inverno assumida), liso, mas distinto, com uma mantilha rendilhada sobre a cabeça. Experimentei-o várias vezes, fazendo ajustes, para estar tudo perfeito no dia do casamento. Quando fui noiva, passei uma manhã inteirinha na cabeleireira a fazer e a desfazer penteados, para no final decidir que, afinal, ía levar o cabelo caído. Quando fui noiva, tinha cuidado com o que comia para não engordar muito. Tinha cuidado com tudo, pois queria estar perfeita para o meu noivo. Quando fui noiva, preparei com o meu noivo a casa onde íamos viver. Cada móvel, cada objeto de decoração tinha uma história própria. Na nossa inocência, escolhemos tudo em tons claros. Não sabíamos que, um dia, íamos ter três filhos. Enquanto fui noiva, fui-me desapegando da vida de solteira e passei, cada vez mais, a pensar a vida em conjunto com o meu noivo. A família dele passou também a ser a minha família. Quando fui noiva, sentia um nervoso miudinho ao pensar no dia do casamento. O meu noivo era o amor da minha vida. Eu ía ser dele e ele ía ser meu. Enquanto noiva, já tinha ganho algumas das expressões e hábitos do meu noivo, fruto da convivência. As coisas já eram pensadas a dois e os dois começávamos a ser um só. Enquanto noiva, cresci na minha fé, que é uma das coisas mais preciosas que o meu noivo me ajudava (e ajuda) a fazer. Era feliz e sabia que dias ainda mais felizes me esperavam. É tão bom ser noiva! Que o Senhor nos ajude a manter esta atitude de zelo, compromisso, amor e gozo no nosso relacionamento com Cristo.

8 de novembro de 2012

Girl Power


À semelhança do que aconteceu no Continente, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores tem, desde 2ª feira passada, e pela 1ª vez, uma mulher como Presidente: Ana Luís, natural do Faial, economista, de 36 anos. Fez-se História.

7 de novembro de 2012

Tia Etelvina

Hoje o telefone tocou bem cedo. Não gosto quando o telefone toca tão cedo, pois, se não for alguém do continente que se esqueceu da diferença horária, é porque são más notícias. Foi o caso de hoje. Pouco depois do meu marido atender o telefone, ouvi-o suspirar. Foi a minha tia Etelvina que partiu para Jesus, subitamente, ainda na casa dos 60. A minha tia que me visitou e consolou ainda há menos de 5 meses, aquando da partida da minha mãe (sua boa amiga). Mais uma perda vivida com um oceano a separar-nos. Era uma tia tão querida… Gostava de poder abraçar o meu tio e primos. Consola-nos sabê-la com Jesus, pois era crente fiel no Senhor. Até um dia, querida tia!

6 de novembro de 2012

Papá

Um dos elogios que mais gosto de receber (apesar de quem o diz não saber que é um elogio) é que sou parecida com o meu pai (apesar de quem o diz não saber que, na verdade, é meu padrasto). Acho que é porque somos os dois “caixas-de-óculos” e com um ar calmo. No entanto, o meu pai está a uns níveis largos acima de mim. É das pessoas mais bonitas que conheço, um coração muito bom. Para além do meu pai de sangue, que também amo muito, ganhei este pai aos 5 anos de idade e foi das melhores coisas que Deus me deu na vida. Recordo-me de andar ao seu colo e de lhe perguntar quantos anos tinha, ouvindo como resposta: "28". Lembro-me de achar que 28 já era idade de alguém muito velho. Por estes dias fez 58 anos. Tenho muita gratidão por tudo o que me tem ensinado na vida, por vezes mesmo sem falar, só com a sua atitude. Guardarei sempre a lembrança da forma extremosa como cuidou da minha mãe, até ao dia em que partiu para Jesus. Parabéns, papá. És um exemplo e és muito precioso para todos nós.

31 de outubro de 2012

Com a verdade me enganas

Muito se fala sobre a pronúncia açoriana e a dificuldade em percebê-la. Mas, para mim, pior foi aprender o significado que os açorianos dão a palavras que os continentais utilizam com outro significado. Por exemplo, um "bibe". Para mim, um bibe sempre foi a bata aos quadradinhos que as crianças usam no jardim-escola. Para os açorianos, um bibe é um babete. Outra: para um açoriano, uma pessoa "discreta" é uma pessoa equilibrada, que diz coisas acertadas. Nada a ver com o "discreto" utilizado pelos continentais. Por isso, quando uma pessoa diz uma tolice, os açorianos dizem "Tu não estás bem discreto!" Outra ainda: pouco tempo depois de ter tido o meu terceiro filho, encontrei uma vizinha minha, que me disse em tom de elogio: "A vizinha está perfeita!" Ao ouvir isto, subi às nuvens. Não há elogio mais doce para uma mãe em fase pós-maternidade. Pois bem, mais tarde vim a saber que "perfeita", para um açoriano, significa roliça, cheinha, ou mesmo gorda :)

26 de outubro de 2012

Terra de partidas

Ontem despedimo-nos de uma família, membros da nossa igreja, que regressou definitivamente ao Brasil, seu país de origem. O casal, dois filhos e um sobrinho deixaram a ilha, depois de 4 anos de residência neste lugar. Era uma família muito amada por toda a igreja. Quando chegaram à ilha, tive oportunidade de os ajudar através do meu trabalho. Tivemos depois a alegria de os conduzir a Jesus. Primeiro, a esposa, depois o marido, mais tarde a filha (no acampamento de jovens) e por fim também o sobrinho. O casal e o sobrinho foram baptizados pelo meu marido. É curioso como esta família, oriunda de um país com tantos evangélicos, veio converter-se numa pequena ilha católica. Era este o grande propósito do Senhor quando permitiu que esta família tivesse uma experiência migratória. Na parede da Escola Bíblica Dominical ficou a marca, a azul, da mão do seu filho mais novo, de 5 anos, de quem os nossos filhos se despediram com um brilho triste nos olhos. Não sabemos se um dia nos reencontraremos neste mundo, mas alegra-nos saber que temos encontro certo marcado no Céu. São assim os Açores, terra de chegadas e de partidas.

16 de outubro de 2012

Festa no Céu

O dia de ontem foi de festa! Celebrámos os 37 anos de vida da Igreja Baptista nesta pequena ilha. Perto da hora de início do culto, um deslumbrante arco-íris apareceu no céu, como que a dizer-nos que a festa não era só aqui na terra. A igreja estava lotada, algumas pessoas tiveram de assistir de pé. Vários visitantes. Agradecemos a Deus por mais um ano de vida, recordando o trabalho feito ao longo de 2012 e as vidas que foram alcançadas. Depois, o pastor partilhou, por breve momentos, a Palavra de Deus e de seguida fez um apelo. Uma senhora, mãe e sogra de um casal da nossa igreja, que conhecemos desde que chegámos aos Açores, e que nos últimos meses tem assistido regularmente aos cultos, decidiu entregar a sua vida a Cristo. Tremendo! De seguida, quatro irmãos foram baptizados nas águas, dando testemunho público da sua conversão. Foi um culto lindo que encheu os nossos corações de alegria. Viemos para casa tão felizes por tudo o que Senhor tem feito neste lugar. A Deus toda honra e toda a glória!

12 de outubro de 2012

Sinceridade

Enquanto comia cereais, apercebi-me que a minha filha me observava em silêncio. Continuei a comer. Entretanto, ela pega na caixa dos cereais e começa a ver as imagens que lá vêm (eu estava a comer cereais "Fitness"). Dali a pouco, sai-se com esta: "Mamã, tu comes cereais para meninas gordas?"
(lol)

1 ano

Faz hoje um ano que recebi aquele telefonema que nenhuma mãe e nenhum pai quer receber. Estava no trabalho, a meio da tarde, quando me telefonaram  a dizer que o meu filho tinha caído do escorrega da escola e que, muito provavelmente, tinha um braço partido. Nunca estamos preparados para uma notícia destas. Quando o meu marido chegou à escola, o nosso filho ainda estava a ser levado pelos bombeiros para a ambulância. Recordo que nunca andei tão depressa na minha vida. Naquele dia, o som da ambulância que soou nas ruas da ilha foi por causa do meu filho. Um cotovelo fraturado, na zona de crescimento, com necessidade de intervenção cirúrgica e cololocação de ferros. Os meses que se seguiram foram bastante difíceis. Muitas noites sem dormir, cuidando do nosso menino, que sofria com dores. Dois meses depois, foi novamente operado para tirar os ferros. Depois, a recuperação dos movimentos e da autoconfiança. Enfim, hoje tudo isto já é parte do passado e damos muitas graças a Deus porque esta história teve um final feliz. O nosso filho está ótimo, recuperou a 100% e de todo aquele episódio gosta apenas de recordar a sua entusiasmante experiência a bordo de uma ambulância: "Foi espetacular!". Foi há 1 ano.

11 de outubro de 2012

Recordação

Por estes dias, uma irmã da igreja oferecereu-me diversas fotografias dos nossos primeiros tempos de Açores. São fotos que remontam a 2005 e 2006 (quando ainda se revelavam fotografias). Foi maravilhoso recordar aqueles primeiros tempos... vivemos momentos lindos neste lugar. Muito fresquinhos, acabados de chegar do Continente, pouco depois nascia o nosso primeiro filho. As caras da congregação, tão diferentes das que hoje a constituem. Os Açores são mesmo uma terra de chegadas e de partidas. E houve uma foto que me fez rir muito, pois gostava de ter ficado com um registo daquele momento e agora já o tenho: a matança do porco! O meu marido e eu, que poucos meses antes tínhamos uma vida absolutamente urbana, na imediações do IC19, vimo-nos, de repente, numa matança do porco, com todos os rigores da tradição. Inesquecível! E quando chamaram o meu marido para ajudar... muito engraçado! Fica aqui a partilha de um dos momentos mais giros da nossa "açorianização".

8 de outubro de 2012

Romanos 8

Pouco tempo depois da minha mãe ter partido para o Céu, o meu pai encontrou na rua um irmão que pertence a uma igreja evangélica. A partida da minha mãe tocou muito as pessoas da terra, pois era uma pessoa muito conhecida, muito estimada e ainda era uma pessoa nova para partir. Nos primeiros dias, quando o meu pai saía à rua era muito abordado, todos queriam dar-lhe uma palavra de conforto. Nesse dia, também aquele irmão conversou um pouco com o meu pai, dando-lhe palavras de alento e, já no final da conversa, disse-lhe assim: “Leia Romanos 8!”. Chegado a casa, o meu pai, lembrando-se do conselho daquele irmão, pegou na Bíblia da minha mãe e começou a folheá-la. A minha mãe, nos seus últimos tempos, tinha andado a ler a Bíblia de ponta a ponta e, conforme ía lendo, sublinhava as partes que mais lhe tocavam com um lápis cor de laranja. Conforme o meu pai ía folheando a Bíblia, aparecia o sublinhado laranja aqui e ali. Passou o Velho Testamento e chegou ao Novo Testamento. O sublinhado continuava sempre. Até que, curiosamente, há um momento em que o sublinhado deixa de aparecer - foi na altura em que a minha mãe deixou de ter forças para continuar a ler. E -  vejam como Deus faz as coisas - o sublinhado termina no livro de Romanos, precisamente no capítulo 8! O meu pai ficou muito tocado com esta “coincidência”, assim como eu e toda a família. Deus, através daquele irmão, mostrou-nos, mais uma vez, como a minha mãe partiu em paz, feliz com Jesus. As últimas palavras lidas pela minha mãe foram estas: “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.”

Nadine

Na 5ªf passada, as escolas do grupo central ficaram fechadas. A previsão de uma 2ª investida da tempestade Nadine - desta vez, ainda com mais intensidade - deixou os açorianos de pé atrás. A imagem de satélite era assustadora: viam-se as ilhas, bem minúsculas, e, a aproximar-se, uma massa branca grossa, densa, imensa. Mas, pela graça de Deus, o dia de 5ª feira não passou de um dia cinzento escuro, com vento e alguma chuva. Tudo tranquilo.
(Obrigada a todos os que oraram pelos Açores)
http://www.youtube.com/watch?v=PD5jh5jEfTg

4 de outubro de 2012

Migrantes

Neste início de ano letivo, encontrei um texto muito interessante, do escritor Alexandre Borges, natural da Terceira, e vou partilhar um pequeno techo convosco. Fica a homenagem aos mais jovens "emigrantes" do nosso país - os estudantes universitários açorianos. Curioso.
"Fizemos a nossa emigração no dia que saímos de casa para estudar. Bem podem dizer que é o mesmo país - claro que é - mas quem troca a Terra Chã ou a Vila Franca do Campo por Lisboa faz uma viagem bem maior do que quem troca uma capital europeia por outra, onde encontrará os mesmos códigos urbanos, os mesmos placards publicitários, as mesmas lojas e restaurantes e bancos, as mesmas promessas. O miúdo açoriano que parte para a faculdade troca de mundo, troca o ritmo de vida, troca a própria respiração das coisas. Para onde quer que olhe, nada lhe é familiar. Se olhar para trás, não verá nenhuma placa apontando o caminho de volta. Nem o mar.
Nada de ressentimentos. Num tempo que decidiu que, aos 40 anos, ainda se é jovem, os ilhéus são forçados a crescer mais depressa. É preciso agradecê-lo. Não se vai ao fim-de-semana a casa. Não há comida da mãe no congelador. Um tipo faz-se homem. Uma miúda faz-se mulher. Tratamos de nós."
("A epifania do regresso", de Alexandre Borges, in Azorean Spirit - Sata Magazine)

O segredo


Muito por influência da minha irmã, comecei a gostar deste género musical desde cedo. Encontrei há dias esta versão do "In the upper room" e fiquei deliciada. A alegria deles arrepia-me. E este tema tem tudo a ver com o momento que vivo, pois ultimamente tenho compreendido, da parte do Senhor, que o "upper room" é mesmo o segredo de uma  vida cristã plena.

21 de setembro de 2012

7

O nosso mais velho faz hoje sete anos. Por esta altura, em 2005, estava eu e o meu marido embevecidos a olhar para este maravilhoso ser, com pouco mais de uma hora de vida, com 50cm e 3.395kg, vestido com um fatinho azul, oferecido pela avó São, e um casaquinho de malha minúsculo azul, feito pelas mãos da avó Celeste. Tínhamos chegado aos Açores há cerca de 7 meses e meio. Hoje, calça o 33, tem um dente a abanar e diz que nasceu para ser guarda-redes. É o cabecilha dos 3 irmãos, quem dá as coordenadas. É também o seu maior defensor: “Não ralhas com a minha maninha!” Tem um sentido de humor genial desde pequenino e não o tem perdido com a idade. Decorou a letra da música do Carteiro (cantada pelo irmão João do acampamento – ver aqui), depois de a ter ouvido apenas duas vezes. É fã do irmão João. Meigo, muito meigo. Emociona-se (coisa linda num homem). Cómico por demais. Faz amizades com a maior das facilidades. Mete-se com as pessoas, é um simpático. Já viu os filmes do Alvin 500 vezes, mas chora sempre a rir com os diálogos, como se os estivesse a ver pela 1ª vez. Bem-disposto. É sensível à Palavra de Deus, aos louvores. Convidou o seu melhor amigo da turma para ir à igreja e este está a ir sempre aos cultos, mesmo sem os pais. Este ano, quer um bolo do Ratatui e uns ténis com rodas. E vai ter. É o nosso mais velho. Crescendo no Senhor. Tem um dia muito feliz, filho amado.

Nadine



Em quase 8 anos de Açores, nunca tinha visto nada assim. Pela 1ª vez , esta noite enviei uma mensagem para a família a pedir oração. A tempestade tropical Nadine está a passar pelos Açores, em especial no grupo central. A noite foi muito mal dormida. O som forte do vento e da chuva, e a pressão que fazia sobre as casas, não nos deixou descansar. A dada altura, apercebemo-nos que o vento nos arrancou literalmente uma janela que temos no telhado (janela de sótão). Ficámos com um buraco enorme no teto, com o vento e a chuva a entrar por ali dentro. Não sabemos para onde foi a janela … Hoje de manhã, pensámos que as pessoas não íam sair de casa, pois a tempestade continua muito forte. Mas enganámo-nos. Os açorianos estão a fazer a sua vida normal e está tudo a funcionar. Há estradas cortadas, árvores caídas, plantações destruídas, mas nada que impressione os açorianos por aí além. Que povo interessante e corajoso! Hoje não há aviões. As previsões apontam para as 17h como a tão esperada hora de acalmia. Que assim seja.

17 de setembro de 2012

Ar condicionado

O clima dos Açores é bastante húmido e, muitas vezes, a humidade chega aos 80%, 90% e mesmo aos 100%. Numa igreja com um salão pequeno e cheio de pessoas o ar torna-se quase irrespirável e o calor é insuportável. Pela bondade de Deus, algumas igrejas irmãs do Continente, através da Convenção Baptista Portuguesa, fizeram-nos chegar uma oferta para adquirirmos um aparelho de ar condicionado. No nosso contexto, este aparelho não é um luxo, mas uma necessidade grande. No domingo passado, estreámos o novo ar condicionado (que também funciona como desumidificador). Que maravilha... Não se viram mais leques a abanar, nem irmãos de pé, junto à porta da rua, para apanhar ar fresco. Todos estavam bem-dispostos sob uma temperatura agradável. Melhorámos em muito as condições no culto. Deus é tão bom! Muito obrigada aos queridos irmãos do Continente que nos abençoaram! Que Deus vos retribua com a Sua generosa medida.

12 de setembro de 2012

35

Na minha vida, tive a feliz coincidência de ter nascido no mesmo dia que a minha mãe. Ela dizia que fui a sua prenda de anos (dos 26 anos). Neste dia, lá em casa, o bolo era sempre só um, com velas para as duas. Só deixei de celebrar este dia em conjunto nos últimos 8 anos, por estar nos Açores. É impossível não recordar a minha mãe neste dia. Será sempre o 'nosso' dia. Porém, a partir deste ano, sou só eu que passo a ficar mais velha :) Velha e grata a Deus por cada dia de vida que me tem dado. Dias cheios das suas bençãos, de lutas também, mas cheios de coisas lindas de recordar. E, confesso, é muito bom ganhar anos de vida e crescer com tudo o que eles nos trazem. Obrigada, meu Deus, pela vida que me tens dado.
(Foto de 2004: fazíamos 27 e 53 anos. 4 meses e meio depois, vim para os Açores )

11 de setembro de 2012

Acampamento de crianças e Festa no Céu

Na semana passada, a Igreja Baptista da Horta organizou um acampamento para crianças e adolescentes, em colaboração com a APEC, com a irmã missionária Clara Barcelos.  Participaram 28 crianças, algumas delas nunca tinham entrado na igreja. O acampamento teve um cariz evangelístico muito forte, sob o tema "O Livro Incomparável". O acampamento foi uma bênção, tendo havido duas conversões: um menino e uma adolescente. Durante uma semana, estas crianças foram à praia, às piscinas, andaram de mota de água, fizeram jogos, trabalhos manuais, concursos, mas, acima, de tudo, e vejo isto pelos meus filhos, aprenderam muito da Bíblia. Decoraram versículos, entoam cânticos, sabem todos os livros do Novo Testamento de cor, dá gosto ver. A equipa de cerca  de 10 irmãos que serviram neste acampamento (cozinhando, limpando, cuidando e aconselhando as crianças) foi maravilhosa. Também eles foram muito abençoados durante esta semana. No domingo, o culto foi dirigido pela irmã Clara e as crianças puderam participar cantando. Foi muito inspirador. Que todos estes meninos e meninas possam crescer sempre no temor do Senhor.
(Agradecemos muito a todos os que oraram por este acampamento)

5 de setembro de 2012

De braços abertos


Esta música é o novo tema da TAP e costuma passar nos ecrãs do avião enquanto viajamos. Nestas férias, pela primeira vez, não cheguei de "braços abertos" porque a pessoa que mais 'sofria' de saudades (a minha mãe) já não estava à minha espera. Mas a alegria e a leveza desta música faz-me sorrir ao pensar no dia em que chegar ao Céu, de braços abertos, e a reencontrar. Vai ser um grande abraço!
(saudades da minha mãe)

4 de setembro de 2012

Dia do pastor e Festa no Céu

No domingo passado, a Igreja da Horta comemorou o Dia do Pastor. Apesar do pastor ser uma pessoa discreta e de não gostar de muito destaque, a igreja da Horta – que é sempre tão querida e extremosa nas demostrações de amor pelo pastor e família ao longo do ano – faz sempre gosto em assinalar esta data e de uma forma especial. Este ano prepararam uma surpresa para o pastor que o deixou sem palavras. Convidaram (sem o pastor saber) o Pastor Jónatas Lopes e a esposa para virem ao Faial. A igreja unida conseguiu trazer este casal do continente (que não conhecia o Faial), pois conheciam a amizade que une estes dois pastores e quiseram fazer esta surpresa. O culto foi maravilhoso, marcado por uma conversão a Cristo de uma jovem que reside na Ilha do Pico, seguido de um almoço-convívio. Esta é uma igreja muito querida para o seu pastor.  Um dia inesquecível, que guardaremos para sempre no coração.

Acampamentos de Jovens 2012

Este ano aconteceu uma coisa curiosa nos acampamentos de jovens batistas. A equipa de pastores que esteve no acampamento dos Açores, na Ilha Terceira, foi a mesma que esteve no acampamento do continente. Rui Sabino e Jónatas Lopes. Nos Açores, este foi o 3º ano consecutivo que estes dois pastores ministram para os jovens. Quer aqui, quer no continente, os acampamentos foram muito abençoados, muito ‘incisivos’ na vida destes jovens, com diversas decisões por Cristo e pelo ministério. Tive a bênção de poder ter estado com o meu marido e os nossos filhos no acampamento do continente (já não ía a um acampamento em Água de Madeiros há mais de 10 anos) e fiquei muito tocada pela geração de jovens que ali encontrei (mais de 100 jovens - foto), uma geração lindíssima, que procura conhecer mais o Senhor, que quer ser aconselhada, quer mudar/melhorar, um potencial enorme. Fui muito abençoada por tudo o que ouvi naqueles dias, muito marcante. Que Deus abençoe muito esta nova geração de jovens e que do seu meio possam sair líderes consagrados que elevem o Nome de Jesus quer no continente, quer na ilhas - é a minha oração.

3 de setembro de 2012

Sinaleira

Sentada ao colo da Filipa, uma querida amiga nossa, a minha filha (sempre muito observadora) sai-se com esta: “Tens muitos sinais na cara.”
Resposta da Filipa, em tom de brincadeira: “Pois tenho, sou uma sinaleira.”
Intrigada, pergunta: “O que é uma sinaleira?”
Filipa: “É uma pessoa que tem muitos sinais.”
Resposta: “Eu não tenho muitos sinais…”- pausa - “Como é que se chama uma pessoa que não tem muitos sinais?"
Filipa:"Não sei..."
A minha filha fica a pensar e depois conclui: "Acho que eu sou só polícia.”

:)

Estavamos nós a apreciar uma fonte de água, que existe na terra do meu marido, que tem uns peixes enormes lá a nadar, quando o meu filho mais velho me perguntou o que é que estava escrito na parede da fonte. Respondi-lhe que dizia “1863” e que, provavelmente, era o ano em que a fonte foi construída. Resposta dele: “Ah!! Então é por isso que os peixes são tão grandes!”

Mães - continuação

Ainda sobre mães que oram, tenho esta memória: quando era pequena, gostava muito de ficar na casa da minha avó materna. Fazíamos coisas diferentes, como passar tardes a descascar ervilhas, favas, a cortar feijão verde aos pedacinhos. Ouvia as suas curiosas histórias e anedotas (ela tinha muita graça), enquanto comia uma filhós aquecida ou uma grossa fatia de pão caseiro com becel (ela não podia comer manteiga). Apreciava a forma como fazia o carrapito, rodeado de ganchos e um toque de laca. Gostava de calçar as suas pantufas de cunha alta. Passou-me bons princípios, puxou-me sempre para a igreja. Era uma matriarca, uma mulher inteligente.  Tenho muitas saudades da minha avó e de ouvir o seu tom de voz grave. Mas uma das recordações mais fortes que guardo comigo é a forma como orava a Deus.
À noite, sentadas na cama, enquanto conversava comigo, de repente, e sem avisar (achava muita graça a isto), levantava a voz e dizia "Ó Senhor..." - e eu percebia que ela já não estava a falar comigo. Era sempre assim. Nunca dava aviso. E enquanto orava fervorosamente (a minha avó era pentecostal), havia sempre uma parte em que o seu tom de voz se alterava para um tom mais emocionado. Era quando orava pelo filho. Pedia sempre para ele voltar para Deus. E isto ficou-me registado. A minha avó já está com Cristo há vários anos, mas nunca me esqueci deste bom exemplo: ser uma mãe que ora. Foi das coisas mais importantes que me passou.

31 de agosto de 2012

Mães

Certa vez, o meu marido contou uma história, na pregação de domingo, que me marcou imenso. Foi sobre a despedida entre do missionário Hudson Taylor e  sua mãe, antes de embarcar para a China, seu campo missionário. Eram outros tempos, a viagem demorava 6 meses, num barco. Ele tinha pedido à mãe para não ir ao cais, mas ela foi. Entrou no camarote onde o filho ía ficar, endireitou-lhe os cobertores da cama (achei esta parte deliciosa), cantaram um hino e a mãe fez uma última oração com ele, de joelhos. Despediram-se sem esperança de um dia se reencontrarem outra vez. Quando o barco partiu, e à medida que ía desaparecendo no horizonte, a mãe deu um grito de angústia tão cheio de emoção que o filho ouviu-o no barco. Taylor compreendeu naquele grito de dor o significado do profundo amor de Deus pelos homens, ao dar o Seu único Filho.
Ao ouvir esta história, lembro-me de ter pensado da “sorte” que eu tinha, pois apesar de estar longe da minha mãe, podia reencontrá-la nas férias e podíamos conversar diariamente pelo telefone. Mas, nunca pensei que, tal como aconteceu com Taylor, ela partisse para Cristo enquanto eu estivesse no campo missionário.
Ao recordar este episódio, fui procurar a biografia de Hudson Taylor, para conhecer melhor a sua história. E… é incrível, descobri algo maravilhoso sobre os seus pais, que me tocou mais profundamente do que aquela história da despedida no cais. Diz a história que: “Tiago Taylor, o pai de Hudson, não somente orava fervorosamente pelos seus cinco filhos, mas ensinou-os a pedirem detalhadamente a Deus todas as coisas. Ajoelhados, diariamente, ao lado da cama, o pai colocava o braço ao redor de cada um enquanto orava insistentemente por eles. A porta fechada do quarto da sua mãe, diariamente ao meio-dia, apesar das suas constantes e inumeráveis obrigações, tinha também grande influência sobre todos, pois sabiam que ela, assim, se prostrava perante Deus para renovar suas forças e para que o próximo se sentisse atraído pelo Amigo invisível que habitava nela.”
Que pais incríveis! Não há exemplo mais tocante para os filhos do que este: pais consagrados. Fui procurar um episódio 'triste' da história de Taylor e Deus falou ao meu coração com esta outra parte tão maravilhosa da história! Que Deus me ajude a ser uma mãe como esta, para que os meus filhos possam viver sempre no temor do Senhor e para Sua glória.

1 de agosto de 2012

Diálogos de irmãos

Pela manhã, a minha filha acorda e pegunta preocupada: “Onde está o Miguel?” Respondo-lhe que está mesmo ali ao lado. Respira de alívio e diz ao irmão que estava a sonhar que ele tinha sido levado pela polícia para a prisão. Tudo porque não tinha posto o cinto de segurança. Ao ouvir isto, o irmão começa a rir. “E era uma polícia-menina!”- salienta ela. O irmão ri ainda mais. “E olha que eu até vi a espada!” – acrescenta ela com um ar preocupado. Nisto, o Miguel pára de rir e pergunta à irmã, com um ar intrigado: “Olha lá, tu sonhaste com um polícia ou sonhaste com um gladiador da Roma antiga?”
(lol)

ABA - Festa no Céu

Foram 3 dias maravilhosos. A 32ª Assembleia Geral da Associação Batista Açoriana (ABA), que contou com a presença de pastores e diversos irmãos das ilhas de São Miguel, Terceira e Faial (ilhas onde existem igrejas baptistas), foi um tempo de comunhão muito abençoado. Somos mesmo uma família. E tão bonita! O que os irmãos do Faial trabalharam para receber esta ABA! Tudo por amor à obra de Deus. Delicioso de ver. Os cultos sempre lotados, vários visitantes, pessoas de pé até à rua. A Palavra de Deus explicada de forma tão simples e tão profunda, nas pregações do Pastor Diné Lóta. Uma Assembleia marcada pela conversão da Maria, uma jovem açoriana, visitante, que respondeu publicamente ao apelo feito pelo Pastor Diné, no culto de sábado à noite. Para além dela, outras vidas foram também tocadas pelo Senhor, as quais vamos acompanhar. Ter o pastor Diné e a irmã Leila connosco foi um presente de Deus. Tão especiais que eles são! Já temos saudades. Muita gratidão é o que sentimos, por esta ABA tão abençoada.

17 de julho de 2012

ABA

Lembro-me como se fosse hoje. Estava na loja da minha mãe, quando entrou um senhor, com muitos posters de publicidade na mão. Tinha mais ou menos a idade dos meus pais. Aproximou-se da minha mãe e perguntou-lhe: “Posso fazer-lhe uma pergunta, por curiosidade?” A minha mãe disse que sim. Então, ele continuou: “Porque é que a sua loja se chama Apocalipse”? Já não me lembro bem da resposta da minha mãe, mas penso que lhe terá falado das suas origens evangélicas (apesar de, naquela altura, não estar a frequentar nenhuma igreja). Então, o senhor pediu autorização para afixar um poster na porta da loja. Era o pastor da Igreja Baptista. Íam passar um filme sobre Jesus e estavam a convidar as pessoas para assistir ao filme. Este foi o meu primeiro contato com o Pastor Diné Lóta. Não me lembro se fui ver o filme, mas nesse mesmo ano, no Natal, o meu avó (que, entretanto, tinha começado a frequentar a Igreja Baptista) levou-me àquela igreja. A partir daí, continuei sempre a ir, com meu avô e os meus irmãos. Mais tarde, recebi Jesus como meu Salvador e fui baptizada pelo pastor Diné (no dia da foto). Passados poucos anos, penso que 4, o pastor e a família regressaram ao Brasil, terminando a sua experiência missionária em Portugal, a qual tinha começado, curiosamente, no Faial e Terceira. O Pastor e a irmã Leila foram dois servos de Deus marcantes na minha vida. Nunca mais os reencontrei, mas, esta semana, e 26 anos depois de terem deixado os Açores, vão voltar ao Faial. O Pastor Diné vai ser o orador da 32ª Assembleia Geral da Associação Baptista Açoriana (ABA) que, este ano, vai ter como igreja anfitriã a Igreja da Horta. Estamos muito entusiasmados e felizes por podermos ter estes irmãos tão queridos connosco. Na ilha, muitas pessoas, mesmo fora da igreja, ainda hoje recordam esta família pelo seu bom testemunho e simpatia. A Igreja da Horta está a desdobrar-se em preparativos e oração. Acreditamos que vamos ter uma Assembleia da ABA muito abençoada. Que o Senhor possa ser honrado nestes dias e mais vidas alcançadas.

13 de julho de 2012

Vida plena

Quando a minha mãe adoeceu pela primeira vez, em 2010, houve um irmão, que assistia aos cultos na nossa igreja, que chegou junto de mim e entregou-me uma folha de papel, para eu dar à minha mãe, onde tinha escrito, pela sua mão, diversos versículos bíblicos muito apropriados para situações de doença. Eram versículos de ânimo, consolo e confiança no Senhor. Entreguei aquele papel à minha mãe, que ficou muito grata a este irmão. Pois bem, não é que esse irmão ainda faleceu primeiro que a minha mãe?! Afinal, também ele tinha um cancro e não sabia disso. É assim a vida humana, muito frágil... Hoje estamos cá, amanhã não sabemos. E quando convivemos de perto com situações destas, percebemos que o tempo de vida que Deus nos dá não é para desperdiçar. Esta foi uma das coisas mais importantes que a minha mãe me ensinou nos seus últimos dias. Das últimas vezes que falámos ao telefone, disse-me que se Deus lhe desse mais algum tempo de vida, ía passar o resto dos seus dias nos hospitais, a dar abraços aos doentes. Amar o próximo. Coisas que valem a pena. Por vezes, temos objetivos de vida tão vazios. Outras vezes, andamos a adiar decisões que deviam ter sido tomadas já ontem (como se fossemos eternos). Viver uma vida com o foco certo: Cristo. Estar prontos, de bem com Deus e de bem com o próximo, se o Senhor me chamar hoje.

11 de julho de 2012

:)

Esta foto foi tirada numa tarde de pesca do meu filho com o pai e o irmão V. Ao ver a fotografia, comentei: "Que barco lindo!" Resposta do meu filho: "Lindo nada! Estragou-me a pescaria toda!"
(lol)

Céu

Sentados à mesa, prontos para começar a jantar, a minha filha fez uma oração de agradecimento a Deus pelos alimentos. No meio da oração, pediu também a Deus que ajudasse a avó a ficar boa. Terminada a oração, o meu filho mais velho perguntou à irmã: “Porque é que oraste pela avó?” E a minha filha, na pureza dos seus 4 anos, respondeu com estas palavras: “Jesus pode curar, por isso pedi pela avó, para ela não estar doente”. Ao ouvir esta resposta, o meu filho deu esta explicação à irmã: ”Não precisas de orar mais pela avó, pois ela já não está doente. A avó agora está no Céu!”
O meu marido e eu, ao ouvirmos isto, trocámos um olhar emocionado. Com apenas 6 anos, o nosso filho já compreendeu que o Céu é um lugar onde não há dor, nem lágrimas, como diz na Bíblia.
Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. (Apoc. 21:4)

10 de julho de 2012

Ilha Azul


Esta é minha altura do ano preferida, aqui na ilha. As hortênsias azuis estão por toda a parte: à beira das estradas, separando campos, decorando as casas. Lindo de se ver. Quando vamos de carro, ficamos estarrecidos com a beleza das flores que nos envolvem de um lado e do outro. O azul arroxeado, misturado com os muitos tons de verde e o azul forte do mar, batido pelos raios de sol. Tudo muito arranjadinho, muito limpo. Há uns anos atrás, também nesta altura do ano, recebemos a visita de uma irmã muito querida, do continente, e, enquanto dava a volta à ilha, de carro, ao ver as hortênsias a perder de vista, dizia repetidamente "Ai...Glória a Deus! O Senhor seja louvado!" É mesmo isso. A paisagem paradisíaca dos Açores fala-nos muito sobre a beleza e a majestade do Criador. É tremendo! Em especial nesta altura do ano, em que os caminhos estão repletos de "novelos" azuis. Maravilhoso.

5 de julho de 2012

Piquenique

No passado dia 10 de Junho, a Igreja Baptista da Horta teve o seu piquenique anual. É um convívio que reúne as famílias da igreja e amigos dessas famílias, numa animada partilha de alimentos (todos provam os cozinhados uns dos outros), colmatada pelo já famoso concurso de sobremesas (e abro aqui um parêntesis para sublinhar o 2º lugar arrecadado este ano pelo meu marido e os seus morangos cobertos de chocolate). Ao longo da tarde, há ainda lugar para uns jogos de futebol, volley, para um mergulho no mar (para os corajosos, que o Junho aqui ainda é frio…) e para cantarmos juntos louvores, ao som da guitarra. No final, há sempre lugar para a oração e a fotografia de grupo. Um grupo que Deus tem vindo a acrescentar ano, após ano, para Sua glória! Um dia bem passado, em família!

3 de julho de 2012

Corações doces

Após termos recebido a notícia da partida da minha mãe, apanhámos o 1º avião para Lisboa, na manhã seguinte. Durante a viagem Açores/Lisboa, é servido um pequeno lanche: uma sandes, um sumo/café e um pequeno bolo. Como a viagem tem a duração de 2h30, ao que acresce o tempo que estivemos no aeroporto antes de embarcar, normalmente nunca sobra nada daquele lanche (e mais houvesse). As crianças até só costumam comer o bolo e apenas petiscam a sandes, pois esta leva quase sempre coisas que eles não gostam: patês, atum, picles e coisas do género. Pois, para meu espanto, o meu filho mais velho pegou no bolo e guardou-o naquele saquinho que nos dão para o caso de uma agonia. Perguntei-lhe porque fazia aquilo e respondeu-me que queria guardar o bolo para dar ao avô. Disse-lhe que comesse o bolo descansado (eu sabia que ele estava desejoso por comê-lo) e que depois comprávamos outro bolo, numa pastelaria, quando chegássemos ao Continente. Mas ele não aceitou. “Eu quero dar o meu bolo ao avô porque ele está triste.” Quando chegamos ao pé do avô, entregou-lhe o bolo (todo amassado) e o avô, que ficou muito tocado pelo gesto dele, comeu-o no momento! A satisfação do meu filho foi absoluta.

Desde que regressamos do Continente, tenho-me apercebido de uma frase diferente nas orações do meu filho: “Senhor, abençoa o avô que agora vive sozinho”.

São pequenos pormenores que vou guardando no meu coração, agradecida a Deus por estes traços de caráter do meu filho, um “coração doce”, como diz o avô.

Já a minha filha, que é mais nova do que o irmão, tem outra noção das coisas. Mas acho curiosa a serenidade e a alegria com que ela diz a toda a gente que a avó foi viver com Jesus, no Céu. E nem está nada aborrecida com isso, acha naturalíssimo e diz que um dia quando for velhinha também vai morar para o Céu. A sua atitude é um exemplo para mim, um refrigério.
Dou muitas graças a Deus pelos meus filhos.

2 de julho de 2012

Agradecimento

Venho aqui agradecer profundamente por cada palavra e por cada oração que vocês, meus amigos, têm dirigido a mim e à minha família. Reconheço que a paz, o consolo e a força que temos sentido nos nossos corações só pode ser dada por Deus. Tenho muita pena de já não ter a minha mãe neste mundo. Falavamos todos os dias ao telefone. Falavamos de tudo. Nem parecia existir um oceano entre nós. O vazio deixado pela sua ausência está sendo preenchido, a cada dia, pelo consolo maravilhoso de a saber no Céu, com Jesus. Obrigada, mais uma vez, por todo o amor recebido. Um abraço a todos.

11 de junho de 2012

Mamã

"Da linda Pátria estou bem longe, cansado estou. Eu tenho de Jesus saudades, oh quando é que eu vou?" Era o seu hino preferido. Costumavamos cantá-lo a 3 vozes nas viagens de carro, com a minha irmã ajudar. A minha mamã partiu hoje, ao final do dia, serenamente, para junto de Jesus. Sempre disse que não queria que ficassemos tristes, quando partisse. Por isso, agradeço ao Senhor o privilégio de a poder ter tido na minha vida durante 34 anos. Fui profundamente amada. E amei-a sempre com todo o meu amor. Fica a saudade e a firme esperança de um dia nos reencontrarmos, na linda Pátria. Até lá, mamã.

4 de junho de 2012

É assim que o Deus de Amor age. É num dos momentos mais dificeis da minha vida - em que tremo cada vez que o telefone toca com notícias sobre o estado de saúde da minha mãe - que Deus decidiu entregar-me uma benção pela qual sonhava há muito tempo: a entrada nos quadros da Administração Pública. Foi também num momento de crise profunda do país, em que as admissões públicas estão praticamente congeladas, que Deus decidiu mostrar-me que Ele tudo pode. Recebi um milagre, com sabor a miminho de Pai. Deus sabe tão bem o que faz. O Senhor é sempre Bom!

31 de maio de 2012

Filhos

Depois de lhe ter dado um valente ralhete por estar só na brincadeira quando já o tinha mandado (várias vezes) ir dormir, deita-se muito depressa e fica em silêncio. Passado um bocado, aparece-me na cozinha. Antes que eu dissesse alguma coisa, abraça-se com força às minhas pernas e diz-me: “Adoro-te, mamã!” Baixo-me até ficar da sua altura e digo-lhe nos olhos: “A mamã também te ama, mas eu quero que aprendas a obedecer à 1ª! Não quero ter de repetir a mesma coisa duas e três vezes, entendes?” Com um ar carinhoso, responde-me assim: “Amanhã vais ter mais sorte, ok?”
(lol)

Filhos

Estavamos na igreja, o culto ainda não tinha começado. Preparavamos as músicas, o computador, etc. De repente, quando me apercebo, o meu filho mais novo estava a tentar enfiar uma bolacha na ranhura da caixa das ofertas. Aflita, digo para o meu marido: “Olha o bebé!” E o meu filho mais velho, que estava de longe a apreciar a cena, diz com uma grande serenidade e convicção: “Não cabe!" Olhamos para ele com um ar desconfiado e ele lá confessa: "Eu também já tentei...”
(lol)

28 de maio de 2012

4 anos

Hoje, a nossa menina faz 4 anos. Agradecemos muito a Deus pela sua vida tão preciosa. Que sejas sempre uma menina muito temente ao Senhor, com um coração cheio de amor pelos que te rodeiam e que guardes sempre essa tua alegria contagiante. Amamos-te muito, filha.
(Nails by Daniela Santos :)

24 de maio de 2012

Brinquedos

Em criança, uma das minhas brincadeiras preferidas (e dos meus irmãos também) era fazer casinhas com os caixotes de papelão que estavam no armazém da sapataria dos meus pais. Os caixotes eram um brinquedo divertidíssimo. Descobri que os caixotes estão novamente na moda, quer por motivos ambientais (reciclagem) - preocupação que não existia na minha infância - quer por razões económicas (tempos de crise). E há quem tenha ideias tão giras! Estas imagens até dão vontade de voltar a brincar...







Conceitos

Sentado à secretária, lendo um texto em voz alta, vou acompanhando a sua esforçada leitura. A certa altura, surge no texto a palavra "ruínas". Pára de ler, vira-se para mim com os olhos a brilhar, e diz:
-"Mamã, sabes o que são ruínas?" - e, antes que eu dissesse alguma coisa, diz muito depressa: "Ruínas é um castelo que já só tem metade porque já foi usado em muitas batalhas!"
(lol)

23 de maio de 2012

Não sei como ela consegue


O meu marido disse-me que eu ía gostar de ver este filme e depois de o ver percebi porquê. É uma comédia levezinha acerca da dificuldade (tão comum nos nossos dias) que as mulheres têm em conciliar uma carreira profissional com o papel de mãe e esposa. Acho que todas as mães que trabalham fora de casa acabam por se identificar com algumas cenas deste filme. A mim tocou-me especialmente a parte das viagens (felizmente, não as tenho feito nos últimos tempos). Coisas menos boas do filme: as mulheres que não trabalham fora de casa são retratadas como uma espécie de tótós, que ora estão no ginásio, ora estão a cozinhar bolinhos caseiros para os filhos levarem para a escola (não concordo nada!). Coisas boas do filme: o extremoso e dedicado marido da protagonista e o facto dela não o ter deixado pelo colega de trabalho (boa!).  

21 de maio de 2012

Decisões

Sempre me fez muita impressão a história do jovem rico (relatada em Marcos 10). Foi ele que teve a iniciativa de ir ter com Jesus. Tratou-o por Bom Mestre – ele conhecia Jesus. Foi ele que perguntou a Jesus o que é que tinha de fazer para herdar a vida eterna. Mais, a Bíblia conta que Jesus, olhando para ele, o amou… arrepiante! Eu imagino a doçura do olhar de Jesus naquele momento!... O jovem ouviu a resposta-convite diretamente da boca de Jesus: só lhe faltava uma coisa... Uma! Tão pouco… Mas, ainda, assim, o jovem decidiu não dar o passo que faltava e não quis arrepender-se do seu pecado. E a frase com que esta história termina, mexe com o meu interior. Diz a Bíblia que aquele jovem, retirou-se triste. Ele sabia que estava a tomar uma má decisão, mas ainda assim virou as costas a Jesus. E a pergunta que fica na minha mente é esta: como é que ele foi capaz?! Ele que olhou Jesus nos olhos! Ele que certamente sentiu o amor de Jesus! Ele que esteve na presença de Jesus! Como? Como é que ele pode deixar qualquer outra coisa que fosse– ainda que riquezas – sobrepor-se à decisão de herdar a vida eterna? Mas, infelizmente, esta é a decisão que muitas pessoas tomaram e continuam a tomar nos dias que correm.

Recordo a história do pai de uma amiga nossa. Ele não era crente, mas um dia ouviu umas pessoas, cheias de problemas, comentarem que estavam a pensar ir à bruxa. Aquele homem, ousadamente, disse-lhes assim: “Porque é que em vez de irem à bruxa, não vão antes à igreja da minha mulher e da minha filha? Lá eles oram a Deus e as coisas acontecem.” Pois bem, aquelas pessoas foram mesmo à igreja e converteram-se. E aquele homem, que sabia o Caminho, e que foi quem levou aquela família a Cristo, preferiu permanecer longe.

Talvez o jovem rico tivesse apenas pensado “adiar” a decisão para quando fosse mais velho. Mas a verdade é que a Bíblia não volta a falar mais nele. Quem somos nós para sabermos quantos dias ainda iremos viver? Que Deus nos dê sabedoria e ousadia para tomarmos decisões, largando todo o embaraço do pecado e mantendo o desapego daquilo que não nos acompanhará quando um dia Deus nos chamar.

18 de maio de 2012

Peppa e a Rainha de Inglaterra

A nossa filha é fã da Porquinha Peppa (Peppa Pig). Não perde um episódio das aventuras desta família de porquinhos. Recentemente, li neste blogue uma notícia curiosa sobre a Peppa. Vou partilhar: foi anunciado que a rainha Elizabeth II vai aparecer num dos episódios da Porquinha Peppa, já no próximo mês de Junho. A porquinha vai visitar o Palácio de Buckingham e as duas vão pular nas poças de lama, que é a atividade predileta da família da Peppa.

O programa tem por objetivo envolver as crianças nas atividades do Jubileu de Diamante, que marca os 60 anos da rainha no poder. Esta será a primeira vez que uma personagem humana aparece na série de televisão.

A cama de sonho

Mamã, compras-me uma cama destas para o meu quarto?
(Depois de lhe ler a história da Princesa e a Ervilha)

Ilha do Porto

Da última vez que estivemos no Continente, fomos ao Porto. Mas o nosso filho mais velho diz - com muita graça - às pessoas que foi à “Ilha do Porto”. E ele não está a brincar. Para si, e no seu pequeno mundo, tudo são ilhas.

9 de maio de 2012

1 ano

E, entretanto, o nosso filho mais novo, completou 1 ano de vida. É um amor de bebé, muito bonzinho. Gosta muito de comer e come de tudo, em grandes quantidades. Mesmo só com 4 dentes. Nunca tínhamos tido um filho tão “bom de boca”. Ri-se com os olhos e faz uma covinha no rosto ao sorrir. Ao abraçar-nos, dá-nos uma palmadinha nas costas. Delicioso, o nosso Tomás. Fez anos nas vésperas da nossa viagem para o Continente, por ocasião do casamento do meu irmão. Não tínhamos oportunidade de lhe fazer uma festa, mas os irmãos da igreja prepararam-lhe uma festa surpresa, repleta de balões e um bolo do Noddy. É muito amado por todos nós. Deus te abençoe e te guarde, meu amor.

Mais Festa no Céu

Há aproximadamente um ano que o S. assiste regularmente aos cultos e participa das atividades da igreja, acompanhando a mulher, crente, e a filha. É um bom homem, sempre com um sorriso no rosto, disponível para ajudar, como aconteceu na obra de reparação do telhado da igreja. Há muito tempo que a igreja vinha orando pela sua conversão. Apercebíamo-nos da sua sensibilidade ao Evangelho, mas a decisão por Cristo demorava em acontecer. Mas, pela graça de Deus, o S. entregou a sua vida a Jesus há 15 dias atrás, no culto de domingo, para alegria de toda a igreja, em especial da sua mulher e filha. Em duas semanas, 4 vidas decidiram-se por Cristo nesta pequena ilha. Vivemos tempos de colheita. A Deus toda a honra!

23 de abril de 2012

Festa no Céu

Os últimos seis meses têm sido especialmente difíceis de viver a 1.700 km de distância da família, devido ao rápido avançar da doença da minha mãe. Na semana passada, tivemos a oportunidade de passar uma semana no Continente, por ocasião do casamento do meu irmão, e foi muito bom poder passar aqueles dias junto dela. A despedida foi naturalmente dolorosa. Regressámos aos Açores, cumprindo o nosso dever de missão, pedindo ao Senhor fortalecimento e ânimo. E o Senhor é muito bom e fiel. No culto de ontem, três vidas entregaram as suas vidas a Jesus, na sequência de um apelo do pastor à Salvação. Um casal e uma jovem que foi mãe há apenas 8 dias. Três vidas que muito amamos e que temos acompanhado e clamado ao Senhor por conversão a Cristo. Uma alegria sem par, muitas lágrimas nos rostos de todos os que estavam presentes naquele abençoado culto. Festa rija a de ontem. Deus seja louvado e engrandecido!

20 de abril de 2012

Ser forte

Por estes dias, já a iniciar a noite, estava nas urgências com o meu filho mais novo, quando presenciei este episódio. Uma das pessoas que estava à espera de ser atendido era um homem, ainda vestido com a roupa do trabalho - nas costas do seu blusão, lia-se em letras grandes o nome da empresa que faz o transporte de passageiros, por barco, entre as ilhas do Faial e do Pico. De repente, aquele homem recebeu uma chamada no telemóvel. Falou pouco, desligou logo e dirigiu-se apressadamente ao guichet de admissão de doentes. “Vou ter de ir embora, estão a chamar por mim. Tenho de ir fazer uma evacuação de uma pessoa do Pico.” (Nota: a Ilha do Pico não tem hospital, apenas tem 3 centros de saúde, pelo que os casos graves têm de ser evacuados para o hospital do Faial). Enquanto dizia isto, ouve-se a médica a chamá-lo. Correu para a entrada das urgências e disse à médica: “Vou ter de ir embora, tenho de fazer uma evacuação! Tenho de ir já!” E já a caminhar para a rua, muito apressado, disse: “Conte comigo daqui a mais ou menos uma hora!”
Ao ver aquele homem sair a correr das urgências, pronto para ir salvar uma vida, ele que também estava doente, mas cujo sentimento de missão o fez esquecer de si próprio e lhe renovou energias, fiquei a admirar aquela atitude tão nobre. Ao mesmo tempo, lembrei-me também do exemplo de Jesus, que depois de ter recebido a notícia de que o seu primo João Baptista tinha sido assassinado, retirou-se para um lugar isolado, mas foi seguido por uma multidão e, em vez de se concentrar na sua dor e mandar aquelas pessoas embora, sentiu-se comovido por aquelas vidas, tendo curado os que estavam doentes e ainda os alimentou, de forma miraculosa. É assim o coração de Deus. É este coração que desejo ter. Um coração que é forte na fraqueza, pois a sua força vem do Senhor. “Porque quando estou fraco, então é que sou forte”. 2 Coríntios 12:10

16 de março de 2012

Uma boa notícia

Ontem recebemos uma boa notícia. Cinco meses depois de ter fraturado o cotovelo, o nosso filho foi considerado totalmente recuperado. A fratura está sarada, os movimentos do braço estão recuperados e teve alta para voltar a fazer desporto. Damos muitas graças a Deus por tudo isto. Segundo o ortopedista, há pessoas que fazem a mesma operação que o nosso filho fez e que ficam com o braço arqueado, não o conseguindo esticar completamente. Alegramo-nos por isso não lhe ter acontecido. Uma grande bênção recebida, fruto também da oração de muitos amigos (muito obrigada). Deus é Bom!

12 de março de 2012

O cúmulo do azar

O cúmulo do azar é ir comprar umas sapatilhas novas para a 1ª aula de ginástica, chegar ao ginásio toda vaidosa com sapatilhas a estrear, entrar na sala de aula e ouvir da professora: “Pode tirar as sapatilhas, a aula é descalça!”

9 de março de 2012

Mãe

A minha mãe continua muito doente. Temos passado por muitas fases, todas muito fortes do ponto de vista emocional. Há dias mais animadores. Há dias muito difíceis. É complicado escrever sobre este tema. Os médicos não nos dão esperança. Apenas o Senhor nos conforta e dá ânimo a cada dia. Todos os problemas da vida parecem insignificantes e fáceis de resolver quando passamos por uma situação verdadeiramente difícil. Sei que muitos amigos estão a orar pela minha mãe. Agradeço-vos muito (e a minha mãe também pede sempre para agradecer em seu nome). Um abraço com carinho a todos.

7 de março de 2012

Propósito

O meu filho mais novo nasceu com o canal lacrimal do olho esquerdo obstruído. Por volta dos seus 4 meses de vida, foi encaminhado para uma consulta de oftalmologia, a fim de ser avaliado para uma eventual intervenção cirúrgica. Segundo nos explicaram, se a situação se mantivesse após o seu 1º ano de vida, o bebé teria de ser operado. Ao saber disto, fiquei com o meu coração inquieto. Não conseguia imaginar o meu bebé a levar anestesia e a ser operado. Dizem que é uma intervenção muito simples, mas fazia-me muita confusão pensar nisso. Volta e meia começava a pensar na operação e na anestesia. E o tempo ía passando… e o olhinho dele sempre cheio de água e remelas. No meu coração, pedia a Deus para me preparar interiormente para a eventualidade de ele ter de ser operado. E o Senhor foi-me dando paz. Andava eu focada nisto e, inesperadamente, em Outubro passado, o meu filho mais velho partiu o cotovelo na escola e, em menos de 2 meses, teve de ser operado duas vezes, com anestesia geral. Por outro lado, a obstrução do olho do bebé acabou por desaparecer naturalmente (por volta dos seus 8 meses e meio) e ele está óptimo, com o olhinho limpo. Fico a pensar nisto tudo e chego à conclusão de que há situações na vida que têm mesmo por fim preparar-nos para outras situações que iremos viver. Ao pedir a Deus que me desse paz para a operação do bebé, o meu coração foi preparado para as operações do meu outro filho. Se não tivesse andando a pensar na perspetiva de um filho meu ser operado e se não tivesse pedido ajuda ao Senhor, teria sido muito mais difícil acompanhar a situação do meu filho mais velho. Por isso, como diz na Bíblia, “em tudo dai graças”!

1 de março de 2012

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Andava no meu último ano de faculdade. Era absolutamente solteira, vivia dedicada aos estudos. Há muitos anos que era assim. E nem pensava em compromissos. Havia de acontecer um dia, no tempo certo, pensava eu. Naquele dia, estava no casamento de uma amiga da igreja. A certa altura, a noiva decidiu atirar o ramo às meninas solteiras e, por força das circunstâncias, lá fui eu no grupo. Como sou uma pessoa introvertida, nada dada a estas coisas, fiquei assim mais para trás do aglomerado de mulheres, meio a esconder-me. Foi então que a noiva lançou o ramo a toda a velocidade (um ramo enorme, muito bonito) e, enquanto voava pelo ar, um grupo de rapazes gozões, fez em poucos segundos uma pirâmide humana. Lá no topo, o meu irmão, com muita graça, tentava apanhar o ramo. Mas o ramo passou-lhe ao lado, para riso geral, e enquanto eu própria ria às gargalhadas daquela cena toda, de repente - ZÁS - o ramo veio ter-me às mãos. Fiquei envergonhadíssima, já se sabe, cor de pimentão. A pergunta geral que se seguiu foi, naturalmente: “Então e o príncipe, onde está ele?” Eu ía sorrindo, encolhendo os ombros, até que a minha irmã respondeu em minha defesa: “Assim como o ramo lhe veio cair às mãos, o príncipe também lhe há-de vir ter às mãos.” E assim foi. Logo no mês seguinte, comecei a conversar com um amigo crente que conheci quando tinha 15 anos, nos acampamentos de verão da igreja, e com quem havia perdido o contacto. Daqueles tempos ídos, apenas guardávamos a recordação de que eu o achava bonito e ele a mim (o que sabe sempre bem saber). Agora ele já tinha 25 anos, já não tinha o cabelo comprido, e estudava no Seminário Baptista. Conversámos durante nove meses seguidos e construímos uma amizade muito sólida. Orámos também muito, queríamos ter a certeza de que era a vontade de Deus. Finalmente, começámos a namorar e casámos 1 ano e meio depois, num dia de muita chuva. Foi há 9 anos, comemoramos hoje. As flores do ramo da noiva morreram em pouco tempo. Mas o príncipe que me veio ter às mãos, é mais bonito a cada dia que passa. E tem o dom de tornar as vidas dos que o rodeiam também mais bonitas. Hoje é dia de agradecer a Deus pela vida conjunta que nasceu há 9 anos atrás, da qual nasceram depois mais 3 preciosas vidas. Parabéns para nós! *

28 de fevereiro de 2012

Pormenores

Pela manhã, à porta de casa, enquanto sentamos os nossos filhos no carro, e carregamos as mochilas e malas, para os levar à escola, passa por nós um vizinho, tranquilamente, com um biberão de leite na mão, para uma vitelinha que estava no campo à espera de ser alimentada. “Meninos, olhem o que o vizinho leva na mão, estão a ver? É para uma vaquinha bebé!” Os nossos filhos esticam-se para ver a cena. São pormenores como este que dão um encanto diferente aos nossos dias. São assim os Açores.

Declaração de amor

Enquanto lhe secava o cabelo, a minha filha diz-me assim: “Mamã, tu estás aqui dentro do meu coração!" (e coloca as duas mãozinhas em cima do peito enquanto diz isto).
E continua: “E sabes o que é que tu estás a fazer dentro do meu coração, sabes?” (Pausa) “Estás a fazer papinhas!!”
lol

20 de fevereiro de 2012

Super Mulheres

Quando estive em casa, após o nascimento do meu filho, aproveitava as alturas em que o alimentava para ver o Dr. House. Vi as séries praticamente todas. Num dos episódios, aconteceu o seguinte com a Dra. Lisa Cuddy:
O despertador tocou ainda de madrugada. Ela desligou-o, levantou-se cheia de energia, e foi fazer um pouco de ginástica matinal (corajosa). Depois tomou um duche, vestiu-se, tomou o pequeno almoço, tudo em contra-relógio. No meio de tudo isto, a filha (pequenina) chorava por ter acordado doente, com febre. Uma confusão. Entretanto, chegou a empregada doméstica que ficou com a menina. Ainda antes de sair de casa, apareceu-lhe o namorado, para uma visita rápida, e ela teve tempo e disposição para isso. Saiu de casa e foi trabalhar. Tudo cenas muito corridas, muito intensas. No trabalho era um dia decisivo. Ía ter uma reunião de negócios importantíssima de que dependia o futuro do hospital que dirige. Foi um episódio tão stressante, tão rápido, corre para aqui, corre para ali, chatices, a filha doente, a secretária sempre a correr atrás dela com recados, etc, que eu estive sempre à espera do momento em que lhe ía dar um colapso. Mas nunca aconteceu. Ela aguentou-se rija o episódio todo, conseguiu sair vitoriosa da reunião de negócios, foi para casa ainda relativamente cedo e passou o resto do dia com a filha e o namorado, super bem-humorada e tranquila, a trocar carinhos.
Ao terminar o episódio, ficamos com a sensação de que aquela mulher é sensacional, uma verdadeira heroína. Mas, se virmos bem, ela fez tudo aquilo porque tinha uma pessoa em casa a limpar, a tratar das roupas, a cozinhar e que ainda cuidava da sua filha. Ela tinha também uma secretária pessoal que lhe organizava a agenda e fazia as tarefas mais aprisionadoras e burocráticas. E, acima de tudo, ela era superelegante, gira, inteligente, com tempo para tudo e mais alguma coisa, porque era a protagonista de uma série de ficção de sucesso. Mas, note-se, apesar de tudo, ela tinha apenas um namorado, não um marido. E o namorado não era o pai da sua pequena filha. Na verdade, nem era o namorado que ela gostava de ter. Poucos episódios depois, esse namoro terminou e logo começou outro, muito tumultuoso, com o House, mas que também vai terminar depois. Mas até isso não deve ser por acaso. É a imagem de uma mulher livre, desprendida, que não se submete à rotina, nem a um homem só. Mas, no fundo, é uma mulher infeliz no amor. E a sua criança vai crescendo sem uma presença paterna. É esta imagem da mulher-heroína que não gosto, não concordo e acho um exagero. Concordo que as mulheres ainda estão a percorrer o caminho da igualdade de género em diversas áreas. Mas é preciso ter atenção aos exageros. Falo por mim - se faço muitas coisas na vida é porque formei equipa com um marido excecional e um pai dedicado. Não existem super-mulheres. Não existem super-homens. Existem boas equipas.

14 de fevereiro de 2012

Um segredo de ouro

Ao longo do dia de hoje, o pensamento tem-me fugido constantemente para o Hospital da Horta. É lá que está, desde manhã cedo, a L., uma irmã da nossa igreja. Vai dar à luz uma menina. Sei que ela está com muito medo do parto. No domingo orámos por ela no culto. Nestas ocasiões, lembro-me sempre de um conselho de ouro que uma mulher me deu, pouco antes de nascer o meu primeiro filho. Também eu tinha algum receio, ainda mais porque nestas coisas da maternidade contam-se sempre muitas histórias, cada mulher tem a sua própria teoria, para além de muitos mitos completamente absurdos. Lembro-me de me perguntarem: “Vai ter o bebé aqui? Não o vai ter no Continente?” Ficava perplexa… E depois diziam-me que na Ilha o parto era só com uma parteira, sem médico. E que se fosse uma cesariana que faziam uma costura do tamanho da barriga inteira. Medonho. Até que, um dia, uma mulher, que teve aqui o seu filho, deu-me o seguinte conselho: “Quando estiveres em trabalho de parto, OUVE tudo o que te disserem para fazer e depois FAZ!” Tão simples quanto isto. Segui este conselho das três vezes que tive bebés e, de facto, é um segredo de ouro. Naquelas situações, é tudo tão difícil que a tendência é querermos assumir o controlo da situação e não querermos saber de nada nem de ninguém que esteja à nossa volta. Mas o segredo é fazer exatamente o oposto: dar o controlo a quem é entendido e obedecer. Um conselho de ouro, não só para ter bebés, mas que pode ser assumido com uma regra de vida entre nós e Deus.
(Obrigada, Sara G.)



(Entretanto, pela madrugada do dia 16, nasceu a Isabela, com 3.145Kg. Mais uma açoriana linda para o rol de bebés da nossa igreja.)

9 de fevereiro de 2012