13 de novembro de 2014

Ainda sobre o Pastor Oliveira

Andei o dia todo a ganhar coragem para lhes contar o que tinha acontecido. Não sabia mesmo como lhes dizer. Os meus filhos sabem perfeitamente o que significa “ir para o Céu”, pois ainda há pouco mais de 2 anos passaram pela despedida da avó Celeste. Eles conhecem bem o sabor amargo de deixar de ter alguém que amamos no nosso dia-a-dia. E mais, eu sabia o quanto eles gostavam do Pastor Oliveira.
Já ao final do dia, sentados no sofá, disse-lhes que tinha uma notícia para lhes dar. A minha filha, imediatamente, abriu muito os olhos e esboçou um sorriso radiante, pensando que ía ouvir da minha boca aquilo que me pede quase diariamente. Mas, percebendo a sua expressão, logo lhe respondi: “Não, Mariana, a mamã não vai ter um bebé.” Disse-lhes então que a notícia era um pouco triste, apesar de também ser feliz. “O Pastor Oliveira foi para o Céu… foi viver com Jesus.” Com o semblante triste, até aceitaram bem a notícia. Mas a reação do meu filho mais velho, partiu-me o coração. Ele disse assim: “Foi para o Céu?... Mas, ele era meu amigo…”. O nosso filho “perdeu” todos os seus amigos quando nos mudámos dos Açores para cá. Neste último ano e meio, tem procurado, a pouco e pouco, reconstruir o seu mundo de amizades. Mas não tem sido fácil, pois as amizades que ele tinha vinham desde o berço, eram laços fortes. O pastor Oliveira, curiosamente, era especialmente carinhoso para com o nosso filho mais velho. Dava-lhe chocolates e, volta e meia, ele aparecia com notas. “- Mamã, já podemos ir almoçar ao Chinês!” – disse-me um dia, muito feliz, enquanto exibia uma nota de cinco euros. “- Quem te deu essa nota?” E ele respondia: “- Foi o pastor velhinho”. Expliquei-lhe que o pastor estava muito doente e que agora no Céu já não estava mais doente, mas que estava feliz com o nosso Deus. Ficou mais consolado. Mas, logo suspirou: “E os chocolates? Quem é que nos vai dar chocolates? …” Acabámos todos por sorrir com a história dos chocolates.
Quando os deitei, pedi à minha filha que orasse, pois tinha um nó enorme na garganta. E as crianças são incríveis… Eu, que sou adulta e que sei tantas coisas, é que devia ter feito a oração que ela fez e com a atitude com que ela a fez. De olhos fechados, dirigidos pela Mariana, ouço-a dizer na sua doçura infinita: “Senhor, estamos tão felizes com a notícia de que o Pastor Oliveira já está contigo no Céu! Esperamos que ele possa sentir-se muito bem aí! Senhor, faz com que ele que seja muito feliz no Céu! E faz também com que a irmã Lídia não fique triste. Que ela possa continuar sempre a orar pelas pessoas e a ser amiga das pessoas.” Sem palavras. Jesus tinha muita razão quando disse que temos de ser como as crianças. Que o Senhor nos console.

11 de novembro de 2014

Pastor Oliveira

Nunca esquecerei aquele dia, que acabou por ser o último dia em que estive com o Pastor João Rosa de Oliveira. Pela manhã, entrei no seu quarto, acompanhando o meu marido, e vimo-lo deitado na cama, muito enfraquecido. Era notório que estava bastante mais doente do que há um punhado de dias atrás. Porém, contente de nos ver, e ignorando completamente o nosso pedido, bem como o da esposa, para que permanecesse deitado, fez um esforço e sentou-se na beira da cama, ainda com um rasgo de energia inexplicável. "-Veio ver o pastor velho?" - disse-me em tom de brincadeira (pois costumava dizer aos nossos filhos que o meu marido era o pastor novo e que ele era o pastor velho). Dali a instantes, deu-me um cd para a mão e pediu-me que o pusesse a tocar no leitor que tinha ao lado da cama. Fiz como me pediu. Ficámos por momentos em silêncio a aguardar que música começasse a tocar. Ouvem-se os primeiros acordes, o som era suave… Olho para o Pastor Oliveira e vejo-o de olhos fechados, com um sorriso muito rasgado. Que expressão inesquecível! Era assim que ele fazia quando sentia as coisas no coração. Até falava e pregava muitas vezes com esta expressão. E a música iniciava assim: 

Há uma terra além do Rio
Que chamamos doce eterna
E somente alcançaremos pela Fé
Um a um de entrar havemos
Nesse lar de bens supremos
Quando o Salvador chamar a mim e a ti. 

Procurámos controlar a emoção (algo tão difícil de fazer quando amamos uma pessoa), e, ainda meio atordoados, ouvimo-lo dizer-nos que sentia muita alegria por saber que estava prestes a ir para o Céu. “Quero muita música na minha despedida! Muita alegria!” Dali a pouco, pediu uma partitura à sua esposa, D. Lídia. Diz-nos que foi o seu saudoso cunhado, Pastor Daniel Machado, quem traduziu aquele hino.
E, já cansadíssimo, ignorando mais uma vez os nossos apelos para que não se cansasse, começa a cantar este hino: “Aleluia! Aleluia! Corações ao céu bradai/ Entoando alegre hino de louvor ao Deus que é pai / E ao que sobre a cruz seu sangue/ Pra nos salvar derramou/ Jesus Cristo o Rei da glória que a morte aniquilou!” Inesquecível este momento! Já no final da visita, orámos todos juntos. Ao sair do quarto, ainda voltei atrás para o tapar, pois vi que se tinha voltado a deitar e que não tinha puxado as cobertas. “- Descanse bem, Pastor”- foram as minhas últimas palavras. “Obrigadinha!” – respondeu-me.
Nesse dia, nem me consegui concentrar bem no trabalho, por causa de tudo o que vi e ouvi naquela visita. O Pastor Oliveira era uma pessoa que nos tocava o coração. Não apenas por causa das suas palavras, mas muito pelas suas expressões tão genuínas. Ele estava preparado. Mais do que isso, ele estava desejoso pelo seu encontro com Deus.
Hoje, estou profundamente emocionada com a sua partida para glória. As palavras parecem-me todas muito pequenas para transpor a amizade, a gratidão e a saudade que este querido pastor vai deixar nos nossos corações. Já está no gozo do Senhor!

29 de outubro de 2014

O pecado menos confessado

Por estes dias, li um livro que me incomodou profundamente. Foi-me oferecido por uma amiga, no meu aniversário. "Este livro já é bem antigo, não diz nada que já não saibas, é apenas uma lembrança." - disse-me ela. Qual quê! Tenho andado aqui às voltas para tentar digerir tudo o que li. Creio até que vou ter de o ler novamente. O livro aborda o pecado mais comum entre os cristãos, que curiosamente é também o pecado menos confessado. Esse pecado chama-se... o pecado da falta de oração. O autor faz um apelo direto para que confessemos este pecado e nos arrependamos dele. Incita-nos também a pedir a ajuda do Espírito Santo para nos fortalecer na descoberta de uma vida de oração rigorosa, comprometida, mas muito feliz. Pois a oração é o segredo de uma vida espiritual poderosa.
"Muito se diz e muitas queixas se fazem sobre a fraqueza da Igreja em cumprir a sua chamada, em exercer uma influência sobre os membros, em libertá-los do poder do mundo e a levá-los a uma vida de santa consagração a Deus. Muito também se diz sobre a sua indiferença face aos milhões de perdidos que Cristo lhe confiou para que ela torne conhecidos deles o Seu amor e salvação. Qual a razão para muitos milhares de obreiros cristãos no mundo não terem uma maior infuência? Nada, a não ser isto - a falta de oração no seu serviço." (A Vida de Oração - Andrew Murray)

27 de outubro de 2014

À minha maneira

Houve um dia um homem que decidiu dar uma oferta a Deus. Ele sabia que para Deus há que dar sempre o melhor. Aliás, o melhor dos melhores. Ele sabia que Deus deseja as primícias, não os restos (porque Deus é digno). Ele sabia tudo isso. No entanto, decidiu dar apenas uma boa oferta, em vez de uma oferta excelente. Deu a oferta como quis, não como Deus pede. Quem viu aquele homem depositar a sua oferta no altar, certamente pensou: “Bem, este homem ama profundamente a Deus! Que oferta maravilhosa está ele a trazer ao Senhor… Que coração generoso!” Porém, a Bíblia diz-nos que Deus não aceitou aquela oferta. (Gén.4:3-5)
 
Houve um dia alguém que recebeu um convite para ir ao casamento do filho do Rei. Que alegria! Que honra! Aquela pessoa sabia que todos os convidados teriam de usar vestes nupciais, no entanto, entendeu que iria vestido a seu gosto. E não é que teve esse atrevimento? Enquanto se dirigia para o casamento, pensava para consigo mesmo: “- O Rei há-de compreender a razão pela qual não quis vestir aquelas vestes. Ele é um Rei compreensivo e amável. Aquelas vestes não fazem mesmo o meu estilo. Afinal de contas, eu tenho o direito de vestir-me como bem entendo.” Porém, diz-nos a Bíblia que o Rei não deixou aquela pessoa participar da boda. (Mateus 22:1-14) 

17 de outubro de 2014

Alegria

Deus fala-nos de muitas maneiras. Até através de estranhos. Todos os dias, quando vou levar os meus filhos mais velhos à escola, cruzo-me com uma mulher que também vai levar o seu filho à escola. Recordo-me do 1º dia em que reparei nela e da forma como Deus falou ao meu coração através dessa situação. Eu que vou sempre muito apressada, com o tempo contado ao segundo, a procurar ajudar os meus filhos a carregar as mochilas, a lancheira, os casacos, procurando gerir alguma birra de última hora e com o pensamento no filho mais novo que, dali a alguns minutos, temos de deixar noutra escola, que ainda fica distante daquela… e o combóio que tenho de apanhar de seguida e o tempo sempre a correr… pois bem, naquele dia, o meu olhar ficou preso àquela mãe. Ela vai muito tranquila com o seu filho para a escola, como que aproveitando cada momento. Tem um sorriso rasgado, próprio de alguém a  quem tudo corre bem na vida. Partilha essa boa disposição com o filho e com as pessoas conhecidas com quem se cruza no caminho. Despede-se do menino com um longo abraço e beijos. O menino vai todo contente para a aula. Volta para casa a pé, serena. Todos os dias reparo nela. Esta mãe, que deve ser mais ou menos da minha idade, traz um lenço a cobrir a cabeça, pois não tem cabelo. O seu ar pálido confirma aquilo que todos percebem que traz dentro de si. O sorriso daquela mãe, apesar das circunstâncias, aquece-me o coração. Também eu tenho de aprender a descansar mais e mais no Senhor e sorrir de gratidão, pelo bom, pelo menos bom, por todas as coisas. Pois a alegria do Senhor é a nossa força (Num.8 :10)

16 de outubro de 2014

Coração bom

Este ano, no aniversário do nosso filho, proporcionámos-lhe uma ída à Kidzania. Era um sonho que ele tinha. As primas íam com ele, mas ele pediu-nos que também fosse um menino. Dissemos-lhe então para escolher dois meninos de entre os seus amigos. Pensou e logo decidiu quem eram os dois meninos que ía convidar. O que nos surpreendeu foi o motivo que pesou na sua escolha: “Eu vou escolher o … e o … porque eles secalhar nunca terão oportunidade de ir à Kidzania”. Sem palavras. Que Deus te conserve sempre assim, filho. Um coração bom.

Orações

A Mariana a orar, com muita emoção, e eu a morder os lábios para não me desmanchar a rir. São assim crianças. Maravilhosas :) 
“- Ó Senhor, ajuda os pobrezinhos! Eles coitadinhos só têm umas migalhinhas para comer… Ajuda-os a encontrar uma, ou duas, ou três moedinhas para comprar pão. Que eles possam pôr o seu copinho à janela e que Tu faças chover para eles terem água para beber. E que eles possam ter Jesus no seu coração. E depois dá-lhes também um iogurte…”

22 de setembro de 2014

9

Fez ontem nove anos que nasceu o nosso filho Miguel. O nosso “primogénito” que foi “unigénito” durante dois anos e meio, como ele disse há dias durante uma lição da escola bíblica dominical, demonstrando que sabe aplicar o vocabulário bíblico (lol). É um menino muito amado. Temos aprendido muitas coisas com ele e sabemos que vamos continuar a aprender. Os nossos filhos são dádivas de Deus e trazem consigo certas particularidades, com um determinado propósito. É isso que temos vindo a descobrir. O Miguel, desde pequenino, foi sempre um menino especial. Recordo-me de um episódio cómico, mas também muito constrangedor, quando ele tinha apenas 4 anos de idade - uma tia do meu marido, decidiu oferecer, no Natal, um golfinho de peluche (pensava ela), à nossa filha, que era ainda bebé; ora, estava ela a oferecer o “golfinho” à bebé, dizendo: “Olha aqui, Mariana, um golfinho tão fofinho…”, quando o Miguel decide intervir: “Bem, na verdade, isso não é um golfinho… (aqui, parámos todos a olhar para ele)… na verdade, isso é uma orca (e era mesmo) – e agora o pior – também conhecida por baleia assassina!” (lol) Nos últimos anos, percebemos claramente que a matemática e as ciências da natureza são a sua “praia”. É muito curioso, ávido por conhecimento: “O que são hormonas? O que é o ph da água? Explica-me depressa, mamã!” Confesso que, por vezes, fico aflita com as perguntas dele. Tem um sentido de humor apurado: é muito engraçado a dizer as coisas (o que nos rimos com ele!) e sabe rir (a gosto) das coisas realmente engraçadas. Por vezes, ri tanto que quase lhe falta o ar. É também muito sensível aos outros, preocupado e ajudador.  A sua inteligência deixa-nos muitas vezes intrigados… “Mas quem é que lhe ensinou isto?”. Por exemplo, aprendeu a jogar xadrez sozinho, através da internet. Ser diferente dos demais é muito curioso, mas há sempre coisas menos boas e difíceis que daí advêm e com as quais há que aprender a lidar. Há nove anos que damos diariamente graças a Deus por este menino. E pedimos a Deus muita sabedoria para o educar e orientar em Cristo, para que ele possa viver a sua vida inteira no temor do Senhor. Que assim seja.

16 de setembro de 2014

Pastor Daniel Machado


Hoje despedimo-nos (por ora) do Pastor Daniel Machado. “O Daniel foi morar com Jesus no Céu”, como escreveu o Pr. Diné Lóta . Era um pastor muito querido, muito íntegro. Tive oportunidade de o conhecer melhor quando estudei em Coimbra, pois era pastor da Igreja Baptista daquela cidade. Era sempre uma simpatia. Tinha também um bom sentido de humor. Uma das últimas vezes que estive com o Pastor Daniel Machado foi no casamento do meu irmão, em 2012. Guardo duas recordações especiais desse dia: uma delas foi a forma amorosa como brincou (literalmente) com as crianças (na foto, estava a apresentar-se à minha filha, como um verdadeiro cavalheiro, ao mesmo tempo que a minha sobrinha o puxava, com afinco, para a brincadeira; a outra recordação que guardo, foi a forma ousada (e ao mesmo tempo muito natural) como falou de Jesus a uns familiares nossos (que não são crentes), que ficaram na sua mesa (eu pude ouvir partes da conversa, a partir da minha mesa). Era assim o pastor Daniel, muito especial. Que o Senhor possa dar consolo à sua querida família, certos da esperança de um reencontro no Céu.

11 de setembro de 2014

O rei vai nú

Miguel, do meio das suas divagações, sai-se com esta: "Há uma coisa que não consigo entender... (pausa) Como é que o Presidente de Portugal, que é uma pessoa tão sábia, ainda não mandou proibir as praias de nudismo?" (lol)
Como disse o pai do menino que gritou "o rei vai nú!", no conto de Hans Christian Andersen, "Deus fala através dos inocentes". Mesmo.

10 de setembro de 2014

Mariana

As crianças são incríveis! Há um ano que faço este caminho todos os dias (o caminho para o meu emprego) e foi preciso a minha filha vir um dia comigo para passar a dar atenção a uma série de pormenores. Por exemplo, há imensas pombas no centro de Lisboa. Passeiam mesmo ao nosso lado, aqui e ali. E agora o mais interessante: "Mamã, já reparaste que estas pombas de Lisboa não se assustam?" E é verdade. De tão habituadas que estão ao movimento louco de pessoas e carros, aquelas pombas parecem ter perdido aquele instinto natural de esvoaçarem para longe, perante o mínimo movimento ameaçador.  A dada altura, a minha filha lançou-se a correr em direção a uma pomba que estava no passeio, mas escorregou e caiu no chão, permanecendo a pomba impávida e serena. Impressionante. Aquelas pombas já não se apercebem do perigo, de tão habituadas que estão a conviver com ele.
Também passámos por diversos pedintes. Um deles tinha um pequeno cartaz ao peito que dizia "Sou cego, ajude-me". A minha filha perguntou-me o que tinha aquele senhor. Expliquei-lhe que era cego e que estava a pedir esmola. "- Como sabes que é cego?" - perguntou-me. "- Li no cartaz que tinha ao peito" - respondi-lhe. Ficou pensativa por momentos e logo perguntou: "- Mas como é que ele conseguiu escrever o cartaz?" As crianças são incríveis!
Já de regresso a casa, diz-me ter gostado muito de ter estado no meu trabalho e que foi um dia muito feliz. Digo-lhe que, um dia, quando crescer, também poderá ser jurista e trabalhar num ecritório bonito como o da mamã. Resposta: "- Obrigada, mamã. Mas quando eu crescer gostava era de ter um trabalho em que todas as pessoas que eu encontrasse, ensinava-lhes sobre Jesus. Era isso que eu mais gostava de fazer." Engulo em seco, ao mesmo tempo que sinto os meus olhos humedecerem e guardo mais esta no meu coração de mãe. As crianças são incríveis!
 

5 de setembro de 2014

Um lugar especial


As minhas memórias daquele lugar remontam ao tempo em que ele era pouco mais do que um pedaço de pinhal vedado. Quando eu era pequena, parecia-me um terreno imenso. O que eu ali corri, o que eu ali brinquei... E o tanto que me arranhei e esfolei! Desfilei para os melhores criadores de moda (na minha imaginação) ao longo do muro que a minha mãe ali mandou construir. Eram tardes inteiras a passar modelos. Eu era uma manequim competente, aos 7 anos de idade. O muro também servia para fazer números de circo, mais propriamente de equilibrismo. Também ali praticava ginástica na trave, a nível olímpico, claro. Era muito aplaudida (também na minha imaginação). Fui diversas vezes medalhada. No cimo dos pilares do portão de entrada, sentava-me a cantar. Tenho uma foto que me tiraram naquele lugar, num final de tarde. Nessa foto tenho as pantufas da minha avó calçadas (não vale a pena aqui recordar o ralhete que levei quando ela se apercebeu que eu lhe tinha roubado as pantufas). Gostava de saltar com a minha 'Bota Boltilde' debaixo do alpendre da casinha de campo que os meus pais ali ergueram. Treinava muito, até lhes fiz um buraco nas solas. Brincava com os meus irmãos, mas também brincava muito sozinha. E não me chateava nada. A minha imaginação fervilhava com ideias novas. Tenho muito carinho por aquele lugar. Recordo-me que a minha mãe comprou talheres de cabo vermelho para aquela casa. Isto numa altura em que toda a gente apenas tinha talheres de ferro. Um dia, na minha pureza de criança, perguntei-lhe assim: "Quando morreres posso ficar com estes talheres?", ao que me respondeu "Mas, tu queres que a mamã morra?". Lembro-me que rimos as duas, pois, com a sua resposta, percebi a indelicadeza da minha pergunta. Entretanto, muitos anos se passaram. Este ano, voltei àquele lugar, que agora é também meu, por desejo da minha mãe. Ficar-lhe-ei sempre grata por isso. Ali passámos as nossas férias, rodeados de ar puro e silêncio. Agora são os nossos filhos que vivem as suas aventuras ao ar livre. Para nós, que temos uma vida tão preenchida, aquele lugar é mesmo uma bênção de Deus, um refúgio. Voltámos de férias renovados, prontos para os desafios que se nos colocam. E muito gratos a Deus por este lugar tão especial.

16 de junho de 2014

Reencontros

Conheci-a com sete anos de idade, era uma açoriana pequenina. Durante os cultos, vinha muitas vezes sentar-se ao meu lado e dava-me a mão. E eu já sabia para o que era. Enquanto o meu marido pregava, eu fazia-lhe festinhas na mão, muito devagarzinho, dedo por dedo. Depois, quando terminava, ela trocava de mão, muito depressa, para continuar a levar festinhas. Esta menina passou por momentos muito difíceis na sua família e eu percebia a sua carência. Por vezes, ía encostando a cabecinha ao meu ombro e quase adormecia (se é que não passava mesmo pelas brasas) encostadinha a mim. Ela faz este ano dezassete anos. Está da minha altura, se é que não me passou já. O meu filho apelidou-a de “mini-Adriana”, pois, de costas, confunde-nos. Temos o mesmo corte de cabelo. Ultimamente, já não vinha tanto para junto de mim, pois já é uma adolescente crescida. Mas, quando estive agora no Faial, no culto de domingo, veio sentar-se ao meu lado. Pegou na minha mão, olhou para ela por momentos e disse-me: “As tuas mãos continuam iguais”. Sorri para ela. Depois, com um jeito meio envergonhado, colocou a sua mão sobre a minha, como fazia quando era pequenina. Percebendo a sua saudade, agi com naturalidade, como se ela fosse a menina pequena de outrora e comecei a dar-lhe festinhas. E assim foi durante toda a pregação. Missões é também isto. Amar as pessoas. Vai muito mais além do ensino, do discipulado e do aconselhamento. É criar laços com as pessoas. É acrescentar a nossa família. Que Deus guarde esta jovem sempre no Seu caminho e que ela possa ser sempre uma mulher virtuosa, cheia do temor do Senhor.

13 de junho de 2014

Regresso aos Açores

Regressar aos Açores foi mesmo um presente divino. Um ano e meio depois de termos vindo para o continente, pude  voltar ao Faial, com os meus dois filhos mais velhos, a convite da União Feminina da Igreja Baptista da Horta. Pudemos rever aquele lugar paradisíaco e muitas caras que amamos (de dentro e de fora da igreja). Os meus filhos consolaram-se com os seus amiguinhos açorianos, com quem puderam brincar e fazer muitas pulseirinhas de elásticos (a 'febre' também já lá chegou). Foi muito bom reencontrar a igreja tão bem, tão saudável e feliz. Tive o privilégio de entregar os estudos bíblicos do retiro anual de senhoras (com muito temor e tremor). Romanos 12:1 e 2. "Transformação total". Foram 3 dias maravilhosos, de muita união, partilha e coração aberto para aprender do Senhor. Um tempo marcante para todas nós. Que o que o nosso Deus ali começou possa permanecer e dar muito fruto, para glória  de Deus!


 
 
 
 

28 de maio de 2014

Mariana, 6 anos

Quando penso nela, recordo-me sempre dos 9 meses que viveu dentro de mim, durante os quais partilhámos perto de duas dezenas de viagens de avião (e uma delas, em dezembro, tão horripilante!…). Batemos sete das nove ilhas dos açores, a trabalhar muito, e ela sempre serena. Diziam-me, por graça, que ela ía ser hospedeira quando crescesse. Faz hoje seis anos que nasceu a Mariana, no tempo previsto, serenamente, à hora em que o pai deveria estar a dirigir uma reunião de oração (os meus filhos fizeram todos pontaria aos dias e horas em que o pai tinha compromissos na igreja, valeu-nos sempre o querido irmão João Carlos, que já ía ficando de pré-aviso). Faz hoje seis anos que a olhei nos olhos pela primeira vez, aqueles olhos imensos, com um desenho único e uma intensidade no olhar que me comoveu até à alma. Muito observadora, nada escapa àquele olhar. Beleza, inteligência, perspicácia e sensibilidade, são a sua definição perfeita. Musicalidade, criatividade e gosto pelo desenho, são dons que se vêm revelando com o crescimento. Aprecio muito a sua curiosidade (faz tantas perguntas!). Aprecio e consolo-me com a sua espiritualidade. É uma menina de Jesus. E aprecio muito uma característica deliciosa que guarda desde pequenina: a capacidade de rir-se de si própria. É muito nossa amiga. Muito amiga dos irmãos. Neste último ano, a sua vida mudou profundamente com a mudança dos açores para o continente, mas teve a maturidade de compreender e aceitar os motivos que levaram a esta mudança e refez o seu leque de amizades e até de “familiares” (no continente, já arranjou “tias”, uma “prima” e até uma “avó”). Agradeço muito a Deus pela nossa Mariana e peço ao Senhor que ela possa crescer sempre no Seu temor, com um coração cheio do amor de Jesus e que o seu olhar lindo possa estar sempre bem focado no Reino de Deus. Parabéns, princesa!

21 de maio de 2014

Regeneração

"E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne." (Ezequiel 36:26)
É sobre este novo coração que tenho andado a meditar, a propósito do retiro de mulheres da ilha do Faial. E esta meditação tem-me deixado sem palavras.
 

7 de maio de 2014

Extreme Makeover

De hoje a precisamente um mês, se Deus permitir, estarei a aterrar na ilha do Faial, um ano e quatro meses depois de ter visto os Açores pela última vez. Vou de coração apertadinho, não pela viagem de avião (mas também!!), não pela emoção forte que será rever pessoas que amo muito (se bem que já ando um pouco ansiosa), mas essencialmente pela tremenda responsabilidade de partilhar a Palavra do Senhor no retiro de mulheres da Igreja da Horta. "Extreme Makeover" - Transformação Total, é o tema do retiro. Romanos 12:1-2. É dose. Que Deus me oriente, capacite e faça a Sua obra transformadora naquele lugar.

Geração Web

"- Filho, como se chama aquele teu colega que joga contigo na net?"
Resposta: "- É o Diogo 9494."
(lol)

6 de maio de 2014

Crescer muito

Antes de irmos para os Açores, há uma dezena de anos atrás, pertencíamos à Igreja da Amadora (aqui ainda não existia o blogue). Foi lá que o meu marido começou o ministério pastoral. Recordo-me que aos domingos, no final do culto, um menino (creio que com uns 7 ou 8 anos) aproximava-se sempre dele para receber um abraço (o meu marido gostava muito daquele menino) e, de seguida, o menino pedia-lhe sempre para fazerem um “braço de ferro”. Claro que o menino acabava sempre por ser vencido, apesar de, por diversas vezes, ter certamente pensado que esteve bem perto de ganhar, atendendo ao exagerado ‘esforço’ demonstrado pelo meu marido durante os duelos. “- Estás melhor! Estás a ficar cada vez mais forte!” – dizia-lhe o meu marido para o encorajar.
Pois bem, por estes dias, o meu marido recebeu um convite de amizade no Facebook. No ínicio, não percebeu logo quem era o 'homem' que lhe dirigia o convite. Era um culturista enorme, larguíssimo, cheio de músculos por toda a parte, repleto de fotos no ginásio a levantar pesos e mais pesos. Mas, pelo nome e pela expressão doce do olhar, reconhecemo-lo logo: era o menino do braço de ferro! O convite de amizade foi aceite de imediato (esperemos é que o “menino” não faça agora nenhum convite para um braço de ferro…). Esta história fez-me pensar nos meninos que passam nas nossas igrejas, pelas nossas mãos, e a quem ensinamos o temor do Senhor. Costumo pedir a Deus que nenhum deles se perca, nem se afaste de Deus. Que todos eles possam crescer fiéis e felizes no Senhor. O meu desejo é que, um dia, venha a ter notícias de que todos eles estão “enormes” e “fortíssimos” no Senhor. Muito maiores e muito melhores do que nós próprios. Que assim seja.

Sempre diferente

Após ter recebido a avaliação do meu filho, e considerando o comentário tão encorajador do professor de educação musical, decidi perguntar-lhe:
“- Filho,  achas que gostavas de começar a aprender música e de  tocar algum instrumento musical?”
Resposta: “Sim, sim. Gostava muito aprender a tocar cítara! É espetacular.”
(lol)

5 de maio de 2014

:))

Depois de lhe ter explicado que não é muito simpático tratarmos as pessoas idosas por “velhas” e depois de lhe ter dado algumas palavras alternativas mais gentis, a minha filha passou a referir-se às pessoas idosas de uma forma um pouco invulgar. Em plena rua: “- Mamã, olha ali aquela menina da terceira idade!”
(lol)

:)

No domingo, visitámos um casal da nossa igreja, cujos pais, muito idosos, vivem com eles e sob os seus cuidados. À noite, antes de adormecer, a minha filha, muito tocada com tudo o que viu, sai-se com esta:
“- Mamã, eu vou gostar de ti para sempre. Quando tu fores muito velhinha, eu vou cuidar de ti como faz a irmã Ana. Vou levar-te ao médico, vou dar-te banho, vou dar-te comida, vou lavar-te os dentinhos e vou comprar-te uma cadeira de rodas… deixa-me pensar… já sei! Vou comprar-te uma cadeira de rodas rosa chock, gostas?”
Eu (com vontade de rir) “- Sim… rosa chock é muito gira…”
E continua: “- E depois, à noite, quando estiveres na caminha, vou ensinar-te coisas sobre Jesus, porque nessa altura tu já vais estar um bocadinho esquecida do cérebro!”
(Lol)

O mesmo amor

Faial e Queluz. Muitas diferenças. Mas, se olharmos para elas através dos olhos de Deus, vemos exatamente a mesma coisa. Duas terras onde vivem pessoas que Jesus ama profundamente e a quem deseja alcançar com a Sua graça. Que o teu Reino seja estabelecido em muitos e muitos corações, ó Pai!

29 de abril de 2014

Escola bíblica de férias - Festa no Céu!

 Durante as férias da Páscoa, realizou-se uma Escola Bíblica de Férias na Igreja Baptista de Queluz. Participaram crianças das igrejas de Queluz, Amadora e vários visitantes. Naquela semana, ouviram histórias bíblicas e missionárias, fizeram jogos, concursos, trabalhos manuais e aprenderam muitas músicas novas. E o lanche! Que enorme lanche… tantas e tantas sandes foram feitas… Uma equipa dirigida pela irmã Maria José Salgueiro, constituída por adultos e jovens, trabalharam arduamente para proporcionar àquelas crianças um encontro com Jesus. Eu só pude assistir ao último dia, no sábado, mas valeu por todos os outros dias em que não pude estar. Vi 10 crianças levantarem-se dos seus lugares, para ir à frente fazer a oração de entrega das suas vidas a Jesus, recebendo-o como seu Senhor e Salvador. Durante o apelo, foi explicado às crianças que quem já tinha feito aquela oração não deveria ir à frente, pois era só para quem ainda não o tinha feito. E, foi consolador ver os meus dois filhos mais velhos ficarem sentadinhos no seu lugar, tendo mais tarde comentado comigo que não foram à frente porque já tinham entregue as suas vidas a Cristo, mas que estavam muito felizes por ver tantos meninos que abriram os seus corações para Jesus. Foi um momento lindo! Um dia de festa na nossa igreja! Um dia de festa no Céu! Deus seja louvado.

24 de abril de 2014

Quem conta um conto acrescenta um ponto

Mariana, sempre muito expressiva, a gesticular muito, cheia de suspense, decide recontar a lição que aprendeu na escola bíblica dominical: “Depois de Jesus ressuscitar, apareceu aos discípulos e comeu com eles. Assaram peixinho nas brasas e a sobremesa… acho que foi gelado.”

10 de abril de 2014

Tomás, 3 anos

Uma vassoura, uma pá de praia, uma colher de pau, tudo serve de guitarra. Um alguidar, um pequeno banco, ou uma caixa de brinquedos ao contrário, são baterias perfeitas para ele. O seu brinquedo predileto são as baquetas. Tem música dentro de si. É muito tranquilo. Não são poucas as vezes que, durante as viagens de carro, tenho de virar-me para trás só para ver se ele adormeceu ou, confesso, para confirmar se ele está lá mesmo sentado, pois vai sempre sossegado. É um bem-disposto. Quando dá uma gargalhada boa, inclina a cabecinha para trás a rir (delicioso). É um bom garfo e o primeiro a sentar-se à mesa. Muitas vezes, enquanto termino as refeições, já ele está sentadinho no seu lugar à mesa, aguardando serenamente que lhe sirvam comida. É muito “espanhol” a falar. Gosta muito de motas. Tem um olhar doce e uma meiguice natural. Mas quando o aborrecem, defende-se com firmeza. Faz esconderijos, estou sempre a descobri-los. É lá que guarda alguns dos seus brinquedos preferidos e alguns brinquedos dos irmãos, sem que eles saibam. Abraça as pessoas com abraços demorados. Ri-se com as sobrancelhas. Anda sempre ao meu colo. É o bebé pequenino lá de casa. Foi há 3 anos atrás, mais ou menos a esta hora, que nasceu o Tomás, numa pequena ilha açoriana, rodeado de muito amor. Que o nosso Deus o guarde e abençoe por toda a sua vida. E que a sua vida eleve bem alto o nome do Senhor.

8 de abril de 2014

Mãos cheias de bençãos

O Lucas e o Filipe são dois milagres de Deus. Durante meses, a Igreja de Queluz orou por estes meninos e pela mãe, na sequência de uma gravidez de risco, em que o cenário de um parto demasiado prematuro, com todos os riscos que isso envolve, era dado como quase certo. Mas Deus pôs a mão e correu tudo bem. São dois bebés lindos, rechonchudos, que fazem as nossas delícias. No domingo, os pais dedicaram-nos a Deus e a Igreja orou por eles e pela família. Foi um momento muito emotivo, em que pudemos expressar a nossa gratidão a Deus por estas duas novas vidas. Que o Senhor os abençoe e guarde.

7 de abril de 2014

Conversas de ocasião

Há uns tempos atrás, o tio C. foi buscar os meus filhos mais novos à escola. Quando íam no carro, a minha filha Mariana, para iniciar conversa, certamente procurando atingir as gostos masculinos, sai-se com esta (num tom muito convicto): “O Benfica é um grande clube! O Benfica é mesmo muito bom!”
Recentemente, os meus filhos mais velhos foram passar a tarde com os tios e com o avô. Quando íam no carro da tia, o Miguel, para puxar conversa, sai-se com esta: “Tia, sabias que o Beethoven compôs a música do seu próprio funeral?”
(lol)

5 de abril de 2014

4 de abril de 2014

Filhos que oram por Mães

"Senhor, ajuda a mamã no trabalho. Que ela possa obedecer sempre à sua diretora e fazer tudo muito bem. Que ela não se engane nos seus trabalhos e que fiquem muito bem-feitinhos. E mesmo que as suas colegas façam os trabalhos mal-feitos, que ela faça os dela sempre bem-feitinhos." (Mariana)

Autismo

Esta semana, assinalou-se o dia mundial da consciencialização para o autismo. Estes temas acabam sempre por nos falar mais intensamente ao coração quando temos alguém de perto que vive esta realidade. Este ano, o autismo passou a ser um asunto falado na nossa casa, por causa do João. A mãe do João e eu andámos grávidas ao mesmo tempo. Ela é minha amiga e minha irmã na fé. O João nasceu de cesariana, dois dias antes do meu filho, pelo que também acabámos por ser colegas na maternidade. O João é lindo e feliz. Este ano, descobriu-se o motivo pelo qual o João, entre outras coisas,  não fala e não brinca com os outros meninos. O João é autista. Na pequena ilha onde vive, são poucos os recursos para o poderem ajudar. Os pais estão a preparar-se para mudar de residência para uma terra maior, onde exista apoio médico e terapeutico adequado. O João é muito amado. É o menino dos olhos daqueles pais. Em pouco tempo, os pais já estudaram sobre o assunto, já estão a par das terapias, das instituições de apoio, de tudo. Desdobram-se para proporcionar o melhor àquele menino. Fazem-no por amor. E são compensados por isso. O amor do João pelos pais é bem visível em cada sorriso seu. E, enquanto se luta pela consciencialização para o autismo, os cientistas avançam nas suas pesquisas rumo ao diagnóstico pré-natal do autismo. Sinceramente, temo muito pela descoberta deste diagnóstico precoce. Sei que poderá ser bom, pois permitirá antecipar tratamentos. Mas se for para se passar a abranger estes casos no rol das malformações que permitem abortar, temo que acabem os autistas...

3 de abril de 2014

Viva e Eficaz

 
A Palavra de Deus é "viva e eficaz". Quando a partilhamos, nunca volta para trás vazia. É como uma “espada de dois gumes”, bem afiada, que penetra bem fundo nos corações, chegando onde nenhum homem consegue chegar. Estou muito feliz pelo que Deus está a fazer no nosso meio. De facto, a obra de Deus não pode ser feita na nossa força, mas apenas na dependência do Senhor. Num destes domingos, no final do culto, um homem aproximou-se do meu marido e, muito tocado pela pregação que acabara de ouvir, disse assim: “Pastor, enquanto ouvia a Palavra de Deus, senti como se tivesse um cadeado no meu coração e, de repente, o cadeado abriu-se… e eu compreendi que tenho de perdoar uma pessoa e que tenho de amá-la.” Arrepiante. E outras maravilhas têm acontecido. Por exemplo, pessoas que mantinham relacionamentos amorosos que não estavam de acordo com o padrão de Deus, ouviram o ensino do Senhor, acataram-no, e contraíram casamento. Só o Senhor tem poder para convencer o homem do pecado e para mudar o seu coração. Que muitas mais vidas possam ser penetradas por esta Espada aguçada. Pois onde ela toca, transforma.

2 de abril de 2014

Deus é sempre Bom

No fim-de-semana passado, quando abri o Facebook, fiquei sem palavras ao ver fotos da Celeste, já em casa, feliz, com o neto ao colo. O filho da Celeste intitulou as fotos com a frase: “O dia que eu ‘sabia’ que não iria acontecer”. Mas aconteceu mesmo! Deus seja louvado por isso. E ao ver aquelas fotos, bem como um pequeno vídeo em que a Celeste aparece de pé, a dar pequenos passos, no quintal de sua casa, a emoção tomou conta de mim. Nos últimos tempos, tenho pedido muito a Deus que não tome a Celeste e que lhe  devolva a ‘vida’. E emociono-me sempre muito quando oro por ela, pois, ainda há bem pouco tempo, fazia essa mesma oração a Deus por outra Celeste, a minha querida mãe. Porém, no meu caso, Deus decidiu tomar mesmo a minha mãe para junto de Si. E o dia que temia que não acontecesse, não aconteceu mesmo. Fico a pensar que, de facto, nós não mandamos nada. Deus faz as coisas como quer, quando quer e com quem quer. A Sua vontade é soberana. Desta vez, Deus achou por bem fazer um milagre e devolveu a Celeste à 'vida' e à sua família. Alegro-me tanto por isso! Penso no seu marido, nos seus filhos e no netinho… quanta gratidão a Deus devem sentir todos eles! Deus mostrou o Seu poder àquela família de uma forma invulgar e arrebatadora! E se o fez é porque tem um propósito nisso. Mas, pensando bem, também na vida da minha mãe Deus fez um milagre muito grande. Depois de um percurso tumultuado, ela partiu em paz com Deus, com o coração quebrantado, certa da sua Salvação em Cristo. Deus sabe o que é melhor em cada caso. E no caso da minha mãe, o Senhor achou que o melhor era mesmo não a devolver à ‘vida’, mas antes tomá-la para Si. Custa muito enfrentar a realidade de que Deus tenha decidido adiar o meu reencontro com a minha mãe para a eternidade. Mas se pensarmos bem, não custa nada. Difícil seria uma separação eterna. É só um bocadinho de tempo, comparado com toda uma eternidade juntas. Deus tudo sabe. E tudo o que Deus faz é bom. E Deus é bom em todo o tempo. “Que a Tua vontade seja feita na terra, assim como é feita no Céu.”

1 de abril de 2014

:)

(Mais do mesmo)

Ao telefone para a ilha de São Miguel:

Eu: "- Pode dizer-me o seu e-mail, por favor?”

Resposta: “- O e-mail é: info…”

E eu repito: “- Ok, info…”

E o senhor continua: “- Arroba, Luís, trace”

E eu repito: “- Arroba, Luís, traço… sim…”)

Até que chega o inesperado: “- Meines…”

E eu pergunto: “- Mendes?”

Resposta: “- Nã é Mendes. É trace, meines!”

Já aflita, pergunto: “- Peço desculpa, creio que não o estou a perceber bem. Disse Meines?”

Resposta: “- Nã, senhora! Ê disse trace de mé-nes!” (Tradução: traço de menos, vulgo, hífen)

(Lol)

28 de março de 2014

Fome de Deus

Quando li o livro de Joanna Weaver, houve uma parte que me tocou bastante. Foi a parte que falava sobre o facto de muitas pessoas não sentirem “fome” de Deus. E isto é uma realidade tão preocupante! Muitas vezes, procuro aguçar o “apetite” por Deus àqueles com quem me relaciono, mas o interesse por provar o “cardápio” que lhes é apresento (e que é quase sempre bem aceite e respeitado) acaba por não se concretizar, pois as pessoas andam de “estômago cheio”. Joanna Weaver conta até um episódio interessante. Certa vez, uma mulher andou todo o dia a preparar uma refeição para receber umas visitas. Preparou comidas, sobremesas, decoração,enfim, foi uma azáfama. E enquanto trabalhava, ía petiscando aqui e ali. Quando chegou a hora do jantar, a mesa estava linda, repleta das melhores iguarias e ela não tinha uma ponta de fome. Que desperdício! É preocupante não sentirmos fome do “Pão da Vida” por termos o estômago cheio de gulodices. Estas podem ser até coisas muito boas: família, trabalho, projetos, desporto, lazer. Mas não são o alimento principal. E isto não é só para descrentes, aliás, Joanna fala para crentes. Há dias, falava com uma pessoa que me dizia que, olhando para trás, reconhece que houve um período de tempo na sua vida em que andou afastada do caminho de Deus. E o pior: nem tinha consciência de que andava tão mal. Hoje, tem outra compreensão das coisas e reconhece “o risco” que correu. Muitos de nós também já trilhámos esse caminho mau. Não nos enganemos: petiscos e snacks não são refeição. Na verdade, são um engano. São alimento que traz doença e morte. “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.” (Mateus 5:6)

27 de março de 2014

Dawow

Por estes dias, no meu trabalho, tive de telefonar para a Divisão de Obras e Urbanismo de uma Câmara Municipal que fica numa  das zonas mais complicadas, a nível de sotaque, da ilha de São Miguel. Responderam-me que tinha de fazer o meu pedido por e-mail. Até aqui tudo bem. O problema foi quando pedi para me dizerem o e-mail. Ora bem, o e-mail começa por “dou@...” (que são as iniciais de Divisão de Obras e Urbanismo), mas até eu perceber o “dou” foi uma verdadeira tourada. Dizia-me a senhora qualquer coisa como: “Dawow”. “Desculpe?” E ela repetia “Dawow”. “Pode soletrar, por favor?” (o que eu fui dizer…) “Ok. “Daw / “Aou” /”iuu”. Bem, a dada altura, a senhora começou a rir (certamente pensando "estas queques de Lisboa não percebem nada disto!") e eu própria comecei a rir e foi uma risada pegada. E ela lá se esmerava: “Daw de daduu” ("Ok, D de dado" – lá ía eu tentando pescar alguma coisa), “iuu de iuuva" (U de Uva…). Bem, já me caíam lágrimas de tanto rir! Que belo momento. Viva a boa disposição!

25 de março de 2014

Soberano

 
Quando estivemos de visita à Igreja de Braga, fomos também à Escola Bíblica Dominical. Como o meu filho mais novo não estava a querer ficar na classe das crianças, fiquei com ele a assistir à lição. A professora, Raquel Andrade, sentada com as crianças numa roda, contava-lhes a história de Dorcas. Do lado de fora da roda, eu observava as expressões das crianças, completamente concentradas na história. A dada altura da história, Dorcas morreu. A professora perguntou então às crianças: ”Porque será que Deus nem sempre responde às nossas orações da forma que gostávamos?” Fez-se um silêncio. “Porque é que Deus não faz tudo o que lhe pedimos?” – insiste a professora. Nisto, ouço a minha filha, destemida, num tom muito seguro e sereno, avançar com uma resposta: “É porque os pais não têm de obedecer aos filhos!”. Confesso que fiquei surpreendida com a profundidade da sua resposta e emocionada ao mesmo tempo. É isso mesmo, filha. Deus é soberano.

20 de março de 2014

:)

(A respeito de uma senhora, na casa dos 50, que começou a namorar)
Miguel: "- Ó mamã, porque é que ela só começou a namorar agora com esta idade?"
Eu: "-Bem, na verdade, não foi "só agora" que começou a namorar. Sabes, essa senhora já teve marido, filhos, netos... mas depois ficou sozinha. Então, agora ela encontrou alguém para lhe fazer companhia. Entendes?"
Miguel: "- Sim..." (pausa) E continua: "- O avô também está sozinho..." (pausa) "- Ele também podia arranjar uma companhia..." (pausa mais longa) E conclui: "- Acho que o avô não deve ter muito jeito com as miúdas!"
(lol)

"Aquietai-vos"

Por estes dias, passei por uma sitação no trabalho em que precisava de muita sabedoria (mesmo muita) para reagir a essa situação. Não sabia o que fazer. Na minha força, pensei em mil e uma respostas diferentes, mas todas elas acabavam por me parecer ou insuficientes ou exageradas. Uma palavra em falso poderia despoletar um problema. Decidi não responder logo, rendi-me à minha incapacidade e orei ao Senhor. Pedi-Lhe sabedoria para agir. É curioso que, depois de orar, senti muita paz. Passou-se o fim-de-semana e Deus foi falando ao meu coração. Na 2ªfeira, eu já sabia a resposta que tinha de ser dada. E a resposta era: "Não responder". E assim foi. E é incrivel como a sabedoria de Deus é tão perfeita! Ao não responder, tudo ficou resolvido e o meu testemunho cristão foi passado. Não é fácil, mas Deus capacita-nos a não nos deixarmos dominar pelos nossos impulsos (muitas vezes tão enganadores). "Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus." (Salmos 46:10)

19 de março de 2014

Escrita

Na reunião de mulheres da nossa igreja, tive oportunidade de partilhar com as irmãs um pouco do meu testemunho de vida cristã. Desta forma, pude dar-me a conhecer um pouco melhor às irmãs, procurando também encorajá-las na sua caminhada com Cristo. No final, colocaram-me uma pergunta muito pertinente e que, curiosamente, é uma pergunta que me acompanha há muito tempo e sobre a qual tenho vindo a refletir (às vezes, até digo na brincadeira que hei-de escrever um livro sobre este tema). E a pergunta é mais ou menos esta: “Como vê o papel da mulher do pastor e como pode a igreja colaborar com ela/ajudá-la?”. Eu, confesso, não ía preparada para esta pergunta e não sou nada boa no improviso. Mas, lá respondi o que estava no meu coração. Curiosamente, alguns dias depois, uma outra irmã, por quem tenho muita estima e respeito pela sua vivência cristã, veio perguntar-me porque é que eu não passava a escrito o que tinha falado na reunião sobre o papel da mulher do pastor e a forma como eu vivo essa realidade, e enviava para a revista do DF. Estou a “cozinhar” a ideia… 

:)

Acho muita graça que a minha chefe diga que o meu marido é o responsável pela "Paróquia de Queluz".

17 de março de 2014

Jovens


No domingo passado, o culto foi dirigido pelos jovens da Igreja de Queluz e foi mesmo maravilhoso! Dirigiram os louvores, apresentaram o ministério de jovens e a pregação foi entregue pelo Rui Ribeiro, jovem seminarista da nossa igreja. Foi tudo tão bom, numa atitude tão espiritual, que deu gosto ver estes jovens já tão envolvidos na obra do Senhor! Têm tantos dons diferentes, tanto potencial! Fico a imaginar o que Deus poderá fazer através de cada um deles… é tremendo! Oro pela consagração diária destes jovens ao Senhor. No final do culto, almoçaram todos juntos, sempre num ambiente de união e amizade. Que Deus abençoe, proteja e a multiplique este grupo de jovens.

Mulheres

No dia da Mulher, as senhoras da Igreja Baptista de Queluz reuniram-se para ter um tempo de partilha, oração e convívio. Foi uma reunião muito abençoada. Éramos 28 mulheres. Ficámos a conhecer-nos melhor (nas igrejas grandes isto nem sempre é fácil) e fomos muito edificadas com as partilhas de cada uma. Esperamos todas que esta tenha sido a primeira de muitas reuniões deste género. Ficamos na expetativa do que o Senhor irá fazer.

11 de março de 2014

Quando crescer

Aos 5 anos, há gostos e dons que se começam a revelar: “Quando for grande quero ser ou médica, ou uma senhora que ensina os meninos a pintar.”

Há doutores e doutores

O que aprendeste hoje na escola bíblica dominical: “Hoje foi sobre quando Jesus era um menino e estava a conversar no meio dos médicos.” (lol)

Meticuloso

A ver um filme acerca do Velho Testamento, diz-me do alto dos seus 8 anos: “Mamã, existiam 12 tribos? Porque é que nunca me disseste que existiam 12 tribos? É um pormenor importantíssimo!”

Amigos

No sábado passado estive com uma amiga que guardo desde os onze anos de idade. Uma amiga do coração. Foi tão bom estar com ela e com a sua família. As duas famílias juntas totalizavam quatro adultos e sete crianças :) Vai partir para Praga em missão. Agora que, finalmente, estou tão perto dela, o Senhor chama-a para tão longe. É a vez dela ir. Que o Senhor acompanhe, guarde e abençoe esta querida família, é a minha oração.

5 de março de 2014

Mães que oram... por mães.

Eu já conhecia o ministério (e até pertenço a um grupo destes) das "Mães que oram" (pelos filhos), mas ao ler um livro de meditações para novas mães, de Sandra Drescher-Lehman, achei muito interessante esta ideia de Mães (mais velhas) que oram por Mães (mais novas). Tão importante! Deixo aqui esta partilha: “No outro dia, a minha mãe comentou comigo que acha que a tarefa das mulheres da sua idade é orar pelas mulheres na minha fase da vida. Ela disse que as novas mães não tem tempo de orar. Como é que ela sabia disso? Eu nunca teria admitido a ela que quase não tenho tempo de orar! Mas ela falou como se isto fosse um facto bastante conhecido, e nem precisava de resposta. (…) Sinto falta dos períodos de silêncio e oração que eu tinha com Deus antes do bebé. (…) Obrigada, Senhor, por minha mãe e por todas as mães que oram por nós que acabamos de nos juntar a elas.”

3 de março de 2014

Norte

Por estes dias, estivemos em Braga e Guimarães, visitando as igrejas ali e partilhando a Palavra do Senhor. Fomos tão bem acolhidos por aqueles irmãos, tão acarinhados, que até deu vontade de ficar ali mais tempo. Ficámos em casa de um casal amigo, que tem filhos da idade dos nossos, o que foi muito bom também para as crianças. Voltámos de coração cheio com tudo o que vimos e ouvimos. Em Braga, encontrámos uma congregação bastante jovem, com muitas crianças (naquele domingo foi até dedicado a Deus um novo bebé muito mini, com apenas um mês de vida). Têm uma congregação boa, com muitos músicos, vários instrumentos e, muito importante, havia visitantes no culto. Muitos dos irmãos que estão a servir e a dar escola dominical têm filhos pequenos e vidas muito ocupadas, mas isso não é obstáculo para deixarem de ajudar na igreja. Em Guimarães,  encontrámos uma congregação igualmente acolhedora, empenhada no seu ministério de estabelecer uma igreja naquela cidade. Uma congregação que gosta de louvar o Senhor, com jovens a tocar vários instrumentos musicais. Tem também crianças (e que lindas que elas são). São congregações que, neste momento, não têm pastor e que buscam a orientação de Deus nesse sentido. Que essa necessidade possa ser suprida em breve, com um pastor segundo o coração de Deus, que seja uma bênção naquele lugar, para Salvação de muitos. É a nossa oração.

1 de março de 2014

20 de fevereiro de 2014

A guerra

Enquanto passavam no noticiário as imagens do conflito na Ucrânia, o Miguel sai-se com esta: "Estão a ver aquilo na televisão? Parece fogo de artifício, não parece? Mas não é. É uma guerra!" (Pausa) "Querem que eu vos explique a guerra? Eu explico. É assim: os russos querem ser amigos dos ucranianos, mas os ucranianos não querem ser amigos dos russos. Os ucranianos só querem ser amigos dos portugueses. É por isso que há guerra."

19 de fevereiro de 2014

39

Dou por mim muitas vezes a pensar no quanto sou abençoada por poder partilhar a vida ao seu lado. É um homem maravilhoso. Muito meu amigo. Hoje faz 39 anos, o último dos trintas. Recordo-me que fez 30 anos poucos dias depois de termos chegado ao Faial. Éramos só nós os dois. Longe da família, dos amigos, a casa ainda semi-montada. Mas, um grupo de irmãos da igreja bateu-nos à porta e trouxeram-lhe um bolo, salgados, sumos e fizeram-lhe uma festa (tão queridos aqueles irmãos). Nesse ano, nasceu o Miguel, o nosso primeiro filho. Aos 33 anos foi pai da Mariana e aos 36 foi pai do Tomás David. Os trintas ficarão sempre na memória como o tempo em que foi missionário nos Açores, o tempo em que foi pai e, no final, o tempo em que regressou ao continente e o início do pastorado em Queluz. Da minha parte, sinto muita gratidão por poder viver tudo isto ao seu lado e testemunhar o seu amadurecimento, sempre para melhor, fruto da sua contínua dependência do Senhor. É uma inspiração para mim e para as crianças. Gosto tanto dele! Que coração bom. E as gargalhadas dos trintas? São muito melhores que as dos vintes! Por vezes, basta um olhar, uma palavra. O que eu me divirto com o meu Rui Manuel! Parabéns, meu amor. Cada ano de vida que Deus te acrescenta é para mim motivo de profunda alegria e gratidão. A tua vida é a minha também. Amo-te.
(continuas a ser o meu médio-defensivo preferido) 

18 de fevereiro de 2014

Queluz

No culto de domingo, a nossa querida Igreja de Queluz, fez-nos uma grande surpresa, que nos deixou muito sensibilizados. Sem que contássemos, chamaram a nossa família à frente e assinalaram o nosso 1º aniversário em Queluz e o aniversário do meu marido (que vai ser amanhã), entregando-nos ofertas. Da minha parte, recebi um ramo lindíssimo de rosas (tantas rosas), de muito bom gosto (lindas aquelas flores) e que me deixou sem palavras. Tão querida que esta igreja é! Somos tão gratos a Deus por poder estar em Queluz. A minha sala parece um jardim, cheia de flores. E sempre que ali entro e olho para aquelas flores, sinto o amor de quem as ofertou. Tão bom! Que Deus me ajude a retribuir em dobro todo esse amor e cuidado.

14 de fevereiro de 2014

:)

O meu filho confidenciou-me que tem uma borbulha da varicela guardada na carteira. Guarda-a como um tesouro. Há coisas na mente das crianças que não vale a pena tentar compreender. É o mundo deles. Resta-nos sorrir.

Amizade

Ontem, nos Açores, foi o “dia das amigas” e, pela primeira vez, passei esse dia no continente. Pela manhã, enviei mensagens às minhas amigas açorianas, demonstrando-lhes que continuam bem presentes no meu coração. Todas me retribuíram as mensagens, com palavras amigas, demonstrando carinho e saudades. A amizade é algo muito bonito. Foi criada por Deus e tudo o que Deus criou é bom. Mas o ponto alto do dia, foi a meio da manhã. Estava eu no meu emprego, sentada ao computador, mergulhada em papéis, quando vejo uma colega aproximar-se de mim com um enorme ramo de flores, lindíssimo, e deposita-o nos meus braços. “Vieram entregar para ti” – diz-me ela. Eu mal podia acreditar que tal coisa me estava a acontecer! Pareceria uma cena de filme. Abri o cartão que acompanhava as flores e li: “Feliz Dia das Amigas!” Aquelas flores vinham de uma boa amiga que está no meio do oceano. Fiquei com os olhos rasos de água. Abracei duas vezes seguidas a colega que me entregou as flores. Até a minha chefe me veio abraçar, sensibilizada por aquelas flores. É muito bom ver que os laços que criámos nos Açores não se diluem com a distância, nem com o passar do tempo. E perceber que parte de nós ficou lá. E perceber que uma parte de lá, trouxe-a comigo no avião.

11 de fevereiro de 2014

Partilhar

Estavam dois pudins no frigorífico. O Miguel tira um pudim e dá-o à irmã. Tira o segundo pudim para si, mas, de repente, aparece o irmão mais novo a correr, com os bracinhos esticados. O Miguel olha para o pudim, olha para o irmão, hesita por um momento, e, com muita pena, acaba por entregar o pudim ao irmão, dando-lhe uma festinha na cabeça e dizendo: “Sê feliz, pequenino!” (lol)
(E vendo que o irmão mais velho tinha ficado sem pudim, os dois irmãos, sem ninguém lhes dizer nada, deram parte dos seus pudins ao Miguel. Gostei de ver.)

Novos desafios

Não sei explicar bem porquê, talvez seja da minha própria natureza, mas sempre fui uma pessoa receosa de falar abertamente o que me vai na alma. Mas não me considero tímida, talvez uma falsa tímida. É difícil explicar isto. Mas quando tenho de falar (em especial para muitas pessoas) sinto como que uma moinha no peito, que desce pelos meus braços e gela-me as mãos, acompanhada daquele pensamento demovedor: “Será que o que vais dizer tem algum interesse para a conversa, Adriana?» e, por fim, lá está, a desistência e a opção por ficar calada. Sempre foi assim, com muita pena minha, pois sinto que tenho muitas coisas interessantes cá dentro. Toda a minha vida tenho lutado muito contra isto. Não que eu própria tenha definido esse objetivo, mas as circunstâncias da vida têm-me obrigado a enfrentar esta dificuldade. Na igreja, na faculdade, no estágio e ao longo da minha vida profissional, tenho sido sempre colocada em situações em que tenho de falar para muita gente. Só com a ajuda de Deus é que isto tem sido possível. E eu já devia ter interiorizado isto mesmo:  que é Deus que me ajuda e que não depende tudo de mim. Mas, na verdade, continuo sempre a “sofrer” muito quando sei que vou ter de falar. Creio que Deus tem estado, a pouco e pouco, a transformar esse meu traço de personalidade, pois tem colocado diante de mim desafios nessa área. Ultimamente, têm-me surgido convites para falar em público e, pela graça de Deus, depois de muito “sofrer” na preparação das intervenções, acaba por correr bem. Um convite que alegrou muito o meu coração, por um lado, e que me deixou com o sentimento de que sou do tamanhinho de um grão de areia, por outro, chegou-me da parte da união feminina da Igreja Baptista da Horta, que me convidou para ir ao Faial, no verão, para falar no retiro de mulheres. Senti do Senhor aceitar este desafio. Peço que Deus me ajude a não deixar que a timidez impeça a Sua obra. E, ao mesmo tempo, que eu nunca deixe de depender exclusivamente do Senhor para confiar em mim mesma. (E, já agora, orem por mim, por favor!)

8 de fevereiro de 2014

6 de fevereiro de 2014

Celeste

Desde domingo que o meu pensamento e as minhas orações são para a Celeste. É esposa de um pastor, tem 4 filhos e é avó. É da geração da minha mãe. O Alan, marido da Celeste, assumiu o pastorado da igreja a que eu pertencia quando eu tinha creio que 13 anos e acompanharam-me até aos 16. Ficámos sempre amigos. Já depois de regressar dos Açores, estivemos com este casal e nessa ocasião pude conversar com a Celeste, que me abraçou carinhosamente (não esqueço este abraço), dizendo à minha filha Mariana que eu fui uma das suas meninas.
A notícia de que a Celeste se encontra em coma abalou-me muito. Um milagre, é o que peço a Deus.

Foi há 1 ano...





 
 
Foi há 1 ano atrás que todos os nossos pertences seguiram por mar rumo a Lisboa, enquanto nós fazíamos as últimas despedidas, para depois partirmos de avião no dia 8 de fevereiro.

4 de fevereiro de 2014

Mãos largas a pedir

Mariana em oração:
"Senhor, ajuda os pobrezinhos, dá-lhes comida para que eles não tenham fome. Dá-lhes também um sofá e uma televisãozinha." (pausa) "Senhor, ajuda também os doentinhos. Que eles possam ir ao médico e ficar bons. Dá-lhes também um carrinho para que eles possam ir ao médico."

30 de janeiro de 2014

Podes entrar...

“- Mamã, conta-me uma história!” – pede-me a minha filha, já deitada na cama.
“- Queres sobre quê? Sobre grávidas?” (este é um dos seus temas prediletos)
“- Sim!”
Aproveitando o interesse dela, contei-lhe a história de Isabel e Zacarias, casal sem filhos, já avançado em anos, a quem Deus ouviu as orações, dando-lhes um filho - João Baptista.
“- E João veio a ser um servo de Deus tremendo! Sabes, foi ele quem baptizou Jesus!”
"- Porque é que Jesus se baptizou?” – pergunta-me ela, com aquele olhar vivo e inteligente, de quem gosta de aprofundar o porquê das coisas.
“- Para nos dar o exemplo.” - respondo.
“- Que exemplo?” – insiste ela.
“- O exemplo de que quem decide deixar Jesus entrar e habitar no seu coração, abandonando o pecado, deve assumir essa decisão perante todos, sendo baptizado nas águas.”
Ficou pensativa.
Decido então, continuar a explicação: “- Sabes, Jesus deseja muito habitar nos corações vazios e tristes, cheios de pecado. Quando lhe abrem a porta desses corações, ele entra, fecha a porta, e fica lá a morar. O coração fica limpinho e nós tornamo-nos pessoas diferentes, mais bonitas, que amam a Deus. Passamos também a querer afastarmo-nos das coisas más. E temos uma felicidade muito, muito grande dentro de nós!”
Com uma expressão diferente, preocupada talvez, de quem entendeu o sentido do que lhe acabava de ser explicado, diz-me assim: “- Eu nunca fiz essa oração para abrir a porta a Jesus…”.
“- Não?”- pergunto-lhe eu, enquanto começo a sentir o coração a acelerar e a emoção a tomar conta de mim…  “-Queres fazê-la agora?”
“-Ele está aqui à porta do meu coração?” – pergunta-me ela.
“-Está sim…”
Ela inclina a cabecinha, olhando em direção ao seu peito, e sussurra com carinho: “- Jesus, podes entrar…”
Delicioso este momento! Aqui, não retive as lágrimas.
Fizemos uma oração e ela dormiu profundamente, enquanto eu gravava mais esta doce memória no meu coração de mãe.
Que Jesus possa ser sempre o Senhor da tua vida, filha. E que o teu coração possa ser conhecido como um coração cheio e transbordante do amor de Jesus.

24 de janeiro de 2014

Opinião

Na 2ªf passada, estive na Livraria Baptista, a convite dos amigos Tiago e Ana Rute Cavaco, para falar da minha experiência de leitura do seu livro "Felizes para Sempre e outros equívocos acerca do casamento". Partilho convosco as anotações que levei comigo naquela noite (algumas destas coisas posso não ter chegado a dizer e outras mais que aqui não estão foram ditas). A explicação é simples: quando eu olhava para as minhas anotações só via uma aglomerado de letras, tal era o estado de nervos :) Foi uma experiência que me marcou tão profundamente pela positiva que acho que nunca a esquecerei (mas disto poderei falar um dia noutro post). 
O livro é bom, muito útil e recomenda-se. Aqui fica a minha cábula:
"Li o livro do Tiago com muito interesse, pois o casamento é um tema que me atrai, desde logo porque sou uma mulher casada, mas também porque sou esposa de um pastor e acompanho o meu marido no aconselhamento matrimonial.
Conheço o Tiago há muito tempo e sei que é uma pessoa com um bom conteúdo, um pensador. Sei também que é muito bem casado com a Ana Rute e que eles têm um bom casamento, o que credibiliza muito o seu escrito.
O Tiago é cristão e, desde logo, esclarece que a sua visão do casamento é baseada na sua fé e que não consegue dissociar o casamento da fé que tem. No entanto, creio que ele consegue que a mensagem do livro esteja acessível tanto aos que professam a fé cristã como ao público que não tem essa visão. Aliás, o Tiago tem uma capacidade pouco comum no meio evangélico que é a de conseguir comunicar muito bem quer com os que estão na igreja, quer com os que não pertencem à igreja.
Ao contrário de outros livros acerca deste tema, que falam mais de regras do bom funcionamento dos casais, com muitos exemplos pessoais e histórias, este livro procura ir à essência do que é o casamento. O casamento foi inventado por Deus, que também fez as suas regras de funcionamento. Este livro tem a clareza de conseguir mostrar o alvo que Deus tem para o casamento e as expectativas reais que devemos ter do mesmo. Ao ir à origem da questão, o livro faz-nos pensar no verdadeiro propósito do casamento, nas dificuldades e virtudes do mesmo.
Com isto, o Tiago desmistifica um conjunto de equívocos que a sociedade actual foi criando acerca do casamento e  também desconstrói as expectativas erradas com que muitas pessoas entram no casamento.
Há duas palavras que ressaltam no livro quando se explica o sentido do casamento: escola e processo. O casamento é uma escola e um processo de transformação. A nossa individualidade, tal como era enquanto solteiros, termina no dia em que casamos. O Tiago diz que quando casamos "deixamos de ser um indivíduo e passamos a ser uma metade".
Uma das partes que mais gostei do livro foi esta que passo a citar: "A felicidade do casamento parece estar enraizada na capacidade que ele tem de nos transformar, de ser tudo menos inócuo para aqueles que o experimentam. O casamento faz-nos novos. E é a partir daqui que podemos dizer que mais que nos querer fazer felizes, o casamento quer fazer-nos novos."
No final do livro, percebemos que afinal aquilo que hoje em dia desmotiva as pessoas em relação ao casamento não tem razão de ser, pois são  equívocos, coisas que o casamento não deve ser. O casamento vale a pena, funciona e traz felicidade, quando vivido da forma que o seu inventor (Deus) o pensou.
Espero, sinceramente, que este seja o primeiro de mais livros do Tiago, pois precisamos de mais conteúdos de qualidade e fiéis à Palavra de Deus como este, na nossa literatura cristã evangélica portuguesa."

16 de janeiro de 2014

Os olhos das crianças

Ao descarregar as fotos do meu telemóvel, não posso deixar de aqui partilhar esta. Estavamos a passear num shopping, com o meu pai, por altura do Natal. Naquele dia havia uma agitação enorme no shopping, estava mesmo à pinha. Não apenas por causa das compras de Natal, mas essencialmente por causa da presença do modelo Pedro Guedes. Estava acompanhado das mascotes do filme Madagáscar, para delírio das crianças. Naquele dia, podia-se tirar uma foto com o Pedro Guedes de um lado e com o "rei Julian", o lémure, do outro, e ainda ganhar dois beijinhos do Pedro Guedes no final. Bastava aguardar na lonnnnnga fila constituída, basicamente, por mulheres. O meu filho mais velho, a vibrar com todo aquele ambiente, vira-se para mim e pede-me o telemóvel para tirar uma foto. Mal sabia eu o que ele ía fazer a seguir. Muito apressado, fura aquela fila enorme, coloca-se mesmo em frente ao Pedro Guedes e 'zás', tira uma foto ao lémure! Todo contente, corre para me mostrar a foto que conseguiu tirar ao animal. Achei muita graça. Eu e todas as pessoas que repararam na cena. São assim as crianças.

15 de janeiro de 2014

Mais pintinhas

E a varicela está de volta a nossa casa... agora foi a vez do Tomás.

13 de janeiro de 2014

Desejar a plenitude de Deus

Infelizmente, na maioria das vezes, queremos um Deus suficiente para nos fazer felizes, mas não para nos transformar. Essa foi a postura que Wilbur Rees tinha em mente quando escreveu: "Gostaria de comprar US$3 de Deus, por favor; não o bastante para explodir a minha alma ou perturbar o meu sono, mas apenas o equivalente a uma xícara de leite quente ou a uma soneca à luz do sol. Não quero uma quantidade dele que me faça amar um homem negro ou colher beterrabas com um imigrante. Quero êxtase, não transformação; desejo o calor do útero, mas não um novo nascimento. Quero meio quilo do Eterno Deus num saco de papel. Gostaria de comprar US$3 de Deus, por favor."
(da obra "$3.00 Worth of God", de Wilbur Rees, citado por Joanna Weaver em "Como ter o coração de Maria no mundo de Marta")